titulo

SustentHabilidade

Opinião e realizações

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

RN já tem 1GW eólico parado, apto a produzir.

Chegamos ao fim de 2013 e às vésperas do maior leilão de energia já realizado no Brasil que será realizado nesta sexta-feira 13 de dezembro. 

Para o Rio Grande do Norte, é um momento de apreensão e alerta. 

Fizemos hoje, aqui pelo Sindicato das Empresas do Setor Energético do RN (SEERN), um levantamento atualizado de quantos parques e quantos MWs eólicos estão aptos a produzir aguardando linhas de transmissão. 

Hoje são 39 parques parados, somando 1.109,6 MW de potência instalada apta a gerar energia mas sem fazê-lo por falta das linhas de transmissão. Os parques pertencem a 6 empresas espalhadas pelo território do RN: CPFL Renováveis, ContourGlobal, Energisa, Dobrevê Energia (DESA), SERVENG e Neoenergia/Iberdrola. 

É importante dizer que estes 1.109,6 MW somam mais que o dobro da energia já gerada pelos 15 parques que já se encontram em operação no RN, cuja capacidade instalada total é de 423,15 MW.

Temos ainda o agravante de, novamente, a CHESF ter comunicado um novo atraso nas obras das linhas de transmissão no RN: 


  • a linha de 85 Km,  230 kV SE EXTREMOZ II/JOÃO CÂMARA II, que estava com inauguração prevista para em 30/11/2013, foi adiada para janeiro/2014. O novo atraso é decorrente da dificuldade de obter autorizações de proprietários de terra para que sejam instaladas as torres em suas áreas: 143 das 175 torres de transmissão da linha João Câmara-Extremoz já estão instaladas. Resquícios arqueológicos encontrados também impedem de instalar 3 torres. O Instituto de Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan)  autorizou a CHESF a fazer o resgate arqueológico, devendo este estar concluído até a primeira semana de dezembro/2013.
  • A linha  de 67 Km , PARAÍSO – LAGOA NOVA, proveniente do leilão 001/2011- lote C,  que tinha previsão de inauguração em  30/05/2014, foi adiada para julho/2014.
Um detalhe que vale comentar é que muitos parques eólicos foram inaugurados já com certo atraso, consentido. Se tivessem sido inaugurados dentro do cronograma previsto, o atraso com relação as linhas de transmissão ainda seria ainda mais crítico. 
O áudio do comentário a respeito, no Jornal 96, está aqui

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Vídeos do Simpósio "Futuro & Patrimônio"



Caros amigos.

O CERNE realizou em setembro o primeiro encontro entre o "mundo" do Patrimônio Histórico e da Preservação Cultural e o "mundo" das obras de infra-estrutura e energia.

Com convidados dos dois segmentos, o I Simpósio "Futuro & Patrimônio" propiciou discussão objetiva sobre a interação entre eles (licenciamentos, requerimentos e compensações), e exposições excepcionais sobre resgates de sítios arqueológicos e projetos de preservação cultural q foram patrocinados e propiciados pelas obras do setor de energia.

Espero que gostem dos registros, que ficam para discussões futuras. Durante as projeções, o vídeo é acompanhado da exibição dos slides projetados.

F&P Cerimônia de Abertura  e demais videos no mesmo Canal YouTube Futuro & Patrimonio 2013.


Dois pesos e duas medidas: os abusos locais que deterioram o turismo e afrontam as posturas ambientais



