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SustentHabilidade

Opinião e realizações

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Vídeos do Simpósio "Futuro & Patrimônio"



Caros amigos.

O CERNE realizou em setembro o primeiro encontro entre o "mundo" do Patrimônio Histórico e da Preservação Cultural e o "mundo" das obras de infra-estrutura e energia.

Com convidados dos dois segmentos, o I Simpósio "Futuro & Patrimônio" propiciou discussão objetiva sobre a interação entre eles (licenciamentos, requerimentos e compensações), e exposições excepcionais sobre resgates de sítios arqueológicos e projetos de preservação cultural q foram patrocinados e propiciados pelas obras do setor de energia.

Espero que gostem dos registros, que ficam para discussões futuras. Durante as projeções, o vídeo é acompanhado da exibição dos slides projetados.

F&P Cerimônia de Abertura  e demais videos no mesmo Canal YouTube Futuro & Patrimonio 2013.


Dois pesos e duas medidas: os abusos locais que deterioram o turismo e afrontam as posturas ambientais



Eu tive o grande prazer de estar neste fim de semana no Litoral Norte, mais especificamente em Caiçara do Norte, Pedra Grande e S Miguel do Gostoso onde, na Praia do Maceió, foi realizada a MOSTRA de CINEMA de GOSTOSO.
Estão de parabéns, em 1o lugar, o idealizador e realizador da Mostra, o cineasta Eugenio Puppo que conheceu a cidade por indicação do jornalista Emanuel Neri, que lá vive hoje. E os patrocinadores: a COSERN, o Governo do Estado (através do incentivo da Lei Camara Cascudo) - e também outras empresas dentre as quais destaco as do setor energético como a ALE e a SERVENG que está construindo ali o que poderá vir a ser o maior parque eólico do Brasil.
Eu fui também ver este parque, e visitar uns amigos em Pedra Grande com quem estamos juntando forças para recuperar a história local principalmente relacionada ao marco colonial de Touros, cuja réplica fica lá na Praia do Marco e o original foi transferido para a Fortaleza dos Reis Magos, em Natal. Eu vou contar em outra oportunidade a história fantástica deste marco e o que está sendo feito lá pelo setor eólico. 
O que me decepcionou foi encontrar em TODA extensão da praia uma verdadeira farra de motocicletas altamente ruidosas e conduzidas de forma absolutamente irresponsável com grande displiscência e imprudência - algumas por menores de idade, transitando em alta velocidade e impedindo totalmente o uso turístico, pesqueiro ou recreativo da área. Eu registrei estas cenas absurdas e coloquei aqui no final deste artigo. 
Este tipo de ocorrência é fruto de uma visão totalmente míope dos nossos políticos e governantes que acham que o voto dos locais enseja qualquer tipo de permissividade. No dia-a-dia, pode tudo na praia: paredão de som, racha de moto, bugues lotados, automóveis em alta velocidade, lixo plástico por toda parte voando... Isso não parece afetar tartaruga, peixe, gado, cultura local, atividades artesanais... Mas na hora de licenciar um parque eólico ou empreendimento turístico, as restrições e recomendações são de toda sorte. Fica ridículo, acintoso mesmo, um empreendedor passar por milhares de restrições, pagar mil e uma compensações ambientais, programas de monitoramento etc. sem que tenha qualquer contrapartida do poder público quanto a coibir as mais corriqueiras (e sempre muito mais danosas, dada sua regularidade) práticas abusivas por parte dos próprios locais. No caso do turismo ou segunda residência, o investimento é jogado no lixo! Quem quer ir descansar ou ir morar num local sem segurança, sem infra-estrutura e ainda sem sossego? 
É bom que se saliente: este pessoal mais "descontraído", que às vezes sai do limite bem como aqueles que por ignorância são egoístas ou intolerantes com a paz alheia são uma MINORIA nas comunidades locais. Só que a maioria de gente do bem nem sempre tem o "poder de fogo e zuada" da minoria que só pensa em si. E os caça-votos normalmente gostam de se aproximar mais dos barulhentos e medíocres que são os mais fáceis de cooptar em época de eleição.  
É preciso dar condições às maiorias pacíficas das comunidades, que já percebem os efeitos dos investimentos em energia e turismo na região, e de iniciativas bacanas como a mostra de cinema - que atraem gente de fora com poder aquisitivo e interesse na cultura e no meio ambiente local, e não na exploração pura e simples das praias que degrada e deixa apenas o bagaço como em várias no RN. 
Para isso, é preciso ação que venha de cima. O dono de uma pousada não pode fazer justiça com as próprias mãos. Por vezes tem até medo de denunciar, pois não tem garantia de segurança sequer para continuar ali depois disso. 
A infra-estrutura de acesso também, se existir adequada, pode dispensar o trânsito pela praia, como proibiu recentemente o CE em TODA extensão da sua costa. 
Enfim, é muito assunto para 3 minutos, e continuamos na próxima.
Video 1 - Farra das motocicletas 1 - Pedra Grande/RN

