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Opinião e realizações

sábado, 13 de abril de 2013

Mossoró: o apocalipse do petróleo chegou? Ainda não!

A nossa preocupação com a decadência do petróleo em Mossoró vem de longe: /entrevista JPP campos terrestres/Alerta em 2009, mas preocupação que existe há muito mais tempo. 

Desde 2000, quando contribuímos para a definição de "campos marginais" no Brasil. Em 2003 e 2004, publicamos trabalhos técnicos para apoiar regulamentação a respeito.

Mais recentemente, escrevi sobre isso em artigo também no GLOBO em 2010: /artigo OGLOBO JPP campos marginais/

Em Mossoró, como prevíamos há anos, campos e investimentos em declínio agora afetam severamente a economia local. É mazela sócio-econômica GRAVE!

Em toda região produtora do mundo, chega uma hora que o petróleo mais fácil acaba. E o maná dos royalties, contratações e empregos também decai. É para isso que servem (serviam) os royalties. E não para superfaturar bandas e festas. Muitos que "se preocupam" hoje, se alimentaram da farra no período dos "poços gordos".

Na semana que vem, tal qual Sucupira, vai Mossoró inteira à presidente da Petrobras "pressionar" por investimentos. Devem antes saber dela que planos tem a empresa para o RN. Não será a Petrobras sozinha (com o pré-sal e outras incumbências pesadas às costas) que irá "salvar" Mossoró, investindo no que já não lhe dá tanto retorno. Pode parecer cruel, mas essa é a lógica de quem vive de produzir e vender petróleo e derivados. 

O problema da desmobilização da indústria do petróleo em Mossoró é muito maior do que se faz ver. E requer ações de TODOS, não só da Petrobras! 

Em lugares experientes e bem geridos, quando o ocaso dos maiores campos chega, é hora de a região produtora de preparar: (i) produtores começam a repassar suas operações para produtores de menor porte, com mais foco e menor "overhead"; (ii) fornecedores começam a se diversificar e buscar novos mercados com base nas certificações e habilitações já adquiridas, e (iii) as cidades sacam dos "fundos de geração futura" (alimentados por parte dos royalties dos anos de prosperidade) para requalificar trabalhadores e apoiar novos ciclos econômicos ou mesmo as atividades de revitalização de campos maduros.

De toda forma, a audiência com a Presidente Graça é um começo. Desde q não se perda com argumentos toscos. É necessário saber o que a empresa planeja para o RN, a partir de uma conversa franca, sincera com a sua principal executiva. 

Só então será possível atuar também em outras frentes em prol da expansão dos poços no RN. A idéia de empresas locais petrolíferas (produtores independentes) assumirem os campos maduros seria uma forma de prolongar o ciclo produtivo, mas isso requer uma transição gradual, cautelosa, economicamente viável e tecnicamente respaldada, para não ficar dependente apenas de atos heróicos ou de aventureiros inconsequentes. 

Como se vê, trata-se de ir muito além da Petrobras, e de esperar que ela faça caridade com Mossoró. Trata-se, sim, de apoiá-la no que ainda restar de interessante investir, e de re-estimular e incentivar uma cadeia produtiva mais variada e múltipla, que substitua a atual rede monopsônica de fornecedores. Isso envolve forças federais, estaduais e locais. E empreendedores e trabalhadores também!  Não adianta só chorar, mendigar e espernear. 

Mossoró é rica e bem preparada para superar esta crise. Com sabedoria e inteligência, saberemos todos juntos fazê-lo.

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