Eu tive o grande prazer de estar neste fim de semana no Litoral Norte, mais especificamente em Caiçara do Norte, Pedra Grande e S Miguel do Gostoso onde, na Praia do Maceió, foi realizada a MOSTRA de CINEMA de GOSTOSO.
Estão de parabéns, em 1o lugar, o idealizador e realizador da Mostra, o cineasta Eugenio Puppo que conheceu a cidade por indicação do jornalista Emanuel Neri, que lá vive hoje. E os patrocinadores: a COSERN, o Governo do Estado (através do incentivo da Lei Camara Cascudo) - e também outras empresas dentre as quais destaco as do setor energético como a ALE e a SERVENG que está construindo ali o que poderá vir a ser o maior parque eólico do Brasil.
Eu fui também ver este parque, e visitar uns amigos em Pedra Grande com quem estamos juntando forças para recuperar a história local principalmente relacionada ao marco colonial de Touros, cuja réplica fica lá na Praia do Marco e o original foi transferido para a Fortaleza dos Reis Magos, em Natal. Eu vou contar em outra oportunidade a história fantástica deste marco e o que está sendo feito lá pelo setor eólico. 
O que me decepcionou foi encontrar em TODA extensão da praia uma verdadeira farra de motocicletas altamente ruidosas e conduzidas de forma absolutamente irresponsável com grande displiscência e imprudência - algumas por menores de idade, transitando em alta velocidade e impedindo totalmente o uso turístico, pesqueiro ou recreativo da área. Eu registrei estas cenas absurdas e coloquei aqui no final deste artigo. 
Este tipo de ocorrência é fruto de uma visão totalmente míope dos nossos políticos e governantes que acham que o voto dos locais enseja qualquer tipo de permissividade. No dia-a-dia, pode tudo na praia: paredão de som, racha de moto, bugues lotados, automóveis em alta velocidade, lixo plástico por toda parte voando... Isso não parece afetar tartaruga, peixe, gado, cultura local, atividades artesanais... Mas na hora de licenciar um parque eólico ou empreendimento turístico, as restrições e recomendações são de toda sorte. Fica ridículo, acintoso mesmo, um empreendedor passar por milhares de restrições, pagar mil e uma compensações ambientais, programas de monitoramento etc. sem que tenha qualquer contrapartida do poder público quanto a coibir as mais corriqueiras (e sempre muito mais danosas, dada sua regularidade) práticas abusivas por parte dos próprios locais. No caso do turismo ou segunda residência, o investimento é jogado no lixo! Quem quer ir descansar ou ir morar num local sem segurança, sem infra-estrutura e ainda sem sossego? 
É bom que se saliente: este pessoal mais "descontraído", que às vezes sai do limite bem como aqueles que por ignorância são egoístas ou intolerantes com a paz alheia são uma MINORIA nas comunidades locais. Só que a maioria de gente do bem nem sempre tem o "poder de fogo e zuada" da minoria que só pensa em si. E os caça-votos normalmente gostam de se aproximar mais dos barulhentos e medíocres que são os mais fáceis de cooptar em época de eleição.  
É preciso dar condições às maiorias pacíficas das comunidades, que já percebem os efeitos dos investimentos em energia e turismo na região, e de iniciativas bacanas como a mostra de cinema - que atraem gente de fora com poder aquisitivo e interesse na cultura e no meio ambiente local, e não na exploração pura e simples das praias que degrada e deixa apenas o bagaço como em várias no RN. 
Para isso, é preciso ação que venha de cima. O dono de uma pousada não pode fazer justiça com as próprias mãos. Por vezes tem até medo de denunciar, pois não tem garantia de segurança sequer para continuar ali depois disso. 
A infra-estrutura de acesso também, se existir adequada, pode dispensar o trânsito pela praia, como proibiu recentemente o CE em TODA extensão da sua costa. 
Enfim, é muito assunto para 3 minutos, e continuamos na próxima.
Video 1 - Farra das motocicletas 1 - Pedra Grande/RN

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Três lições para o RN em eólicas