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Três lições para o RN em eólicas

Não adianta negar: é lastimável que o Rio Grande do Norte, pela primeira vez desde que se apresentou nos leilões federais para compra de energia com seu potencial eólico insuperável, tenha tido NENHUM parque vencedor apesar de ter habilitado mais de 70 projetos. O preço médio ao final do leilão ficou em R$ 124,43/MWh - um deságio de 1,25% em relação ao preço inicial. Os estados da Bahia, Ceará, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Sul foram os contemplados com projetos vencedores. A previsão é que sejam investidos cerca de R$ 3,3 bilhões na construção dos parques eólicos ali situados. O Rio Grande do Sul adicionou 326,6MW de potência. Piauí ficou com 240MW; Pernambuco 120MW, Ceará 98MW e a Bahia com 83MW. 
O que aconteceu para o RN ter uma performance tão pobre e distante da liderança isolada que conquistou em 2009, 2010 e 2011? 
O principal argumento conhecido é o de que o setor eólico tem apresentado problemas no escoamento das usinas por causa do atraso na transmissão. Por isso, neste leilão e para os próximos, o governo transferiu o risco da transmissão para o gerador obrigando-o, na habilitação, a indicar suas condições de conexão antecipadamente. Como os parques precisam entregar energia em janeiro de 2016 (portanto, com dois anos para serem construídos) o setor precificou esse risco, o que resultou em ofertas taritárias mais altas que antes. Nada grave, apenas um ajuste do crescimento setorial já bem absorvido pela indústria. 
Mas note-se que este contexto não é adstrito ao RN. Ele também é encontrado na Bahia, no Ceará e no Piauí em várias áreas prospectadas. Lá também temos bacias de vento não interligadas ao sistema. Além disso, não houve impedimento, e sim maior restrição a habilitar projetos sem conexão. Por isso, mesmo assim, o RN habilitou 71 projetos eólicos à concorrência, somando mais de 1.600MW de potência. Foi o terceiro estado que mais habilitou projetos, tanto em número de parques quanto em MW. 
Considerando que há um leilão "mais folgado" em tempo de execução por vir ainda em dezembro deste ano (o Leilão A-5, que dá cinco anos para implantação do parque e das linhas), certamente teremos uma performance bem mais significativa naquele certame, diante de um portfolio numeroso de projetos habilitados. Portanto, não há motivo para desespero, mas o resultado faz pensar. E é bom que se o faça. 
Como se explica então não ter colocado nenhum projeto vencedor neste leilão de 2013?
A diferença talvez seja que, no RN, os investidores perceberam que ultimamente encontrem maior dificuldade em estruturar e defender os termos econômicos do seus projetos em função de incertezas que vão além da questão das linhas de transmissão, e que dependem também de ação governamental do Estado. 
1. Na própria questão das linhas, o acompanhamento e a cobrança diuturna junto à CHESF e à ANEEL teve um período crítico de total inércia estadual durante 24 meses (2011 e 2012 inteiros). Apesar da responsabilidade regulatória e função penalizadora ser federal, é evidente que cada estado precisa informar, cobrar, acompanhar os projetos de seu interesse. É o mesmo que quando se trata de rodovias ou infra-estrutura de seara federal. O Governo do Estado alerta, reclama, pede apoio da bancada de parlamentares. Para isso ocorrer, tem que estar acompanhando, entendendo e tratando do assunto no seu dia-a-dia. Isso não ocorreu em 2011 e 2012, e se refletiu um ano depois.  Quando o atual secretário foi convidado e tomou posse (dezembro, 2012), já teve que atuar como médico em uma emergência, atacando apenas aquela prioridade, diante do fato concreto de o RN ver-se na iminência de ter alguns parques já contratados migrando para o Maranhão. 
2. A atuação de Rogério Marinho na questão de recuperar o acompanhamento e as cobranças quanto às linhas de transmissão já licitadas foi por mim elogiada. Há que se fazer justiça e não há política ou ideologia que me impeçam de fazer isso sempre. Como o Governo Federal resolveu atualizar toda a metodologia de planejamento da questão nacionalmente, Rogério e sua equipe também tiveram a oportunidade de incluir o RN no plano futuro das novas linhas a ser licitadas. Isso é o papel de gestor energético estadual: dar subsídios para as tomadas de decisão em nível nacional. Mas com tanto a fazer no segmento de transmissão no RN, os investidores precisam ter certeza de que tal empenho e cobrança continuarão, para estas e para as futuras linhas a construir.
