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SustentHabilidade

Opinião e realizações

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Jornal 96 - Resenha 2014

Audio da participação de hoje, ao vivo no Jornal 96, na resenha do ano de 2014.

https://soundcloud.com/jean-paul-prates/participa-o-na-resenha-de-2014


quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

EUA + Cuba = Brasil acertou em cheio.


A notícia do dia ontem nos jornais e redes sociais foi a reaproximação história entre EUA e Cuba após 53 anos de rompimento. 

Os dois países surpreenderam o mundo anunciando que reabrirão suas embaixadas. O chamado pacote de "normalização" foi negociado secretamente por um ano e cinco meses, a partir de conversas para liberação de prisioneiros dos dois países. As reuniões entre as equipes ocorreram no Canadá e no Vaticano. O Papa Francisco foi figura fundamental nas negociações e ontem Barack Obama e Raúl Castro agradeceram ao Papa, por ter incentivado o acordo. Mais uma vez, um argentino escrevendo história em Cuba... Segundo consta, o líder cubano Fidel Castro não participou diretamente de nenhuma conversa com os EUA. 

Além de anunciar a reabertura de sua embaixada em Havana, Obama declarou abertamente que vai pressionar o Congresso pelo fim do embargo econômico. O governo americano acredita que há apoio suficiente na sociedade americana para o reatamento com Cuba. Pesquisas recentes apontam que 56% dos americanos em geral e 60% do residentes da Flórida e dos latinos favorecem este movimento. À minoria dissidente, mas normalmente barulhenta, Obama assegurou que a ênfase na questão dos direitos humanos continuará tão forte quanto antes, só que agora com engajamento e diálogo direto, que ele acredita serem muito mais efetivos do que o bloqueio e o isolamento.  

Efeitos práticos imediatos disso tudo: mais americanos poderão viajar para Cuba a negócios, em missões religiosas e humanitárias e com propósito cultural e educacional; e vários itens foram incluídos na lista de produtos e serviços autorizados a serem exportados para Cuba. Entre eles, equipamentos de telecomunicações, materiais de construção e máquinas e utensílios para a agricultura familiar e comércio urbanos, como barbearias e restaurantes. Além disso, aumentaram os limites de remessas de dólares para Cuba, e as instituições financeiras dos EUA vão poder abrir contas em contrapartes cubanas, assim como será liberado o uso de cartões de crédito e débito americanos em Cuba. As viagens a turismo dos cidadãos americanos sem laços com Cuba, porém, continuam proibidas por força da lei que estabeleceu o embargo, que depende de decisão do Congresso.

E nós com isso? Pois é. Lembram-se daquele porto em Cuba que o BNDES ajudou a financiar e foi objeto de críticas principalmente durante a campanha eleitoral? Pois bem, o tal Porto Mariel está a 200 km da costa da Florida, distância menor que Natal-Mossoró. Imagine como este porto vai ter negócios a partir desta abertura, gradual mas irreversível. Na época, o governo brasileiro chegou a defender o projeto dizendo que antevia uma abertura ao embargo, já muito desgastado pela história. Esse porto vai concorrer com o Porto do Panamá, um dos maiores do mundo, para navios de grande porte. O raciocínio foi justamente entrar antes para já estar lá quando caísse o embargo. Parece que acertaram em cheio. Hoje o Brasil é um dos países mais bem posicionados para se beneficiar deste novo cenário. 

Prontos para os charutos puros? 




terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Aeroporto de Natal: interpelar para não intervir.

Luzes apagadas, ar desligado, somente alguns guiches de checkin funcionando, somente um raio-x aberto, restaurantes vazios. Este foi o quadro que eu encontrei ao embarcar ontem pela manhã no Aeroporto Internacional de Natal, em São Gonçalo do Amarante. Contenção total de despesas total e evidente. 

Então a pergunta que se faz é: de onde estão tirando receita para funcionar? 
Só pode ser das tarifas aeroportuárias cobradas das companhias aéreas para utilização do aeroporto, o que impacta diretamente no preço das passagens. Talvez isso explique porque Recife é mais barato (ah! Mas tem mais movimento!) mas João Pessoa também é (chega a ser metade do preço, mas tem metade do nosso movimento!). Como se explica isso? Só pode ser pq o AEROPORTO de NATAL custa mais caro para ser utilizado! 

Como eu dizia na semana passada, há mais do que simplesmente a redução do ICMS do QAV a fazer para a coisa melhorar. 


Construído e inaugurado às pressas provavelmente para agradar a vaidade e o bolso de uns e outros, o ASGA saiu totalmente diferente do que estava no papel. Era um HUB de carga com intenção de acomodar montadoras e fábricas (que receberiam componentes de diversas origens) além de distribuidores de grande escala que fariam ali a desagregação para destinos regionais. O FOCO do aeroporto novo era este! Inclusive sem a necessidade de descontinuidade do Augusto Severo. Era um aeroporto especial, estratégico para o Brasil e para o Nordeste. Não apenas um "seis por meia dúzia" para mudar de endereço e acenar com maior movimentação de passageiros nas décadas futuras (coisa que o Augusto Severo também teria condições de suportar, com obras de porte bem menor). 



Era, portanto, um aeroporto que não tinha pressa para operar para a Copa, pois dispúnhamos nada menos do que do Aeroporto mais eficiente da Infraero, como foi apontado o Augusto Severo poucos meses antes de fechar. Tínhamos portanto tempo e interesse em desenvolver melhor o novo projeto, com a execução completa dos acessos, com a integração ou incorporação de uma ZPE ou área incentivada industrial semelhante, com integração a um sistema de auto-abastecimento de energia, até com uso de fontes renováveis, enfim, um equipamento que não ficasse apenas bonito por fora pra inglês ver; mas fosse também inteligente e funcional para o desenvolvimento do Estado do Rio Grande do Norte. 

Uma vez construído, do jeito e com a pressa que foi, o aeroporto novo não deve ser crucificado, mas clama por uma interpelação governamental estadual (em função da sua importância estratégica para o turismo e vários outros segmentos da nossa economia) e por cobranças por parte da população e de seus usuários. Me arrisco a dizer que se nada disso funcionar, este aeroporto é forte candidato a uma intervenção federal (já que é uma concessão federal - a primeira realizada inteiramente a uma empresa privada, sem a participação da Infraero sequer no consorcio!) ainda nos primeiros 3 anos de seu funcionamento! 