Não adianta negar: é lastimável que o Rio Grande do Norte, pela primeira vez desde que se apresentou nos leilões federais para compra de energia com seu potencial eólico insuperável, tenha tido NENHUM parque vencedor apesar de ter habilitado mais de 70 projetos. O preço médio ao final do leilão ficou em R$ 124,43/MWh - um deságio de 1,25% em relação ao preço inicial. Os estados da Bahia, Ceará, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Sul foram os contemplados com projetos vencedores. A previsão é que sejam investidos cerca de R$ 3,3 bilhões na construção dos parques eólicos ali situados. O Rio Grande do Sul adicionou 326,6MW de potência. Piauí ficou com 240MW; Pernambuco 120MW, Ceará 98MW e a Bahia com 83MW. 
O que aconteceu para o RN ter uma performance tão pobre e distante da liderança isolada que conquistou em 2009, 2010 e 2011? 
O principal argumento conhecido é o de que o setor eólico tem apresentado problemas no escoamento das usinas por causa do atraso na transmissão. Por isso, neste leilão e para os próximos, o governo transferiu o risco da transmissão para o gerador obrigando-o, na habilitação, a indicar suas condições de conexão antecipadamente. Como os parques precisam entregar energia em janeiro de 2016 (portanto, com dois anos para serem construídos) o setor precificou esse risco, o que resultou em ofertas taritárias mais altas que antes. Nada grave, apenas um ajuste do crescimento setorial já bem absorvido pela indústria. 
Mas note-se que este contexto não é adstrito ao RN. Ele também é encontrado na Bahia, no Ceará e no Piauí em várias áreas prospectadas. Lá também temos bacias de vento não interligadas ao sistema. Além disso, não houve impedimento, e sim maior restrição a habilitar projetos sem conexão. Por isso, mesmo assim, o RN habilitou 71 projetos eólicos à concorrência, somando mais de 1.600MW de potência. Foi o terceiro estado que mais habilitou projetos, tanto em número de parques quanto em MW. 
Considerando que há um leilão "mais folgado" em tempo de execução por vir ainda em dezembro deste ano (o Leilão A-5, que dá cinco anos para implantação do parque e das linhas), certamente teremos uma performance bem mais significativa naquele certame, diante de um portfolio numeroso de projetos habilitados. Portanto, não há motivo para desespero, mas o resultado faz pensar. E é bom que se o faça. 
Como se explica então não ter colocado nenhum projeto vencedor neste leilão de 2013?
A diferença talvez seja que, no RN, os investidores perceberam que ultimamente encontrem maior dificuldade em estruturar e defender os termos econômicos do seus projetos em função de incertezas que vão além da questão das linhas de transmissão, e que dependem também de ação governamental do Estado. 
1. Na própria questão das linhas, o acompanhamento e a cobrança diuturna junto à CHESF e à ANEEL teve um período crítico de total inércia estadual durante 24 meses (2011 e 2012 inteiros). Apesar da responsabilidade regulatória e função penalizadora ser federal, é evidente que cada estado precisa informar, cobrar, acompanhar os projetos de seu interesse. É o mesmo que quando se trata de rodovias ou infra-estrutura de seara federal. O Governo do Estado alerta, reclama, pede apoio da bancada de parlamentares. Para isso ocorrer, tem que estar acompanhando, entendendo e tratando do assunto no seu dia-a-dia. Isso não ocorreu em 2011 e 2012, e se refletiu um ano depois.  Quando o atual secretário foi convidado e tomou posse (dezembro, 2012), já teve que atuar como médico em uma emergência, atacando apenas aquela prioridade, diante do fato concreto de o RN ver-se na iminência de ter alguns parques já contratados migrando para o Maranhão. 
2. A atuação de Rogério Marinho na questão de recuperar o acompanhamento e as cobranças quanto às linhas de transmissão já licitadas foi por mim elogiada. Há que se fazer justiça e não há política ou ideologia que me impeçam de fazer isso sempre. Como o Governo Federal resolveu atualizar toda a metodologia de planejamento da questão nacionalmente, Rogério e sua equipe também tiveram a oportunidade de incluir o RN no plano futuro das novas linhas a ser licitadas. Isso é o papel de gestor energético estadual: dar subsídios para as tomadas de decisão em nível nacional. Mas com tanto a fazer no segmento de transmissão no RN, os investidores precisam ter certeza de que tal empenho e cobrança continuarão, para estas e para as futuras linhas a construir.
3. Não se resolve tudo com tratamento pontual e urgente. Há medidas que são de fundo estratégico e outras de caráter permanente e regular. A criação e a manutenção de um ambiente confortável e competitivo para o investimento em eólicas no RN é um trabalho que não pára. Não dá trégua. Por isso, exige dedicação exclusiva. Há que se tomar conta dos parques em construção, evitando os esperados conflitos e traumas junto a comunidades locais, facilitando a logística de transporte dos equipamentos gigantes, acompanhando as questões burocráticas que envolvem outras diversas entidades com quem os empreendedores são obrigados por lei a interagir. Há que se acompanhar os projetos em operação, assegurando condições de segurança para os trabalhadores e staff gerencial, bem como a reciclagem e capacitação de pessoal local para que dele possam dispor os empreendimentos evitando trazer mão-de-obra de fora. Há que se apoiar aqueles empreendedores que ainda se encontram medindo vento e concebendo seus projetos, também com segurança, acesso à informação governamental, desburocratização, agilidade e eficiência no apoio à indústria - o que absolutamente não quer dizer atropelar procedimentos ou garantir privilégios, apenas compreender os prazos e necessidades especiais de uma atividade regulada como gerar energia. Enfim, há uma série de atividades diuturnas, constantes. 
4. No dia-a-dia das prospecções e operações, também há muitas coisas que podem minar o ambiente de investimentos. Neste sentido, as forças-tarefas que criamos em 2010 para o acompanhamento dos projetos eram um diferencial, hoje copiado pela Bahia com sucesso - e descontinuado no RN desde 2011. O núcleo ambiental específico, também projetado em 2010, foi implementado em 2011 pelo IDEMA, mas precisa funcionar em ritmo e rotina diferente dos demais núcleos do órgão. Se for para ser igual, não adianta. Há questões emergentes agora quanto à segurança nas áreas dos investimentos (sabotagens, atentados a equipamentos, ataques ao staff para roubo de dinheiro em dia de pagamento, entre outros incidentes registrados em Areia Branca, João Câmara e Parazinho, por exemplo). Há também uma insegurança fundiária que recrudesce, após termos aplacado o início da especulação em 2009. Neste quesito, é fundamental a interação do Governo do Estado com o Poder Judiciário e com as corregedorias, para coibir fraudes, falhas e custos abusivos cartoriais, a sobreposição de registros e os impedimentos burocráticos junto ao INCRA e outras entidades participantes dos processos. 
Enfim, falta papel aqui para tantas incumbências relevantes para o Estado nestes empreendimentos. Mas o ponto é que há muitas lições a aprender a partir deste resultado lamentável do RN no leilão de 2013:  
  • Lição 1: quem continuar acreditando que para ser bem sucedido no setor eólico basta ter vento, vai ficar falando sozinho e permitir que o RN perca espaço para lugares com menos potencial, menor fator de capacidade mas mais iniciativa e ação governamental. 
  • Lição 2: no trato das questões setoriais, há que ter transparência e humildade: abrir-se ao debate com as entidades setoriais dá muito mais resultado do que conversas de alcova com um ou outro empresário mais falante. Por três vezes (2011, 2012 e 2013), por exemplo, o Governo do RN simplesmente IGNOROU o Fórum Nacional Eólico - Carta dos Ventos, que nasceu justamente em Natal, em 2009 e 2010. Ninguém apareceu nele durante os três últimos anos de sua realização, que objetiva justamente a discussão anual das questões regulatórias, políticas e operacionais locais do setor. Note-se que em momento nenhum foi solicitado apoio financeiro, apenas comparecimento oficial para participação nos debates.  
  • Lição 3: ação governamental não é só política. Não se resume a ser amigo ou adversário do Governo Federal, a reclamar ou bradar por apoio. É preciso pleitear as coisas com fundamento técnico. Principalmente, na gestão Dilma Rousseff que, tanto com Natal quanto com o RN, já demonstrou atuar de forma "republicana", sem diferenciais político-ideológicos, inclusive tendo sido elogiada tanto pela ex-prefeita quanto pela atual Governadora quanto a isso. Como em outros setores (turismo, infra-estrutura, pesca, mineração etc), no setor energético é preciso cooperar mais do que mendigar ou esbravejar. É preciso elaborar pré-estudos, conceitos com conhecimento local, expressar informações e diálogos com quem conhece a realidade específica. Sem isso, os pleitos ficam relegados a meros ex-votos: pernas e braços desintegrados, pedidos por interesse específico, sem conexão com uma estratégia maior. 
Por fim, resta uma esperança fortuita: com o sempre "heróico" apoio da FIERN, embarcou-se num projeto de diagnóstico chamado "Mais RN", aparentemente ambicioso demais para um final de administração em que aliados se auto-ejetam a cada semana. O objetivo e as metas do Mais RN são louváveis, mas pouco se dá a conhecer sobre a sua execução e destinação dos recursos arrecadados junto a empresas (inclusive mas não se limitando ao setor eólico) "a convite" do Governo do Estado. Os setores produtivos do RN certamente aguardam com ansiedade os resultados deste diagnóstico caro e pago por todos, para além dos impostos e encargos usualmente já incidentes. Será frustrante se tal trabalho resultar apenas em mais um relatório de gaveta entre outros tantos já contratados e pagos no passado recente e distante, como panacéias para o desenvolvimento do Estado. 