3. Não se resolve tudo com tratamento pontual e urgente. Há medidas que são de fundo estratégico e outras de caráter permanente e regular. A criação e a manutenção de um ambiente confortável e competitivo para o investimento em eólicas no RN é um trabalho que não pára. Não dá trégua. Por isso, exige dedicação exclusiva. Há que se tomar conta dos parques em construção, evitando os esperados conflitos e traumas junto a comunidades locais, facilitando a logística de transporte dos equipamentos gigantes, acompanhando as questões burocráticas que envolvem outras diversas entidades com quem os empreendedores são obrigados por lei a interagir. Há que se acompanhar os projetos em operação, assegurando condições de segurança para os trabalhadores e staff gerencial, bem como a reciclagem e capacitação de pessoal local para que dele possam dispor os empreendimentos evitando trazer mão-de-obra de fora. Há que se apoiar aqueles empreendedores que ainda se encontram medindo vento e concebendo seus projetos, também com segurança, acesso à informação governamental, desburocratização, agilidade e eficiência no apoio à indústria - o que absolutamente não quer dizer atropelar procedimentos ou garantir privilégios, apenas compreender os prazos e necessidades especiais de uma atividade regulada como gerar energia. Enfim, há uma série de atividades diuturnas, constantes. 
4. No dia-a-dia das prospecções e operações, também há muitas coisas que podem minar o ambiente de investimentos. Neste sentido, as forças-tarefas que criamos em 2010 para o acompanhamento dos projetos eram um diferencial, hoje copiado pela Bahia com sucesso - e descontinuado no RN desde 2011. O núcleo ambiental específico, também projetado em 2010, foi implementado em 2011 pelo IDEMA, mas precisa funcionar em ritmo e rotina diferente dos demais núcleos do órgão. Se for para ser igual, não adianta. Há questões emergentes agora quanto à segurança nas áreas dos investimentos (sabotagens, atentados a equipamentos, ataques ao staff para roubo de dinheiro em dia de pagamento, entre outros incidentes registrados em Areia Branca, João Câmara e Parazinho, por exemplo). Há também uma insegurança fundiária que recrudesce, após termos aplacado o início da especulação em 2009. Neste quesito, é fundamental a interação do Governo do Estado com o Poder Judiciário e com as corregedorias, para coibir fraudes, falhas e custos abusivos cartoriais, a sobreposição de registros e os impedimentos burocráticos junto ao INCRA e outras entidades participantes dos processos. 
Enfim, falta papel aqui para tantas incumbências relevantes para o Estado nestes empreendimentos. Mas o ponto é que há muitas lições a aprender a partir deste resultado lamentável do RN no leilão de 2013:  
  • Lição 1: quem continuar acreditando que para ser bem sucedido no setor eólico basta ter vento, vai ficar falando sozinho e permitir que o RN perca espaço para lugares com menos potencial, menor fator de capacidade mas mais iniciativa e ação governamental. 
  • Lição 2: no trato das questões setoriais, há que ter transparência e humildade: abrir-se ao debate com as entidades setoriais dá muito mais resultado do que conversas de alcova com um ou outro empresário mais falante. Por três vezes (2011, 2012 e 2013), por exemplo, o Governo do RN simplesmente IGNOROU o Fórum Nacional Eólico - Carta dos Ventos, que nasceu justamente em Natal, em 2009 e 2010. Ninguém apareceu nele durante os três últimos anos de sua realização, que objetiva justamente a discussão anual das questões regulatórias, políticas e operacionais locais do setor. Note-se que em momento nenhum foi solicitado apoio financeiro, apenas comparecimento oficial para participação nos debates.  
  • Lição 3: ação governamental não é só política. Não se resume a ser amigo ou adversário do Governo Federal, a reclamar ou bradar por apoio. É preciso pleitear as coisas com fundamento técnico. Principalmente, na gestão Dilma Rousseff que, tanto com Natal quanto com o RN, já demonstrou atuar de forma "republicana", sem diferenciais político-ideológicos, inclusive tendo sido elogiada tanto pela ex-prefeita quanto pela atual Governadora quanto a isso. Como em outros setores (turismo, infra-estrutura, pesca, mineração etc), no setor energético é preciso cooperar mais do que mendigar ou esbravejar. É preciso elaborar pré-estudos, conceitos com conhecimento local, expressar informações e diálogos com quem conhece a realidade específica. Sem isso, os pleitos ficam relegados a meros ex-votos: pernas e braços desintegrados, pedidos por interesse específico, sem conexão com uma estratégia maior. 
Por fim, resta uma esperança fortuita: com o sempre "heróico" apoio da FIERN, embarcou-se num projeto de diagnóstico chamado "Mais RN", aparentemente ambicioso demais para um final de administração em que aliados se auto-ejetam a cada semana. O objetivo e as metas do Mais RN são louváveis, mas pouco se dá a conhecer sobre a sua execução e destinação dos recursos arrecadados junto a empresas (inclusive mas não se limitando ao setor eólico) "a convite" do Governo do Estado. Os setores produtivos do RN certamente aguardam com ansiedade os resultados deste diagnóstico caro e pago por todos, para além dos impostos e encargos usualmente já incidentes. Será frustrante se tal trabalho resultar apenas em mais um relatório de gaveta entre outros tantos já contratados e pagos no passado recente e distante, como panacéias para o desenvolvimento do Estado. 