Então, é papel do Governo do Estado, e da bancada estadual, verificar quais as metas e obrigações desta concessão federal para cobrar o seu cumprimento integral em favor dos usuários (empresas e passageiros), dos fornecedores locais e da população em geral. Porque do jeito que vai, não vai bem não!

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

O Aeroporto está Nu!




Interditado para cargas pela ANVISA, o Aeroporto de Natal (São Gonçalo do Amarante) já passou da hora de ser questionado quanto ao seu real modelo de negócios, viabilidade e gargalos.
Passou a Copa, passaram as eleições. Agora é hora do novo governo tomar uma posição de força e liderar uma discussão ampla quanto a isso.
A verdade é que o Aeroporto está NU!
Comentário no Jornal 96 desta 3aF 02/NOV/2014.

O Aeroporto está Nu | @JPPrates no @Jornal96 | 02/NOV/2014 


quarta-feira, 3 de setembro de 2014

O papel dos estados brasileiros no desenvolvimento das fontes alternativas de energia.

O papel dos governos estaduais no setor energético brasileiro aumentou tremendamente a partir da abertura desta área, bem como do setor de petróleo, ao investimento privado – nacional e estrangeiro. Antes, estes setores eram sujeitos a um monopólio legal, tanto quanto a investir quanto a operar geração de energia.

O papel dos governos estaduais era quase nenhum, a não ser o de assistir passivamente a ordem de prioridade dos investimentos das empresas estatais, e pleiteá-los através de seus congressistas.

A partir do final dos anos 90, sem que qualquer reversão deste processo tenha ocorrido mesmo na troca de presidentes, o Brasil manteve consistentemente abertas as oportunidades para o investimento no setor energético. No modelo de leilões federais, implantado pela Administração Lula da Silva/Dilma Rousseff, esta participação cresceu substancialmente, devido à atratividade, competitividade e transparência das regras adotadas. Prova disso é a inscrição recorde de mais de 1000 empreendimentos energéticos para o próximo leilão, em novembro deste ano.

Portanto, apesar do marco regulatório de energia ainda ser majoritariamente federal, os governos estaduais têm desempenhado um papel cada vez mais relevante para a atração e manutenção do investimento energético no Brasil.
É no âmbito estadual que se deve prestar grande parte do apoio eficaz para o bom ambiente de investimentos neste setor, inclusive com ações nas áreas de logística, infraestrutura, segurança, gestão fundiária e licenciamentos devidos. O Estado também deve se integrar, em alto nível, com as entidades governamentais e setoriais nacionais, para exercer o seu papel nas conquistas importantes para esta indústria.

Um exemplo disso foi a trajetória que tive a oportunidade de liderar no meu estado, como Secretário de Estado de Energia, entre 2008 e 2010. Na época, o Rio Grande do Norte - um pequeno estado da região Nordeste com um histórico de muitos desafios sociais e econômicos - era basicamente um importador de energia localizado no ponto extremo final do sistema de linhas de transmissão nacional.

O estado não gerava nenhum MW até 2003, apesar de um enorme potencial eólico e solar, e de ser um dos grandes produtores de petróleo e gás no Brasil. A partir de 2008, passou de 50MW para mais de 1GW de potência instalada, majoritariamente eólica. Este desempenho se deu graças a um direcionamento da gestão estadual no sentido de apoiar o setor eólico, seus empreendedores, fornecedores e força de trabalho. Com ações específicas, definidas em consenso com a indústria, conseguimos imprimir agilidade, eficácia e segurança a todas as etapas de concepção, viabilização e implantação dos parques eólicos instalados no Estado. Isso assegurou mais de 10 bilhões de reais em investimento, somente em eólicas.

Hoje, apenas em energia eólica, além de ter sido o primeiro estado brasileiro a superar o primeiro GW (1.000 MW) eólico em maio passado, o Rio Grande do Norte foi atingirá 1.6GW (1.600MW) eólicos instalados até o final deste ano de 2014 consolidando a liderança nacional na geração de energia a partir dos ventos e servindo de referência para tudo o que se faz nesta área, no Brasil. Percalços como o atraso das linhas de transmissão, ocorrido entre 2011 e 2013, não deverão se repetir, e o RN já tem, assegurados por leilões federais, outros 2,3GW (2.300MW) contratados, ou seja, pelo menos outros 12 bilhões de reais em investimentos que ingressarão no Estado entre 2015 e 2017 e precisarão de apoio e atenção na fase crítica de sua execução.


Igualmente importante é a atuação dos estados brasileiros para desenvolver e consolidar outras fontes de energia renovável, a partir da excelente base já conquistada junto ao setor eólico. Tanto para esta, quanto para as demais fontes energéticas emergentes, será relevante o apoio e a participação dos governos estaduais nas iniciativas referentes a pesquisa e desenvolvimento tecnológico bem como a capacitação e reposicionamento de profissionais e empresas locais visando assegurar um efeito multiplicador positivo dos investimentos setoriais na economia local.




quarta-feira, 7 de maio de 2014

Uma passadinha por Pasadena, Texas.


Aproveitando a semana de trabalho em Houston, Texas, peguei o carro e fui até a cidade vizinha de Pasadena, o maior centro de refino de petróleo do mundo. 
Fiz uma filmagem explicando a importância deste centro nevrálgico da indústria petrolífera mundial, e passei por toda a frente quilométrica das instalações da Refinaria de Pasadena, de propriedade da Petrobras, e objeto de polêmica recente. 
Minha filmagem amadora encontra-se em FILMAGEM PASADENA JPPRATES
Também a respeito, sugiro a entrevista que teve grande repercussão nas redes sociais recentemente concedida ao canal Globo News. 

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Deu no NYTimes!

Enqto isso, "deu no New York Times": olha como o Brasil está em crise! 


895 mil brasileiros/ano em noviorque gastando em média quase 3 mil dólares cada http://t.co/VI6JyOqccA

domingo, 27 de abril de 2014

O paradoxo Somali em pleno Rio Grande do Norte


Vamos falar de novo aqui de um paradoxos mais GRAVES do desenvolvimento econômico do RN, e tratamos dele num artigo de maio deste ano, aqui no No Minuto, chamado Tubarões e vampiros: ameaças históricas aos ciclos econômicos do RN

Vejam como é GRAVE, embora muito sutil, esta entrevista do empresário Flavio Rocha na Tribuna do Norte (26/ABR/2014). O importante obviamente não está na manchete da entrevista, leve e superficial, mas na sequência que comento. 