Informe adicional: 
Hoje, um total de 39 empreendimentos eólicos, somando capacidade instalada de 867,6 megawatts (MW), foi contratado no leilão de Energia A-3/2013, promovido pelo Governo Federal com o objetivo de suprir a demanda de eletricidade do país no ano de 2016: 28 concessionárias de distribuição serão as compradoras junto aos empreendedores dos projetos vencedores com contratos de compra e venda de energia de duração de 25 anos, válidos a partir de 1 de janeiro de 2016. O preço médio ao final do leilão ficou em R$ 124,43/MWh - um deságio de 1,25% em relação ao preço inicial. Os estados da Bahia, Ceará, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Sul foram os contemplados com projetos vencedores. A previsão é que sejam investidos cerca de R$ 3,3 bilhões na construção dos parques eólicos ali situados. O Rio Grande do Sul adicionou 326,6MW de potência. Piauí ficou com 240MW; Pernambuco 120MW, Ceará 98MW e a Bahia com 83MW. A Empresa de Pesquisa Energética – EPE habilitou tecnicamente 429 projetos de geração de energia elétrica para o A-3/2013, com potência instalada somada de 10.460 MW. A eólica apresentou os maiores números entre as fontes participantes: 381 empreendimentos habilitados, totalizando uma capacidade de 9.191 megawatts (MW). Outro aspecto relevante a comentar é que além da fonte eólica, participaram do leilão projetos de geração solar fotovoltaicos - pela primeira vez. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) chegou a habilitar 31 projetos fotovoltaicos para este leilão, que somavam 813MW de potência. Também não tiveram sucesso tarifário os poucos projetos termelétricos a biomassa e pequenas centrais hidrelétricas que se apresentaram.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Brasil tem o 3o menor custo de geração eólica do mundo.



