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Opinião e realizações

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Tubarões e vampiros: ameaças históricas aos ciclos econômicos do RN

No RN há historicamente uma casta que vive do ciclo vicioso de complicar as coisas para depois facilitar o que não deveria ser difícil. Não é coisa de um governo ou de outro, ou de um grupo político ou de outro. Há nela participantes de todos os matizes políticos e de todas a especialidades disponíveis. Para este tipo de parasita, o lucro anunciado (ou mesmo apenas planejado) por empreendedores é como sangue no oceano para os tubarões. 
O empreendedor que anuncia que vai investir, no dia seguinte recebe um séquito de visitantes querendo assessorar, recomendar ou simplesmente sugar a título de oferecer "apoio", "proteção política" e "incentivos". Alguns sequer deixam que o empreendimento chegue ao estágio de lucrar: antes mesmo de se instalar, os investidores já são drenados por estes vampiros até a inanição, fuga ou morte precoce. E nem adianta ameaçá-los com a hipótese do o empreendimento não se viabilizar, pois eles não se importam com isso. Aliás, nem sabem o que é viabilidade econômica. Acham que dinheiro dá em árvore, ou em mala.
Claro que seria injusto generalizar, pois no RN também há líderes e afiliados políticos respeitosos e cooperativos para com a atividade empresarial e que, de fato, honram seus mandatos ou cargos - seja apoiando no que podem (com ações institucionais e conquistas efetivamente estruturantes), seja simplesmente cuidando de outros segmentos afeitos à atividade governamental (sociais, por exemplo) e não atrapalhando a atividade econômica por simples exercício de autoridade ou ganância.  Deixo ao critério de cada leitor, lembrar-se dos nomes que julguem encaixar-se nestas categorias.
Em geral, o fato é que passa da hora de começarmos a lutar para acabar com esta infeliz concepção de que ser bem sucedido empresarialmente no RN significa imediatamente virar alvo preferencial da parasitagem política e dos achaques diretos e indiretos, travestidos de apoios e incentivos artificiais.
É claro que não se trata de uma característica ou comportamento exclusivamente norte-riograndense. Há isso em todo lugar do país. A diferença é que no RN isso não evolui, não se ameniza, não se dirime; em suma, não muda. Só se consolida e se agrava. Parece que cada vez mais pessoas vêem mais futuro em juntar-se a grupos políticos na esperança de um cargo ou vantagem oficial do que para participar do aprimoramento estrutural ou político do lugar em que vivem. E os pseudo-líderes em que se inspiram e a quem querem dever obediência sabem disso; por isso, até cultivam e alimentam esta cadeia de expectativas.
No dia em que até essa escumalha de chefes e chefiados políticos descobrir que ganhará mais deixando os empreendedores prosperarem, o Rio Grande do Norte caminhará. Assim foi no Ceará, em Pernambuco e na Bahia. Lá também há famílias dominantes (para o bem e para o mal), também há grupos de barnabés-satélites, de sanguessugas dos empreendimentos alheios, de dificultadores artificiais e seus correspondentes salvadores-da-pátria remunerados. Mas é tudo bem menos traumático e mais cooperativo. Ao menos se permite que um ciclo econômico se consolide, prospere. Ganha-se junto, fornecendo, prestando serviços, assessorando - mas, num mesmo sentido, todos construindo. Aqui não: os ciclos econômicos mal duram o tempo de um mandato repassado ao sucessor. Investir no RN fica parecendo um jogo de gato e rato, uma armadilha com lindo cenário que logo se torna um penoso calvário. Assim foi com o algodão, a barrilha, a mineração, os campos de golf e resorts, o biodiesel, o camarão, o petróleo, o gás e talvez agora com a energia eólica.
Seguirá sendo assim enquanto o empreendedorismo local e os investidores imigrantes continuarem incautos e inertes quanto a isso, por medo ou opressão. Há que se inverter a ordem de prioridades: o capital, o investimento, o empreendimento vêm primeiro. Depois é que vêm os dividendos políticos, os empregos diretos e indiretos, os impostos e taxas, bem como as glórias e benefícios para quem apóia ou participa do sucesso empresarial de um ciclo econômico. 
E antes que venham com a ladainha comodista e acusatória do "torce contra", permitam-me brandir desde já o meu honroso título de cidadão norte-riograndense, motivo de grande orgulho para mim. Que venha algum chacal cacifar números maiores do que os que eu ajudei a viabilizar em investimentos no setor de energia para o RN: R$10 bilhões de reais em investimento assegurado e garantido. Se deixarem. Tenho cacife para falar.

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