Primeiro ele deixa claro que o tal "Pró-Sertão", que o Governo do Estado anunciou como uma idealização própria, nada mais é do que um processo de terceirização dos direitos trabalhistas e da economia de escala para unidades fabris capilarizadas de pequeno porte (chamadas "façcões").

Flavio Rocha reconhece: "É mais ou menos o que eu vi na Galícia, noroeste da Espanha (...)".  Como dissemos em post anterior, a "idéia" é da Guararapes, e não do governo. Aliás, nem da Guararapes. Ninguém idealizou isso aqui no RN. 
Simplesmente é um processo globalizado de retirar enormes populações de trabalhadores de fábricas sustentadas pelas empresas (luz, instalações, máquinas, refeitórios, responsabilidade por saúde e segurança, etc) e transferir estes encargos para pequenos "empresários" de cliente único (contratos exclusivos), apoiando seu financiamento, treinamento e operação à distância. 

Ou seja, vender isso como um programa de governo, além de ser MENTIRA, é um dos maiores #EmbustesRN reconhecidos. Ao invés disso, o certo seria ter recebido a sugestão dos empresários têxteis e trazido para o debate real com as comunidades e cidadãos em geral, expondo todas as suas vantagens mas também, honestamente, as responsabilidades assumidas quanto aos trabalhadores e quanto às empresas que as contratarão. 

Claro que não há como estar contra o incremento local da atividade econômica e a fragmentação e interiorização do setor têxtil, e claro que há um lado extremamente positivo na criação de mini e micro empresas no interior. Ninguém está aqui para negar isso, apesar deste ser logo um dos principais gritos dos que fazem coisas erradas por aqui: quem é contra é posto como "contrário aos interesses do Estado e do povo"...

Mas, por outro lado, a realidade é que estamos diante de um quase inevitável processo de desmobilização de grandes indústrias (que já são poucas, no Estado). Talvez um programa que mesclasse as duas iniciativas (manter algumas unidades fabris de grande escala e, ao mesmo tempo, terceirizar partes ou etapas do trabalho para as facções) fosse uma gestão esperada de um governo com inteligência própria. Mas este nosso, infelizmente, parece não ter isso. Engoliu o projeto do jeito que veio, não discutiu nada; não pensou, simplesmente lançou - mais um dos célebres #EmbustesRN (que vimos compilando por aqui), só para dar manchete de jornal a políticos. 

Na mesma entrevista, Flavio Rocha deixa claro o verdadeiro motivo pelo qual o Grupo Guararapes vem reduzindo substancialmente os seus investimentos industriais no Rio Grande do Norte. Aliás, não só ele como também o Grupo Coteminas, que recentemente também anunciou o fechamento de suas indústrias em São Gonçalo do Amarante e isso foi vendido pelo Governo como uma noticia positiva (sic!), enfeitada com a transformação de um terreno público em condomínio privado.

O empresário é muito sutil ao inferir que o Grupo Guararapes sai do RN para o Ceará porque aqui era achacado pelos burocratas e políticos!  Vejam se não é isso que ele diz com este eufemismo gentil: 

Tribuna do Norte - "Por que a Guararapes enxugou a fábrica do RN, em 2012, e resolveu investir no Ceará? Vocês recebiam mais incentivos fiscais lá?"

Flavio Rocha (Guararapes) - "A fábrica de Natal perdeu competitividade pelos excessos normativos. O incentivo fiscal do Ceará é praticamente o mesmo do RN. O que tínhamos no RN era um certo assédio burocrático."


"Assédio burocrático"? Isso quer dizer ACHAQUE regular mesmo! Só não entende quem não quer. 

E esse é um dos mais graves problemas do RN para atrair investidores.
TODOS sabem, nos círculos empresariais de SP e do Rio que, no RN, quando o investidor chega e começa a empreender, é IMEDIATAMENTE abordado por estes tubarões a que me referi no artigo de maio. 
Antes mesmo de iniciar qualquer construção ou contratação de empregos no Estado. Matam a galinha antes de ela sequer por os ovos!  E não sou eu quem estou dizendo! É o potiguar mais empreendedor do RN, fora dele.

Mas o pior é, no dia seguinte, ver no mesmo jornal, uma entrevista do advogado da Adidasdizendo que veio ao Rio Grande do Norte pedir proteção à marca porque o RN é local de fabricação pirata! 

Ou seja, completa-se o que eu chamo de o Paradoxo Somali (referência ao país localizado no Chifre da África que vive da pirataria cometida contra os navios que passam em frente à sua costa): achaca-se o mega-empreendedor regular ao invés de apoiá-lo, mas deixa-se que os piratas prosperem com suas atividades criminosas livremente admitidas.

Em suma, um modelo de desenvolvimento econômico exemplar que deverá ser muito interessante para o nosso futuro. 



Não é hora de mudarmos este quadro? Debatamos isso.
Página institucional Jean-Paul Prates - Facebook. 

quinta-feira, 24 de abril de 2014

O Redescobrimento do Estado Brasileiro


Na 3a feira passada, 22 de abril, o Brasil mais uma vez não comemorou o seu aniversário. E ouvi no rádio Carlos Heitor Cony e Arthur Xexéo debatendo porque o brasileiro não era tão patriota ao comemorar as datas cívicas quanto outros povos, como os franceses ou os americanos, por exemplo. 

Segundo um deles, isso viria de uma repercussão histórica ainda da ditadura militar, quando estas comemorações eram associadas ao adesismo e ao apoio ao regime, e sua rejeição era tida como ato de resistência. 

Eu acrescentaria a isso o nosso passado de "colônia de exploração", em que nem o descobrimento nem mesmo a independência foram feitas por brasileiros, e, uma vez estabelecido um Estado (entidade) ele tenha sido sempre rejeitado como amigo e parceiro, e atuado muito mais como gestor perdulário e explorador-tributador voraz do nosso trabalho e rendimentos. 

Não é à toa que o nosso Fisco é representado, pela própria Receita Federal, como um leão, e que o principal feriado cívico é o que celebra a Inconfidência Mineira (Tiradentes), que foi um movimento basicamente contra o pagamento do "quinto", que era o imposto à Coroa Portuguesa. 