Esta semana, pela quinta vez, realizaremos o Fórum Nacional Eólico: o principal fórum de discussões de caráter regulatório, econômico e político da indústria dos ventos do Brasil. 
É o tempo em que um estudo sobre o custo da geração de energia no mundo realizado pelo Conselho Mundial de Energia (World Energy Council) em parceria com a Bloomberg New Energy Finance (BNEF) aponta o Brasil como o 3º país de menor custo para a geração eólica, atrás apenas da Índia e da China.
De acordo com o levantamento, o "custo nivelado" da energia eólica (LCOELevelized Cost of Energy, na sigla em inglês) brasileira está situado na faixa de US$55-99/MWh. Esse índice mede o valor presente do preço da energia ao longo do ciclo de operação do parque.
Na Índia, esses custos estão situados na faixa de US$47-113/MWh e na China de US$49-93/MWh. Pessoalmente, atribuo estes custos menores nos dois países ao custo mais baixo da mão de obra com manutenção e operação. 
É de se destacar, no entanto, que as eólicas brasileiras apresentam um fator de capacidade superior ao desses dois países: 23-45%, contra 15-33% e 19-35%, respectivamente. Levando-se em conta apenas os parâmetros máximos, o Brasil perde apenas dos Estados Unidos, que tem pico de 46% (porém com mínimo mais baixo, de 20%).
De acordo com a BNEF, um parque eólico padrão tem fator de capacidade de 32% (a média brasileira é de 34,5%), CAPEX de US$1,77 milhões por MW (US$1,67 milhões no Brasil). Na ponta oposta, Romênia e Bulgária lideram o ranking do LCOE, com US$100-107/MWh e US$105-106/MWh, nesta mesma ordem.
“Na América do Sul e Central, a implantação de eólica está focada no Brasil, onde um sistema de leilão do governo tem incentivado um recente boom na implantação. Os projetos eólicos brasileiros também se beneficiaram com o financiamento acessível do Banco de Desenvolvimento Brasileiro (BNDES)”, explica a pesquisa. Além disso, o relatório destaca que no país, já que há uma disponibilidade de recursos eólicos de alta qualidade, utilizam-se turbinas mais antigas, o que contribui para essa redução no preço.
No capítulo sobre biomassa, o país também ganhou destaque e ocupa a terceira posição em termos de capacidade instalada de geração de energia por essa fonte. A Europa ocidental lidera o ranking, seguido pelos EUA. Segundo o levantamento, o Brasil tem um combustível barato e abundante, que é o bagaço resultante do processamento da cana-de-açúcar. Por isso, os baixos custos operacionais da incineração do bagaço reduzem os custos da geração.
A China e a Índia ainda são os principais mercados no desenvolvimento de usinas à carvão. Na China, os custos extremamente baixos tornam o país o local mais barato para se gerar energia a partir desta fonte. Os custos da usina a carvão estão cerca de 80% abaixo da média global.
Com relação às hidrelétricas, a pesquisa apenas destaca que tal fonte já foi muito explorada na Europa (75%) e na América do Norte (69%), porém ainda existe um potencial significativo na América Latina (33%), Ásia (22%) e, sobretudo na África (7%).
Por fim, o relatório afirma que, com o crescimento contínuo dos investimentos em energia limpa, a disseminação das tecnologias energéticas por todo o mundo tende a aumentar, principalmente em países como o Brasil, África do Sul e Coréia do Sul.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Mato Grande: abalos sísmicos como realidade de uma região.