Informe adicional: 
Hoje, um total de 39 empreendimentos eólicos, somando capacidade instalada de 867,6 megawatts (MW), foi contratado no leilão de Energia A-3/2013, promovido pelo Governo Federal com o objetivo de suprir a demanda de eletricidade do país no ano de 2016: 28 concessionárias de distribuição serão as compradoras junto aos empreendedores dos projetos vencedores com contratos de compra e venda de energia de duração de 25 anos, válidos a partir de 1 de janeiro de 2016. O preço médio ao final do leilão ficou em R$ 124,43/MWh - um deságio de 1,25% em relação ao preço inicial. Os estados da Bahia, Ceará, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Sul foram os contemplados com projetos vencedores. A previsão é que sejam investidos cerca de R$ 3,3 bilhões na construção dos parques eólicos ali situados. O Rio Grande do Sul adicionou 326,6MW de potência. Piauí ficou com 240MW; Pernambuco 120MW, Ceará 98MW e a Bahia com 83MW. A Empresa de Pesquisa Energética – EPE habilitou tecnicamente 429 projetos de geração de energia elétrica para o A-3/2013, com potência instalada somada de 10.460 MW. A eólica apresentou os maiores números entre as fontes participantes: 381 empreendimentos habilitados, totalizando uma capacidade de 9.191 megawatts (MW). Outro aspecto relevante a comentar é que além da fonte eólica, participaram do leilão projetos de geração solar fotovoltaicos - pela primeira vez. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) chegou a habilitar 31 projetos fotovoltaicos para este leilão, que somavam 813MW de potência. Também não tiveram sucesso tarifário os poucos projetos termelétricos a biomassa e pequenas centrais hidrelétricas que se apresentaram.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Brasil tem o 3o menor custo de geração eólica do mundo.