O Estado Brasileiro hoje é rico. Muito rico.  Mas o brasileiro desconfia dele como parceiro e amigo. Outros o querem e usam apenas para sustentar seus negócios, empresariais e até pessoais. 

E é por isso que, num país como o Brasil que tinha e ainda tem um "hiato social" enorme, mesmo que alguns torçam o nariz para políticas sociais ou modelo econômico baseado no consumo, eu ainda prefiro ver o Estado Brasileiro devolvendo parte dos nossos impostos na forma de auxílio social e bolsas de estudo diretamente para quem precisa, do que concentrando receita tributária na mão de políticos e setores econômicos apadrinhados por preferências escusas. Tomara que pudéssemos ter ainda menos concentração de dinheiro em Brasília e mais autonomia e responsabilidade nos Estados e Municípios, por exemplo, onde a vigilância e a cobrança são mais próximas e diretas. 


Mesmo apesar de existirem erros, desvios e outros problemas, o Estado Brasileiro, como instituição, inegavelmente evoluiu - e muito. Tem muito mais transparência e instrumentos de defesa do que antes. E apesar dos percalços eleitorais e eleitoreiros, teremos uma Copa para relaxar e uma eleição para refletir profundamente se o Estado Brasileiro, como instituição, ficou mais amigo e parceiro dos brasileiros ou se continua tão indiferente e adversário quanto a Coroa Portuguesa ou os generais ditadores. 

segunda-feira, 21 de abril de 2014

O filósofo coreano e a "Sociedade do Cansaço".


Depois de um feriado longo, não fica pesado a gente fazer aqui um comentário sobre filosofia moderna. Estes dias eu vi uma entrevista no jornal espanhol EL PAIS de um filósofo coreano que vive e produz seus trabalhos em Berlin, Alemanha. 
O nome dele é Byung-Chul Han, e já é considerado um dos maiores pensadores modernos, autor de 16 obras que refletem sobre as aflições que assolam o indivíduo nos tempos atuais incluindo "A sociedade do cansaço" e "A sociedade da transparência". 
O filósofo francês Jean Baudrillard disse que o inimigo externo do homem foi o lobo, depois o rato, o mosquito e um vírus. Han diz que a diferença é que hoje o inimigo exterior do homem é a violência concorrencial individual, que leva à exaustão, à depressão e ao câncer. Ou seja, a corrida para ser o melhor, o mais competente, o mais eficiente, o mais valorizado. E nem está presente mais a questão do trabalhador alienado de Marx. Segundo Han, isso não se aplica mais porque o homem moderno é o seu próprio explorador: "o sistema obriga todo indivíduo a atuar como se fosse um empresário, um competidor do outro, com quem tem apenas uma relação de concorrência”, diz.  
O sujeito se vê livre mas, na verdade, vive uma auto-exploração voluntária até a exaustão total
Por isso, na sociedade do cansaço, todos estão cansados e deprimidos, mesmo que economicamente bem. É o caso da Coréia, de Han, por exemplo. 
Nestes dias, o econimista Armínio Fraga deu uma entrevista ao Estadão dizendo que o salário-minimo está alto demais para a produtividade dos brasileiros. 
Como consultor de bancos, ele quer pressionar para que acreditemos que somos realmente todos ineficientes e pouco produtivos, coisa que a revista The Economist, britânica, veio ratificar também em reportagem sobre o Brasil esta semana. 
Não é por acaso. É um movimento concertado. É tentar importar a "sociedade da exaustão" para o Brasil, mesmo. 
O passo seguinte é oferecer crédito a juros altos para propulsionar pretensões de aprimoramento ou crescimento profissional. 
Tudo está ligado. Filosofia e o dia-a-dia do seu cartão de crédito. 
Pense bem. 

sábado, 12 de abril de 2014

Eólicas na charge de Brum (Tribuna)


O Governo do Estado do RN, que fez uma campanha tão bacana (Crioula) na revista da Gol e outras promovendo o RN com eólicas, turismo e Copa, poderia ter passado sem esta pertinente charge de Rodrigo Brum na Tribuna do Norte deste sábado (12). 
Afinal, fazer demagogia se arvorando em ter impulsionado o setor exatamente no ano em que temos o menor número de projetos e de MW inscritos para um leilão federal e quando temos mais de dois anos de atraso na entrada em operação dos parques contratados em 2009 e 2010 é, no mínimo, um factóide de baixíssima qualidade.

O Rio Grande do Norte, apesar de todos os percalços, merece comemorar não somente este posto de liderança em geração, como também o próximo grande marco de sua história energética que já adiantamos desde janeiro, inclusive no Jornal Nacional: o primeiro GW eólico de um estado brasileiro.
Mas há que ser justo e realista, além de termos que estar atentos para não "dormir nos louros" como se tudo estivesse maravilhoso.
Não está. 
Este resultados em NADA têm a ver com a atual gestão estadual, exceto no resgate tardio da cobrança junto ao governo federal e à CHESF quanto às linhas já quando estavam em grande atraso, a partir de 2013. 
Ao contrário: ocorrem APESAR de várias falhas e desatenções. Senão vejamos: 
  • As linhas de transmissão atrasaram, entre outros motivos (principalmente a falta de dedicação da CHESF a elas no tempo certo), pela total inação do Estado em acompanhar e cobrar sua execução no período 2011-2012. 
  • Há duas semanas atrás, véspera de inscrição de projetos novos para o leilão deste ano, o IDEMA não tinha recursos para pagar a conta da internet e vários empreendedores ficaram com todos os despachos eletronicos e pareceres bloqueados
  • Assaltos em dia de pagamento nas obras dos parques e sabotagem/roubo de equipamentos de medição são comuns no interior do Estado, e 
  • confusão fundiária já causa conflitos de sombreamento e imprecisão geográfica para os novos empreendimentos. 
Nossa liderança nacional em eólicas é, sim, digna de destaque e celebração, mas o governo se apropriar demagogicamente desta conquista para tentar amenizar o caos nas áreas em que deveria atuar plenamente é embuste!


Até porque, quem conhece o setor sabe que estes MW que entram em operação agora são dos contratos assinados em 2009 e 2010! E sua entrada em operação está é atrasada, em um ano ou dois (a depender do parque).

terça-feira, 8 de abril de 2014

A Petrobras na berlinda eleitoral


Mais do que nunca antes, a Petrobras está na berlinda do jogo eleitoral. Não se trata bem de uma estréia, pois os debates sobre a alegada intenção de privatizá-la atormentaram campanhas presidenciais desde Getúlio até os recentes embates de Serra e Alckmin versus Lula e Dilma.