Temos ouvido com atenção as notícias sobre a série de abalos sísmicos que vêm ocorrendo na região do Mato Grande desde o último dia 24 de outubro com magnitude de 2 a 3.5 graus na escala Richter, aquela que mede a intensidade dos terremotos.  
O fato foi notícia até no Jornal Nacional, que mostrou os moradores de Pedra Preta dormindo fora das suas casas há 5 dias atrás.  O maior tremor de terra da sequência ocorreu às 13h38 da terça-feira passada (horário local), mediu 3.5 e fez moradores ficarem nas ruas com medo dos imóveis caírem. Algumas lojas do centro da cidade fecharam e escolas suspenderam as aulas, liberando os alunos para ficar em casa. 
Estes fatos têm levado algumas instituições a tomarem providências imediatas a respeito: no último dia 30, oLabSis (Laboratório de Sismologia) da UFRN instalou uma estação sismológica no povoado de Cabeço Preto para medir os eventos mais perto do epicentro (antes estavam sendo monitorados a partir de estações situadas em Riachuelo e João Câmara). Também foi colocado um ponto de internet para que a estação fique gerando informações em tempo real para o laboratório.
Segundo os relatórios do LabSis, desde que foi iniciado o monitoramento dos tremores de terra em Pedra Preta, no último dia 24, foram registrados mais de 500 eventos sismológicos, dentre abalos percebidos pela população de Pedra Preta até Natal, que fica a 100km em linha reta do epicentro. As atividades sísmicas na falha geológica de Samambaia (a maior falha tectônica do Brasil, com 38 km de extensão) já fizeram o município de João Câmara registrar um terremoto de magnitude de 5,1 na escala Richter, no dia 30 de novembro de 1986. Na época, mais de 3 mil casas e imóveis foram destruídos.
CERNE, que eu dirijo e é formado pelas empresas de energia eólica e outras dos setores produtivos relacionados a recursos naturais e energia atuantes no RN, também vai produzir uma análise sobre os impactos e efeitos físicos, psicológicos e sociais dos abalos na região, uma vez que ali está localizado o maior conjunto de parques eólicos do País. Vamos trabalhar em conjunto com o Centro de Estudos e Pesquisas de Desastres do RN (CEPED), também da UFRN, coordenado pelo Prof. Pitágoras Bindé com quem já nos reunimos esta semana juntamente com a presidente da Abeeólica, Elbia Melo, em Natal. 
Algumas medidas concretas já surgiram:  a Prefeitura de Pedra Preta já está elaborando um plano emergencial para orientar a população como lidar com a situação. Também está sendo criada a Comdec (Coordenadoria Municipal de Defesa Civil) para que equipes possam estar treinadas a agir diante de possíveis eventos ocasionados por tremores de terra.
É isso aí, vamos acompanhar e registrar estas atividades ao longo dos próximos meses. Mas é muito importante convivermos com esta realidade, sem escondê-la e sem minimizar seus potenciais efeitos. 