Esta semana, pela quinta vez, realizaremos o Fórum Nacional Eólico: o principal fórum de discussões de caráter regulatório, econômico e político da indústria dos ventos do Brasil. 
É o tempo em que um estudo sobre o custo da geração de energia no mundo realizado pelo Conselho Mundial de Energia (World Energy Council) em parceria com a Bloomberg New Energy Finance (BNEF) aponta o Brasil como o 3º país de menor custo para a geração eólica, atrás apenas da Índia e da China.
De acordo com o levantamento, o "custo nivelado" da energia eólica (LCOELevelized Cost of Energy, na sigla em inglês) brasileira está situado na faixa de US$55-99/MWh. Esse índice mede o valor presente do preço da energia ao longo do ciclo de operação do parque.
Na Índia, esses custos estão situados na faixa de US$47-113/MWh e na China de US$49-93/MWh. Pessoalmente, atribuo estes custos menores nos dois países ao custo mais baixo da mão de obra com manutenção e operação. 
É de se destacar, no entanto, que as eólicas brasileiras apresentam um fator de capacidade superior ao desses dois países: 23-45%, contra 15-33% e 19-35%, respectivamente. Levando-se em conta apenas os parâmetros máximos, o Brasil perde apenas dos Estados Unidos, que tem pico de 46% (porém com mínimo mais baixo, de 20%).
De acordo com a BNEF, um parque eólico padrão tem fator de capacidade de 32% (a média brasileira é de 34,5%), CAPEX de US$1,77 milhões por MW (US$1,67 milhões no Brasil). Na ponta oposta, Romênia e Bulgária lideram o ranking do LCOE, com US$100-107/MWh e US$105-106/MWh, nesta mesma ordem.
“Na América do Sul e Central, a implantação de eólica está focada no Brasil, onde um sistema de leilão do governo tem incentivado um recente boom na implantação. Os projetos eólicos brasileiros também se beneficiaram com o financiamento acessível do Banco de Desenvolvimento Brasileiro (BNDES)”, explica a pesquisa. Além disso, o relatório destaca que no país, já que há uma disponibilidade de recursos eólicos de alta qualidade, utilizam-se turbinas mais antigas, o que contribui para essa redução no preço.
No capítulo sobre biomassa, o país também ganhou destaque e ocupa a terceira posição em termos de capacidade instalada de geração de energia por essa fonte. A Europa ocidental lidera o ranking, seguido pelos EUA. Segundo o levantamento, o Brasil tem um combustível barato e abundante, que é o bagaço resultante do processamento da cana-de-açúcar. Por isso, os baixos custos operacionais da incineração do bagaço reduzem os custos da geração.
A China e a Índia ainda são os principais mercados no desenvolvimento de usinas à carvão. Na China, os custos extremamente baixos tornam o país o local mais barato para se gerar energia a partir desta fonte. Os custos da usina a carvão estão cerca de 80% abaixo da média global.
Com relação às hidrelétricas, a pesquisa apenas destaca que tal fonte já foi muito explorada na Europa (75%) e na América do Norte (69%), porém ainda existe um potencial significativo na América Latina (33%), Ásia (22%) e, sobretudo na África (7%).
Por fim, o relatório afirma que, com o crescimento contínuo dos investimentos em energia limpa, a disseminação das tecnologias energéticas por todo o mundo tende a aumentar, principalmente em países como o Brasil, África do Sul e Coréia do Sul.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Mato Grande: abalos sísmicos como realidade de uma região.