Desta vez, põem-se à discussão pública atos gerenciais de fundamentação duvidosa (a compra da refinaria norte-americana de Pasadena) somada à investigação de tráfico de influência, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo um de seus diretores, atualmente preso.

Ressalve-se de ante-mão que seria absurdo de minha parte defender que não se apurem crimes, falcatruas e picaretagens, e não se punam culpados investigados, defendidos e julgados - como cabe em qualquer democracia civilizada.

Mas também é patente que o objetivo político é atingir a fama de gestora rígida e competente da Presidente Dilma Rousseff e também de sua executiva-chefe na empresa, Graça Foster.

Pois bem, torço vibrantemente para que os que apostam em fraqueza e covardia da parte delas se surpreendam. E dependendo de quem sejam, poderão até se dar bem mal com as medidas e esclarecimentos relativas a todos estes fatos.

Diferentemente de outros órgãos públicos em que comissionados e funcionários "passam" um mandato ou outro,a Petrobras é bem diferente: é um corpo com vida própria, e que sabe se defender. Além disso, individualmente, quem tem a carreira em jogo numa empresa como a Petrobras não permite ser enxovalhado por político ou mídia marrom: Graça Foster e a maioria das "pratas da casa" na Petrobras são desta cepa.

Ilegalidades sujeitas à devida apuração e punição exemplar à parte, é completamente equivocado, oportunista e até uma atitude de má fé afirmar-se que a empresa está "quebrada" ou que foi o PT quem "afundou a Petrobras". Há que ser justo e reconhecer que a empresa cresceu como nunca nos últimos 10 anos (cf. figura).

Oscilações e percalços são ossos do ofício para uma empresa mista que tem que se equilibrar entre os interesses do Estado brasileiro e os do mercado de ações. O tradicional dilema entre preços internacionais para os combustíveis no Brasil versus controle inflacionário não é invenção "lulista". O Brasil NUNCA teve preços de combustíveis integralmente livres. Todo e qualquer governo, de todo e qualquer partido, terá que enfrentar algum tipo de antipatia em relação a este dilema: só tem que escolher entre a população do Brasil inteiro (inclusive as demais cadeias produtivas afetadas pelos fretes rodoviários) e o restrito grupo de acionistas da Petrobras.

É ou não um equilíbrio difícil? Se fosse você, o que faria?

Pensando assim, até que o Governo Federal tem se saído bem nesta corda bamba: o valor da empresa pode ocasionalmente oscilar, por esta e outras causas contextuais, mas é inegável o quanto a Petrobras cresceu e a diferença do que representa sua ordem de grandeza hoje comparada com a da década de 90.

Por outro lado, muitos investidores - desde pessoas físicas nacionais até fundos e conglomerados estrangeiros - sempre compraram (e ainda compram) ações da Petrobras justamente por ela ser estatal. Além de saberem que se trata de uma empresa especial pelo corpo técnico e gerencial que possui, pelas facilidades logísticas e operacionais dominantes em território brasileiro, pela eficiência ao lidar com as idiossincrasias e trâmites nacionais, eles querem ser sócios do Governo Brasileiro pela segurança que isso representa; mesmo conscientes de que houve, há e sempre haverá algum grau de ingerência política e social na sua atuação empresarial.

Sabem que "ser Petrobras" tem um bônus e também um ônus (sobre isso, leiam também artigo que escrevi em agosto de 2012 a respeito)

O indigitado "aparelhamento" só não pode premiar incompetentes ou aproveitadores (neste caso, é má gestão). Mas grupos políticos normalmente, em qualquer país, quando ganham eleições legítimas, buscam indicar pessoas de suas hostes e com identidade de pensamento sobre as diretrizes a serem tomadas. Então quando PSDB/DEM indicavam toda a diretoria e a maioria dos cargos na sede da Petrobras não era aparelhamento? Quem trabalhou há mais de 10 anos lá sabe como funcionava.

O partido que, por razões programáticas ou ideológicas, não quiser mais que a Petrobras seja "empresa mista", terá que vencer as eleições prometendo claramente privatizá-la (tem muitos querendo comprar) e terá que ter firmeza e apoio para executar isso. Mas enquanto a Petrobras for de acionistas e do governo brasileiro, continuará sujeita a ingerências políticas, goste-se ou não.

Incompetentes, oportunistas e corruptos devem ser investigados, julgados e punidos. Mas afinidades políticas nas nomeações sempre existirão, qualquer que seja o partido no poder. Não sejamos hipócritas nem nefelibatas.

Finalmente, como brasileiros, ao acompanhar a atuação da empresa, temos que nos colocar sob três pontos de observação: consumidor, eleitor e acionista. Apesar de parecer ser fácil separar os três, não é. Se fossemos vistos pela Petrobras apenas como acionistas, nos veriam apenas insensíveis buscadores de lucro a todo e qualquer preço, sem preocupação com gerar emprego e renda no País e multiplicar os efeitos disso pela cadeia produtiva da nossa indústria do petróleo - tão promissora. Se, para a Petrobras, fossemos apenas eleitores, seríamos tratados por outra PDVSA, socialmente engajada, mas politica e financeiramente comprometida, demagógica e populista. Se apenas consumidores, seríamos tratados apenas como um oceano de mercado a ser conquistado e mantido a qualquer preço e seríamos explorados por um monopólio insaciável e sem controle.

A virtude, no caso da situação específica e quase única da Petrobras, está no equilíbrio entre os três status - igualmente relevantes para todos nós, brasileiros. E nós cobramos dela nas três formas. Afinal, somos as três coisas também - querendo e gostando ou não.


P.S.: Sem fugir às suas próprias culpas, o partido governista sujeitou-se a punições inéditas no Brasil e continuará sujeito a outras, se julgado culpado. Em compensação, há partidos por aí que navegam na "base aliada" fazendo mil exigências em nome de uma tal "governabilidade" (para mim, nada mais do que um eufemismo para chantagem política), impõem a nomeação de um monte de nefastos, embolam com todo mundo, e na hora de enfrentar as consequência saem de fininho migrando para outras chapas. Estes partidos é que são o verdadeiro câncer da Nova República brasileira.