Secretário cearense derruba os mantras sobre turismo ouvidos no RN


A excelente entrevista do Secretário Estadual de Turismo do Ceará, Bismarck Maia à jornalista Andrielle Mendes, da Tribuna do Norte do último domingo prestou colaboração inestimável ao Rio Grande do Norte. Desmistificou alguns mantras eternos ouvidos por todos nós no setor de turismo do Estado:
PRIMEIRO MANTRA:
"quando o turista estrangeiro não vem, o setor entra em crise"
O Secretário cearense desmente isso: ele afirma que desde 2007, quando iniciou seu trabalho, priorizou o mercado nacional. Ele diz: "O turista de Fortaleza está aqui em Natal. O de Natal está em Fortaleza, em Recife, em São Paulo. Eu não vejo, com alguma exceção, campanhas internacionais que tiveram sustentabilidade."  Ou seja, no NOVO BRASIL, o turista brasileiro é a alavanca principal. Se ele não gostar do destino proposto, o estrangeiro menos ainda. 
SEGUNDO MANTRA: 
"Temos belezas naturais inigualáveis, que se bastam"
NADA MAIS ENGANADOR E INDUTOR AO CONFORMISMO! 
O Secretário confirma: O CE é repleto de belezas naturais, mas isso não basta! Não é diferencial! Sem infraestrutura, não vamos a lugar algum. 
De fato, não basta ter praias maravilhosas, se estão inacessíveis ou são passeio de meio dia pq não dispõem de restaurantes, hotéis e serviços de qualidade. Não basta ter cavernas, serrotes, fazendas, cidades históricas, lagoas, alambiques, se estas se encontram escondidas, mal tratadas, desestruturadas para receber visitantes. Enfim, o PRIMORDIAL no estado em que nos encontramos é APOIAR o empreendedor turístico local com INFRAESTRUTURA. O resto, o turista descobre e conta pros outros... 
ISSO NOS REMETE AO 3o MANTRA: 
"o problema do turismo do RN é falta de promoção"
FALSO! Eleger o turismo como prioridade NÃO é ficar pagando agência de propaganda para colocar anúncios nos pontos de originação turística, apenas. Isso todos hoje fazem. O turista não escolhe apenas com base em propaganda, que muitas vezes pode até ser enganosa. O Secretário cearense diz "muitos secretários vão para reunião com o Governo Federal para pedir recurso para festa e pra promoção. Aí não tem. Mas se chegar lá com projeto debaixo do braço, o dinheiro sai. O CE pediu dinheiro para fazer aeroportos, construir estradas de acesso, obras estruturantes para o turismo - e ainda conseguiu empréstimos de mais de U$700 milhões junto a bancos internacionais, para o Turismo. 
No caso do RN, se fizer propaganda hoje, será com certeza enganosa - digna de se ir ao PROCON. O estado peca pela falta de aprimoramento e modernização das suas atrações, no preparo de seus profissionais para atendimento ao turista, na infraestrutura, na sinalização, na segurança, no monitoramento, no alcance do serviços públicos aos turistas, entre outras coisas... É certo que temos belissimas paisagens e belezas naturais mas elas têm que ser geridas e exploradas com critérios de qualidade, sustentabilidade e, principalmente, conforto para o turista.
Ao invés disso, o que é que o turista encontra hoje no RN? Atrações precárias em qualidade e segurança, preços oportunistas (feitos de acordo com a cara do cliente), serviços hiper-ineficientes que só marcam a jornada do turista negativamente e ainda praias e interior invadidos pelo lixo plástico, paredões de som ensurdecedores e infra-estrutura desconfortável. 
Resultado: turistas que não voltam, movimento que cai e com isso há aumento das passagens aéreas e dos preços em geral para os poucos que ainda se aventuram a vir. 
TEMOS QUE ACORDAR! O turismo foi e sempre será, se cuidarmos dele, o nosso MAIOR ativo econômico! Mais que qualquer ciclo energético, extrativista ou industrial. E um setor que pode ser limpo e sustentável, e gerar receita sem gerar impactos na qualidade de vida do nosso cidadão. 
Portanto, vamos abandonar estes mantras enganadores pensar melhor no nosso próprio estado de coisas - ver defeitos para procurar as soluções, sem nos enganarmos. Para o bem dos nossos filhos e netos. 
Comentário original (áudio)

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Começa hoje a OTC Brasil 2013 com os maiores líderes do mercado offshore brasileiro


Palco de grandes eventos dos mais variados gêneros, o Rio de Janeiro se acostumou a ser também uma cidade-satélite para feiras e congressos de diversos setores. No setor de petróleo e gás não é diferente. Em 2013, de 29 a 31 de outubro, será a vez da Offshore Technology Conference Brasil (OTC Brasil), que terá a presença de executivos de empresas como Petrobras, Schlumberger, Total, Shell, Chevron, Baker Hughes, ExxonMobil e BP. Organizada pela OTC e pelo Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), a conferência e a exposição têm foco na indústria offshore brasileira em águas profundas.

A programação inclui a apresentação de mais de 250 trabalhos técnicos selecionados por profissionais do setor, avaliando todos os aspectos dos sistemas de perfuração e poços offshore, estruturas flutuantes e produção submarina avançada, bem como a complexa gestão de integridade para mantê-las em funcionamento.

A sessão de abertura, no dia 29, tem como destaques a presidente da Petrobras, Graça Foster e Lars Christian Bacher, vice-presidente executivo internacional para desenvolvimento e produção da Statoil.

Dentre as novidades da OTC Brasil para este ano, há uma série de almoços-palestra apresentando executivos e especialistas para discutir questões nacionais e internacionais do setor energético. 