Temos ouvido com atenção as notícias sobre a série de abalos sísmicos que vêm ocorrendo na região do Mato Grande desde o último dia 24 de outubro com magnitude de 2 a 3.5 graus na escala Richter, aquela que mede a intensidade dos terremotos.  
O fato foi notícia até no Jornal Nacional, que mostrou os moradores de Pedra Preta dormindo fora das suas casas há 5 dias atrás.  O maior tremor de terra da sequência ocorreu às 13h38 da terça-feira passada (horário local), mediu 3.5 e fez moradores ficarem nas ruas com medo dos imóveis caírem. Algumas lojas do centro da cidade fecharam e escolas suspenderam as aulas, liberando os alunos para ficar em casa. 
Estes fatos têm levado algumas instituições a tomarem providências imediatas a respeito: no último dia 30, oLabSis (Laboratório de Sismologia) da UFRN instalou uma estação sismológica no povoado de Cabeço Preto para medir os eventos mais perto do epicentro (antes estavam sendo monitorados a partir de estações situadas em Riachuelo e João Câmara). Também foi colocado um ponto de internet para que a estação fique gerando informações em tempo real para o laboratório.
Segundo os relatórios do LabSis, desde que foi iniciado o monitoramento dos tremores de terra em Pedra Preta, no último dia 24, foram registrados mais de 500 eventos sismológicos, dentre abalos percebidos pela população de Pedra Preta até Natal, que fica a 100km em linha reta do epicentro. As atividades sísmicas na falha geológica de Samambaia (a maior falha tectônica do Brasil, com 38 km de extensão) já fizeram o município de João Câmara registrar um terremoto de magnitude de 5,1 na escala Richter, no dia 30 de novembro de 1986. Na época, mais de 3 mil casas e imóveis foram destruídos.
CERNE, que eu dirijo e é formado pelas empresas de energia eólica e outras dos setores produtivos relacionados a recursos naturais e energia atuantes no RN, também vai produzir uma análise sobre os impactos e efeitos físicos, psicológicos e sociais dos abalos na região, uma vez que ali está localizado o maior conjunto de parques eólicos do País. Vamos trabalhar em conjunto com o Centro de Estudos e Pesquisas de Desastres do RN (CEPED), também da UFRN, coordenado pelo Prof. Pitágoras Bindé com quem já nos reunimos esta semana juntamente com a presidente da Abeeólica, Elbia Melo, em Natal. 
Algumas medidas concretas já surgiram:  a Prefeitura de Pedra Preta já está elaborando um plano emergencial para orientar a população como lidar com a situação. Também está sendo criada a Comdec (Coordenadoria Municipal de Defesa Civil) para que equipes possam estar treinadas a agir diante de possíveis eventos ocasionados por tremores de terra.
É isso aí, vamos acompanhar e registrar estas atividades ao longo dos próximos meses. Mas é muito importante convivermos com esta realidade, sem escondê-la e sem minimizar seus potenciais efeitos. 