P.S. (2): Enquanto isso, esta semana a Petrobras informou sobre a conquista de recordes em diversas áreas da companhia em função do aumento da produtividade de seu quadro de empregados.

Os recordes obtidos foram registrados na produção do Pré-Sal, no processamento das refinarias, na entrega de gás natural e na produção de fertilizantes.


Recorde de Produção no Pré-Sal

A produção média mensal de petróleo operada pela companhia na camada Pré-Sal atingiu, em março, a marca de 387 mil barris de petróleo por dia, constituindo um novo recorde de produção mensal.

Para obtenção desta marca cabe destacar a entrada em produção, no dia 3 de abril, do poço 7-SPH-04-SPS, em local onde a profundidade da água é de 2.120 metros, no campo de Sapinhoá, no Polo Pré-Sal da Bacia de Santos. Esse poço, que tem potencial de produção de 26 mil barris de petróleo por dia, está conectado à plataforma de produção de 120 mil barris por dia de capacidade, o FPSO Cidade de São Paulo.

A conexão do fundo do mar até essa plataforma se dá por meio de um sistema de tubulações verticais rígidas e flexíveis, suportadas por uma boia, pioneiro no mundo, denominado BSR - Boia de Sustentação de Risers.

Interligado ao FPSO Cidade de São Paulo, através do mesmo sistema BSR, está o poço SPS-77A, produzindo 36 mil barris por dia de petróleo desde o dia 18 de fevereiro de 2014, constituindo-se no poço de maior produção atualmente no Brasil.

Neste momento, outros três sistemas BSR estão sendo instalados. Um deles no próprio FPSO Cidade de São Paulo. Os outros dois no Campo de Lula, no FPSO Cidade de Paraty, também com capacidade para processar até 120 mil barris de petróleo por dia. Ao longo deste ano, outros 7 poços de potencial de produção estarão interligados a estes dois FPSOs e produzindo.


Recorde de refino

Também no mês de março, a Petrobras atingiu novo recorde mensal de processamento de petróleo nas suas refinarias. A carga média processada foi de 2.151 mil barris de petróleo por dia, representando um volume de 12 mil barris, superior ao recorde mensal anterior de 2.139 mil obtido em julho de 2013.

Ainda em março, a Petrobras atingiu em suas refinarias recorde na produção de diesel e gasolina com baixo teor de enxofre. Foram produzidos 4 milhões de barris de diesel S-10 [concentração de 10 partes por milhão (ppm) de enxofre>, 20 milhões de barris de diesel S-500 (500 ppm de enxofre) e 14,8 milhões de barris de gasolina S-50 (50 ppm de enxofre).


Recorde de entrega de gás natural

A Petrobras ultrapassou, pela primeira vez, a barreira dos 100 milhões de metros cúbicos por dia de gás natural entregues ao mercado consumidor. No dia 26 de março, a empresa disponibilizou um total de 101,1 milhões de m³ do energético, volume recorde registrado até então.

Destes, 45,1 milhões de m³ foram destinados ao mercado termelétrico e 42,5 milhões de m³ ao mercado não termelétrico, do qual fazem parte indústrias, residências, veículos, sistemas de cogeração e outros. O restante - 13,5 milhões de m³ - foi entregue às unidades da Petrobras.

Em março deste ano a geração de energia elétrica nas usinas termelétricas da Petrobras foi de 5.000 MW. Considerando as usinas para as quais a Petrobras fornece gás natural, a geração chegou a 7.613 MW, representando cerca de 12% da demanda de energia elétrica do SIN - Sistema Interligado Nacional.


Recorde de Produção de Fertilizantes

A fábrica de fertilizantes da Bahia atingiu no último dia 31 de março a produção de 34.715 toneladas de ureia. Um recorde de produção mensal da série histórica da fábrica para o mês de março. Atingiu também a expressiva marca de 104.233 toneladas acumuladas no primeiro trimestre do ano.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Cursos de eólica: confiabilidade e reputação fazem a diferença.


Bom Dia, amigos!

Meu comentário de hoje no Jornal 96 alertou para os cuidados que se deve ter ao escolher "cursos de eólica" no RN, e tb fala rapidamente sobre o fim da perfuração do primeiro poço de petróleo em águas profundas do RN, um marco para a revitalização deste setor no Estado.

Ouça aqui o AUDIO do comentário completo no Jornal 96

Como acontecia até recentemente com o petróleo, agora a proliferam “cursos profissionalizantes em energia eólica” sendo oferecidos no RN - alguns bons, outros sem qualquer condição mínima de credibilidade.

Quer se qualificar para o setor eólico? Então procure entidades sérias e conhecidas como o CTGasER, o SENAI, o IFRN ou as universidades UFRN, UnP e outras renomadas. Mas cuidado com armadilhas!

Quanto aos cursos relâmpago anunciados na TV ou na rua, basta uma busca rápida pelo CNPJ da empresa para ver se é oportunismo barato ou não.

Além disso, procure conhecer o programa, a ementa das matérias e principalmente o nome dos instrutores e o valor que o diploma terá.

Não adianta fazer "curso de eólica" se depois as empresas não levarão em conta este certificado por total falta de reputação ou confiabilidade.

Não se sacrifique para pagar picaretas! Se vai fazer esforço para se reposicionar no mercado ou para se atualizar ou reciclar, analise muito bem a instituição em que confiar.

Seu dinheiro e seu trabalho agradecem.

