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Opinião e realizações

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Dois pesos e duas medidas: os abusos locais que deterioram o turismo e afrontam as posturas ambientais



Eu tive o grande prazer de estar neste fim de semana no Litoral Norte, mais especificamente em Caiçara do Norte, Pedra Grande e S Miguel do Gostoso onde, na Praia do Maceió, foi realizada a MOSTRA de CINEMA de GOSTOSO.
Estão de parabéns, em 1o lugar, o idealizador e realizador da Mostra, o cineasta Eugenio Puppo que conheceu a cidade por indicação do jornalista Emanuel Neri, que lá vive hoje. E os patrocinadores: a COSERN, o Governo do Estado (através do incentivo da Lei Camara Cascudo) - e também outras empresas dentre as quais destaco as do setor energético como a ALE e a SERVENG que está construindo ali o que poderá vir a ser o maior parque eólico do Brasil.
Eu fui também ver este parque, e visitar uns amigos em Pedra Grande com quem estamos juntando forças para recuperar a história local principalmente relacionada ao marco colonial de Touros, cuja réplica fica lá na Praia do Marco e o original foi transferido para a Fortaleza dos Reis Magos, em Natal. Eu vou contar em outra oportunidade a história fantástica deste marco e o que está sendo feito lá pelo setor eólico. 
O que me decepcionou foi encontrar em TODA extensão da praia uma verdadeira farra de motocicletas altamente ruidosas e conduzidas de forma absolutamente irresponsável com grande displiscência e imprudência - algumas por menores de idade, transitando em alta velocidade e impedindo totalmente o uso turístico, pesqueiro ou recreativo da área. Eu registrei estas cenas absurdas e coloquei aqui no final deste artigo. 
Este tipo de ocorrência é fruto de uma visão totalmente míope dos nossos políticos e governantes que acham que o voto dos locais enseja qualquer tipo de permissividade. No dia-a-dia, pode tudo na praia: paredão de som, racha de moto, bugues lotados, automóveis em alta velocidade, lixo plástico por toda parte voando... Isso não parece afetar tartaruga, peixe, gado, cultura local, atividades artesanais... Mas na hora de licenciar um parque eólico ou empreendimento turístico, as restrições e recomendações são de toda sorte. Fica ridículo, acintoso mesmo, um empreendedor passar por milhares de restrições, pagar mil e uma compensações ambientais, programas de monitoramento etc. sem que tenha qualquer contrapartida do poder público quanto a coibir as mais corriqueiras (e sempre muito mais danosas, dada sua regularidade) práticas abusivas por parte dos próprios locais. No caso do turismo ou segunda residência, o investimento é jogado no lixo! Quem quer ir descansar ou ir morar num local sem segurança, sem infra-estrutura e ainda sem sossego? 
É bom que se saliente: este pessoal mais "descontraído", que às vezes sai do limite bem como aqueles que por ignorância são egoístas ou intolerantes com a paz alheia são uma MINORIA nas comunidades locais. Só que a maioria de gente do bem nem sempre tem o "poder de fogo e zuada" da minoria que só pensa em si. E os caça-votos normalmente gostam de se aproximar mais dos barulhentos e medíocres que são os mais fáceis de cooptar em época de eleição.  
É preciso dar condições às maiorias pacíficas das comunidades, que já percebem os efeitos dos investimentos em energia e turismo na região, e de iniciativas bacanas como a mostra de cinema - que atraem gente de fora com poder aquisitivo e interesse na cultura e no meio ambiente local, e não na exploração pura e simples das praias que degrada e deixa apenas o bagaço como em várias no RN. 
Para isso, é preciso ação que venha de cima. O dono de uma pousada não pode fazer justiça com as próprias mãos. Por vezes tem até medo de denunciar, pois não tem garantia de segurança sequer para continuar ali depois disso. 
A infra-estrutura de acesso também, se existir adequada, pode dispensar o trânsito pela praia, como proibiu recentemente o CE em TODA extensão da sua costa. 
Enfim, é muito assunto para 3 minutos, e continuamos na próxima.
Video 1 - Farra das motocicletas 1 - Pedra Grande/RN

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