Secretário cearense derruba os mantras sobre turismo ouvidos no RN


A excelente entrevista do Secretário Estadual de Turismo do Ceará, Bismarck Maia à jornalista Andrielle Mendes, da Tribuna do Norte do último domingo prestou colaboração inestimável ao Rio Grande do Norte. Desmistificou alguns mantras eternos ouvidos por todos nós no setor de turismo do Estado:
PRIMEIRO MANTRA:
"quando o turista estrangeiro não vem, o setor entra em crise"
O Secretário cearense desmente isso: ele afirma que desde 2007, quando iniciou seu trabalho, priorizou o mercado nacional. Ele diz: "O turista de Fortaleza está aqui em Natal. O de Natal está em Fortaleza, em Recife, em São Paulo. Eu não vejo, com alguma exceção, campanhas internacionais que tiveram sustentabilidade."  Ou seja, no NOVO BRASIL, o turista brasileiro é a alavanca principal. Se ele não gostar do destino proposto, o estrangeiro menos ainda. 
SEGUNDO MANTRA: 
"Temos belezas naturais inigualáveis, que se bastam"
NADA MAIS ENGANADOR E INDUTOR AO CONFORMISMO! 
O Secretário confirma: O CE é repleto de belezas naturais, mas isso não basta! Não é diferencial! Sem infraestrutura, não vamos a lugar algum. 
De fato, não basta ter praias maravilhosas, se estão inacessíveis ou são passeio de meio dia pq não dispõem de restaurantes, hotéis e serviços de qualidade. Não basta ter cavernas, serrotes, fazendas, cidades históricas, lagoas, alambiques, se estas se encontram escondidas, mal tratadas, desestruturadas para receber visitantes. Enfim, o PRIMORDIAL no estado em que nos encontramos é APOIAR o empreendedor turístico local com INFRAESTRUTURA. O resto, o turista descobre e conta pros outros... 
ISSO NOS REMETE AO 3o MANTRA: 
"o problema do turismo do RN é falta de promoção"
FALSO! Eleger o turismo como prioridade NÃO é ficar pagando agência de propaganda para colocar anúncios nos pontos de originação turística, apenas. Isso todos hoje fazem. O turista não escolhe apenas com base em propaganda, que muitas vezes pode até ser enganosa. O Secretário cearense diz "muitos secretários vão para reunião com o Governo Federal para pedir recurso para festa e pra promoção. Aí não tem. Mas se chegar lá com projeto debaixo do braço, o dinheiro sai. O CE pediu dinheiro para fazer aeroportos, construir estradas de acesso, obras estruturantes para o turismo - e ainda conseguiu empréstimos de mais de U$700 milhões junto a bancos internacionais, para o Turismo. 
No caso do RN, se fizer propaganda hoje, será com certeza enganosa - digna de se ir ao PROCON. O estado peca pela falta de aprimoramento e modernização das suas atrações, no preparo de seus profissionais para atendimento ao turista, na infraestrutura, na sinalização, na segurança, no monitoramento, no alcance do serviços públicos aos turistas, entre outras coisas... É certo que temos belissimas paisagens e belezas naturais mas elas têm que ser geridas e exploradas com critérios de qualidade, sustentabilidade e, principalmente, conforto para o turista.
Ao invés disso, o que é que o turista encontra hoje no RN? Atrações precárias em qualidade e segurança, preços oportunistas (feitos de acordo com a cara do cliente), serviços hiper-ineficientes que só marcam a jornada do turista negativamente e ainda praias e interior invadidos pelo lixo plástico, paredões de som ensurdecedores e infra-estrutura desconfortável. 
Resultado: turistas que não voltam, movimento que cai e com isso há aumento das passagens aéreas e dos preços em geral para os poucos que ainda se aventuram a vir. 
TEMOS QUE ACORDAR! O turismo foi e sempre será, se cuidarmos dele, o nosso MAIOR ativo econômico! Mais que qualquer ciclo energético, extrativista ou industrial. E um setor que pode ser limpo e sustentável, e gerar receita sem gerar impactos na qualidade de vida do nosso cidadão. 
Portanto, vamos abandonar estes mantras enganadores pensar melhor no nosso próprio estado de coisas - ver defeitos para procurar as soluções, sem nos enganarmos. Para o bem dos nossos filhos e netos. 
Comentário original (áudio)
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