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quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Mato Grande: abalos sísmicos como realidade de uma região.


Temos ouvido com atenção as notícias sobre a série de abalos sísmicos que vêm ocorrendo na região do Mato Grande desde o último dia 24 de outubro com magnitude de 2 a 3.5 graus na escala Richter, aquela que mede a intensidade dos terremotos.  
O fato foi notícia até no Jornal Nacional, que mostrou os moradores de Pedra Preta dormindo fora das suas casas há 5 dias atrás.  O maior tremor de terra da sequência ocorreu às 13h38 da terça-feira passada (horário local), mediu 3.5 e fez moradores ficarem nas ruas com medo dos imóveis caírem. Algumas lojas do centro da cidade fecharam e escolas suspenderam as aulas, liberando os alunos para ficar em casa. 
Estes fatos têm levado algumas instituições a tomarem providências imediatas a respeito: no último dia 30, oLabSis (Laboratório de Sismologia) da UFRN instalou uma estação sismológica no povoado de Cabeço Preto para medir os eventos mais perto do epicentro (antes estavam sendo monitorados a partir de estações situadas em Riachuelo e João Câmara). Também foi colocado um ponto de internet para que a estação fique gerando informações em tempo real para o laboratório.
Segundo os relatórios do LabSis, desde que foi iniciado o monitoramento dos tremores de terra em Pedra Preta, no último dia 24, foram registrados mais de 500 eventos sismológicos, dentre abalos percebidos pela população de Pedra Preta até Natal, que fica a 100km em linha reta do epicentro. As atividades sísmicas na falha geológica de Samambaia (a maior falha tectônica do Brasil, com 38 km de extensão) já fizeram o município de João Câmara registrar um terremoto de magnitude de 5,1 na escala Richter, no dia 30 de novembro de 1986. Na época, mais de 3 mil casas e imóveis foram destruídos.
CERNE, que eu dirijo e é formado pelas empresas de energia eólica e outras dos setores produtivos relacionados a recursos naturais e energia atuantes no RN, também vai produzir uma análise sobre os impactos e efeitos físicos, psicológicos e sociais dos abalos na região, uma vez que ali está localizado o maior conjunto de parques eólicos do País. Vamos trabalhar em conjunto com o Centro de Estudos e Pesquisas de Desastres do RN (CEPED), também da UFRN, coordenado pelo Prof. Pitágoras Bindé com quem já nos reunimos esta semana juntamente com a presidente da Abeeólica, Elbia Melo, em Natal. 
Algumas medidas concretas já surgiram:  a Prefeitura de Pedra Preta já está elaborando um plano emergencial para orientar a população como lidar com a situação. Também está sendo criada a Comdec (Coordenadoria Municipal de Defesa Civil) para que equipes possam estar treinadas a agir diante de possíveis eventos ocasionados por tremores de terra.
É isso aí, vamos acompanhar e registrar estas atividades ao longo dos próximos meses. Mas é muito importante convivermos com esta realidade, sem escondê-la e sem minimizar seus potenciais efeitos. 

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