segunda-feira, 10 de março de 2014

O maniqueísmo na política

É tempo de definições importantes na vida política nacional e local: a das candidaturas, chapas, apoios. Talvez seja um momento tão ou mais importante que a própria eleição em si. Quantas vezes não nos pegamos reclamando das opções eleitorais disponíveis, pregando voto nulo, votando no "menos pior" e por aí vai? Pois bem, é a partir deste mês que se definem estas opções. 
E é aí também que proliferam os boatos, as teses e estratégias mirabolantes, as notinhas plantadas, os blogs e colunistas remunerados, enfim todos os recursos possíveis para minar ou propulsionar candidatos internamente a seus grupos de apoio. Portanto, é hora de se ter muito cuidado com o que se ouve e com o que se lê. Hoje, com a profusão de canais, blogs e redes sociais, é comum se ler algo e sequer notar de onde aquela informação saiu. No entanto, às vezes, notar a fonte é mais importante do que o fato noticiado, em si. 
Mas o pior de tudo está numa coisa tremendamente daninha que presta grande serviço aos mais espertos: o maniqueísmo. A palavra é meio estranha, mas, explicando de forma muito simples, consiste no processo de transformar qualquer questão em uma dualidade perfeita entre o Bem e o Mal, antagônicos, irredutiveis e completamente perfeitos: tudo de bom ou tudo de mau. Como exemplos, temos a Cinderela e a madrasta má do conto infantil, ou o lobo e a ovelha da fábula.  
A política é um campo fértil para o germinar do maniqueísmo. Afinal, vendo a vida e o mundo por um único prisma, temos profunda dificuldade em reconhecer as virtudes do Outro, ou a existência de uma zona cinzenta onde a razão e a verdade se diluem através das contribuições de ambos os lados. 
Por tudo isso, o raciocínio maniqueísta – enraizado na maioria das cabeças – é , para muitos espertos, um instrumento de manipulação de pessoas incapazes de distinguir, entre todas as cores e seus variações, algo além do preto e do branco. Como consumidor e cidadão, o brasileiro já dá sinais de não ser mais assim. Note que até nas novelas da Globo, os mocinhos não são mais tão mocinhos e alguns vilões bem unânimes encontram alguma compreensão por parte do público por revelarem motivos ou fatos determinantes de suas atitudes. 
A hora da definição dos candidatos é a hora de não ser maniqueísta, e de se entender as entre-linhas de cada aliança, cada discurso, cada recado. Todos têm algo de bom e algo de mal em si. Ninguém é totalmente bom e totalmente mau. 
Cabe-nos analisar a melhor configuração geral de toda esta imperfeição. É a política do "menos pior"? Não. Apenas a busca da melhor configuração entre defeitos e virtudes. No jargão comercial, a relação "custo-benefício" de cada candidato a nos representar. 

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Eólicas no Rio Grande do Norte atingirão 1,5GW este ano.



1. Esta semana começará a ser energizada a linha de transmissão ICG João Câmara II (230KV), que conectará os parques eólicos da região do Mato Grande à região metropolitana de Natal na subestação SE Extremoz II, e daí ao sistema elétrico nacional.  

2. Neste momento, o RN tem uma capacidade TOTAL instalada de 930 MW, sendo 505,91 MW de fonte térmica (322,96 MW da Termoaçu, a gás; 57 MW a biomassa e 125,95 MW, emergenciais a diesel) e os restantes 423,15 MW de 14 parques eólicos já em operação. 

4. A linha que começa a operar esta semana permitirá o início de operação de 24 novos parques eólicos da região do Mato Grande, num total 538 MW gerados a partir de 315 aerogeradores instalados nos municípios de Parazinho, João Câmara, Pedra Grande e São Miguel do Gostoso. 

5. Além dos parques do Mato Grande, também entrarão em operação, durante este semestre, 5 parques eólicos localizados na região do litoral norte, 237,44 MW gerados a partir de 136 aerogeradores instalados nos municípios de Macau, Galinhos e Areia Branca. 

6. Ainda durante o primeiro semestre deste ano, em virtude da entrada dos novos parques, o RN deverá alcançar o marco simbólico de 1GW (1.000 MW) de capacidade eólica instalada. Será a primeira vez que um estado brasileiro ultrapassa este recorde, que o Brasil, como país, alcançou em maio de 2011. 

7. Durante o segundo semestre, outras duas linhas de transmissão deverão ser acrescentadas ao sistema: a ICG João Câmara III (138/500kv) e a ICG Lagoa Nova (34,5/69KV). Elas deverão ficar prontas em julho, e viabilizarão o escoamento da energia de mais 10 parques: 5 na região do Mato Grande e 5 na Serra de Santana. 

8. Em resumo, ao longo do ano de 2014, o RN ganhará 39 novos parques eólicos, somando uma potência instalada total de 1.105,44 MW (626 aerogeradores). 

9. Portanto, somando os parques já em operação com os que deverão entrar até o final do ano, o Rio Grande do Norte alcançará um total de 53 parques eólicos em operação, totalizando 1.528,59 MW de capacidade instalada através de 899 aerogeradores instalados em 10 municípios.  

10. Até 2003, o Rio Grande do Norte produzia ZERO MW de energia. Em 2010, o estado atingiu a capacidade instalada necessária para abastecer seu próprio consumo, contando com eólicas e térmicas a gás e a biomassa (700MW). 

11. Hoje, para abastecer o seu consumo atual, é necessária uma potência instalada de cerca de 850MW. Com mais de 1,5GW eólicos estimados para este ano, pode-se dizer que o Estado atingirá a capacidade de gerar seu próprio consumo apenas com a energia dos ventos. [Ressalve-se que este é um cálculo médio, simbólico, e apenas volumétrico; e não quer dizer que o estado passe a não realizar mais trocas de energia gerada em Paulo Afonso ou outros pontos do País, por motivos técnico-econômicos.] 

12. Com 1,5 GW instalado em 2014, o Rio Grande do Norte se equipara à capacidade eólica instalada em países como Áustria ou a Bélgica. E supera países como Noruega, Finlândia, Coréia do Sul, Bulgária, Chile e Argentina (tomando dados do ranking mundial 2013 da GWEC Global Wind Energy Council e da European Wind Energy Association).

13. Com 1,5 GW instalado em 2014, o Rio Grande do Norte ultrapassa toda os países da América do Sul reunidos (tirando o Brasil), em potência eólica instalada. 

Fonte: CERNE - Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia, 21/FEV/2014. 


Jean-Paul Prates Diretor-Geral
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CERNE Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia
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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

RN atingirá 1GW de eólicas e exportará energia limpa

Com a ativação das linhas de transmissão este mês, o Estado ultrapassará 1GW, chegando à liderança em geração de energia eólica no país e passando a ser exportador de energia limpa.
07.02.2014, Fonte: CERNE Press
NATAL/RN, 07-FEV-2014 -  Com um atraso de quase dois anos, as linhas de transmissão dos parques eólicos do Mato Grande deverão finalmente ser energizadas ao longo do mês de fevereiro. Com isso, segundo o Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), o RN deverá atingir a liderança em energia eólica gerada no Brasil, com 1.163,39 MW de potência instalada, a partir de parques conquistados nos leilões federais de 2009, 2010 e 2011. 
SERÁ O PRIMEIRO ESTADO A ULTRAPASSAR 1 GIGAWATT de produção de energia eólica entre todos do Brasil. 
Para o presidente do CERNE e do Sindicato das Empresas de Energia do RN (SEERN), Jean-Paul Prates, este é o resultado de um planejamento energético e de metas estabelecidas há 6 anos atrás e demonstra, apesar dos recentes percalços, que o imenso potencial do RN precisa de gestão local para se desenvolver: "Em 2008, dissemos que o RN tinha um pré-sal de potencial eólico não aproveitado. O Estado fez o dever de casa e conquistou o primeiro lugar em parques contratados nos leilões federais por 3 anos consecutivos. Agora, estes parques estão prontos e, apesar do atraso recente, a linha também. Com isso, conforme planejado lá atrás, assumimos a liderança em geração eólica efetiva e nos tornamos exportadores de energia de fonte renovável", explica o especialista. 
Desde o início de 2014, o RN contabilizava 14 parques eólicos (273 geradores) em operação, com 423,15 MW de produção. O aumento nos números é resultado da conexão, ao sistema elétrico nacional, de 27 novos parques, que começa a acontecer no início de fevereiro. Juntos, os novos parques totalizam 740,24 MW de energia gerada por 427 turbinas. Somando tudo, chegamos a 41 usinas eólicas e 1.163,39 MW provenientes de 700 turbinas eólicas. Valor que supera a produção de energia eólica de vários países.
E as boas notícias continuam: de acordo com o diretor de energia eólica do CERNE, Milton Pinto, o crescimento prossegue para o Rio Grande do Norte no segundo semestre de 2014, com 12 novos parques eólicos (quase 200 turbinas no total) sendo ativados e gerando energia de até 356,2 MW, alcançando assim uma produção de até 1.528,59 MW - mais de 1,5 GW de energia vinda somente de fontes eólicas. 
"Com estes resultados, o RN supera com folga o atual líder no ranking eólico nacional, o Ceará, que atualmente possui 29 parques eólicos em operação (691,04 MW sendo produzidos) e 14 parques em construção (359,10 MW), podendo alcançar no primeiro semestre de 2014 cerca de 841 MW de geração eólica", informa o analista. A Bahia segue na terceira posição, com 8 parques eólicos em operação, produzindo 233,19 MW e 16 em construção (353,8 MW). 
A previsão é de que o estado baiano chegue no primeiro semestre de 2014, a cerca de 633 MW de produção eólica. O Rio Grande do Sul aparece em seguida, com 17 parques em operação, produzindo 489 MW e ainda 17 em construção (412,6 MW).
Jean-Paul Prates lembra que o RN alcançou a autosuficiência energética em 2010 incluindo as usinas térmicas. "Segundo nosso plano elaborado em 2008, o RN atingiria a capacidade de gerar seu próprio consumo em 2010, o que aconteceu. Em seguida, ocorreria outro degrau da sua auto-suficiência energética, agora apenas a partir de fontes renováveis, programado para 2013. 
Com o atraso na linha de transmissão, isso acontecerá finalmente agora, em 2014. De qualquer forma, foi como dizíamos à época, durante a gestão na Secretaria de Energia do Estado, antes da Copa", comemora Prates. 
NOVO RANKING MUNDIAL – Foi lançado nesta 4a feira (05/FEV)), o relatório do GWEC (Global Wind Energy Council) mostra os números da energia eólica no planeta em 2013: ao fim deste ano foi alcançado o valor de 318,137 GW de potencia instalada.No fim de 2012 tínhamos 283,048 GW. 35,467 GW foram adicionados em 2012, o que representa um aumento de 12,39%. 
O Brasil é o 13º no ranking global de geração de energia eólica, com 3,456 GW, sendo o sétimo país que mais elevou a capacidade de geração de energia eólica no planeta em 2013.No ano anterior 2012, havíamos alcançado 2,508 GW.China, EUA e Alemanha continuam a liderar.O maior crescimento no período se deu com a China, que partiu de 75,324 GW em 2012 para 91,424 GW em 2013, um aumento de 21,37%.Foram 948 MW provenientes de um ano que bateu recordes de contratação da fonte eólica no Brasil.

A tabela abaixo mostra os 20 países com maior potência eólica instalada.

POSIÇÃO    PAÍS        POTÊNCIA (GW)

1                China         91,424
2      Estados Unidos      61,091
3             Alemanha        34,250
4             Espanha              22,959
5               India                  20,150
6      Reino Unido              10,531
7               Itália                   8,552
8              França                 8,254
9             Canadá                7,803
10      Dinamarca              4,772

Total – Top 10  =       269,785
Total Mundo    =         318,137

11      Portugal                4,724
12          Suécia                 4,470
13          Brasil                   3,456
14      Polônia                 3,390
15      Austrália               3,239
16      Turquia                 2,959
17      Holanda                2,693
18      Japão                2,661
19      Romênia             2,600
20      Irlanda                2,037
Fonte: GWEC – Global Wind Statistics 2013

domingo, 26 de janeiro de 2014

Arena das Dunas, de todos.




Hoje é dia de festa e celebração!

Independentemente das mazelas e inconseqüências das quais não podemos esquecer em nenhum momento, é inegável que ser sede da Copa do Mundo 2014 trará algum legado positivo para Natal.

Mesmo que seja apenas para seu futebol, clubes e o entorno da Arena, já será positivo. 

Podíamos ter conquistado mais? Talvez. Mas o certo é que um grande ativo urbanístico, turístico e esportivo foi construído sem turbar a vida da cidade e utilizando conceitos sustentáveis.

Hoje é o verdadeiro dia de inauguração da Arena das Dunas! Dia de saudar com a festa do futebol a chegada da maior competição esportiva do mundo à nossa querida capital potiguar.

Uma conquista, não de uma ou duas personagens, mas de muitas forças (políticas, institucionais, técnicas, financeiras e operacionais) e a diversos tempos. Uma obra verdadeiramente DE TODOS!

Eu posso dizer que, entre 2008 e 2010, participei efetiva e decisivamente deste marco. E o defendo como positivo. E estarei vigilante, para que não se torne nunca um ônus ao invés de bônus para o RN. Apesar de reconhecer os desafios que se interpuseram ao longo do processo.

Viva a Arena das Dunas de Natal!

Já busquei minha credencial e agradeço aos responsáveis. Pela lista, Jerôme vai estar na área também...



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