No dia 30, destaque para o painel “As perspectivas de exploração e produção no Atlântico Sul”. Moderada pelo presidente do IBP, João Carlos de Luca, a sessão apresentará os pontos de vista das empresas operadoras sobre novas fronteiras exploratórias em ambos os lados do Atlântico Sul. O painel contará ainda com o diretor de E&P da Petrobras, José Formigli; com o vice-presidente executivo para exploração da BG, Malcolm Brown; Mark Shuster, vice-presidente executivo para exploração da Shell; Eunice Carvalho, presidente da Chevron Brasil; e Rocky Becker, vice-presidente para as Américas da ExxonMobil.

No último dia, dois almoços-palestra estão em evidência.  Conduzidos pelo CEO da Sete Brasil, João Ferraz, e pelo consultor de conteúdo da presidência da Petrobras, Paulo Alonso, os encontros vão tratar da construção de novas plataformas e do credenciamento de fornecedores.

Além do conteúdo técnico, a OTC Brasil 2013 terá uma exposição com as mais recentes tecnologias e equipamentos de mais de 250 empresas brasileiras e estrangeiras. Países como Estados Unidos, Canadá, China, França, Itália, Reino Unido, Alemanha e Noruega são alguns dos expositores presentes na feira.

domingo, 27 de outubro de 2013

O estrago na imagem


Vejam no link (ao final) o estrago que o fiasco OGX provoca para quem quer captar investimentos para o Brasil. 

Eike Batista infelizmente protagonizou o maior embuste da história econômica recente do Brasil. Culpado ele? Sim. Mas mais ainda culpados os reguladores do "mercado de ações" e "analistas financeiros", alguns (poucos) dos quais, mesmo respaldados em suspeitas levantadas por especialistas em petróleo, continuaram a permitir vôo livre aos releases e relatórios enganosos, sem nem mesmo contestá-los.

Aliás, a maioria dos analistas sequer chegou a desconfiar de tanto sucesso repentino o suficiente para consultar especialistas em petróleo de verdade (técnicos): do contrário, muito estrago poderia ter sido evitado.

Como na política brasileira, os embusteiros se dão bem mesmo depois de desmascarados.

Não é Eike quem sai mal disso. É o Brasil. E os empreendedores honestos, que não vendem ilusões, nem se apadrinham com gente ruim.

Olha o resultado aí:

www.cnbc.com/id/101146005#_gus

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

LIBRA: UM LEILÃO ÚNICO

O leilão de Libra não foi um leilão comum. Trata-se de um leilão único, especial. Normalmente, são leiloadas áreas exploratórias, ou seja, áreas onde ainda se fará prospecção sísmica e poços exploratórios para realizar descobertas e, depois, avaliá-las como comerciais ou não. 

No caso de Libra, o que se está leiloando é um prospecto já contendo descoberta parcialmente avaliada como sendo de enorme magnitude. Ou seja, o leilão de Libra, além de ser o primeiro do novo regime regulatório de partilha de produção, é também um leilão único, por disponibilizar uma reserva 'in situ', e não uma área exploratória apenas. 


HISTÓRICO
O prospecto de Libra foi descoberto em 2010 pelo poço 2-ANP-0002A-RJS, no polígono do pré-sal da Bacia de Santos. Ocorre que este poço foi perfurado em área não concedida (ou seja, sob a jurisdição direta da Agência Nacional do Petróleo (ANP), que contratou serviços da Petrobras para encontrar reservas que poderiam ser usadas em troca de ações da companhia na chamada cessão onerosa. Com isso, se tornou um verdadeiro anacoluto regulatório, não sujeito nem ao regime de concessões nem ao novo, de partilha. Tratava-se do prospecto petrolífero mais promissor da história do Brasil sem enquadramento legal ou regulatório.  Por isso, o governo brasileiro precisava tirá-lo do limbo e regularizar sua situação, inclusive quanto ao alto investimento necessário para desenvolvê-lo.

Além disso, por lei, trata-se de um projeto que já vem com o operador definido (empresa-líder que executa as operações): a Petrobras. Isso foi o que mais atraiu o interesse por parte de empresas estatais que são extensões do governo de países que precisam adquirir reservas mundo afora: China, Japão, India, Malasia, por exemplo. Para elas, Libra é um projeto perfeito para se participar: grande reserva e com um operador de primeira linha obrigado por lei a participar e a operar.


O LEILÃO
Durante a fase de habilitação, estranhou-se a ausência de algumas majors tradicionais. Provavelmente algumas empresas que respondem apenas ao mercado de ações acharam difícil concorrer diretamente contra governos de países importadores. Outras, como a Shell e a Total, por exemplo, consideraram interessante habilitar-se para, eventualmente, entrar em parceria com algumas delas. Foi o que acabou acontecendo. 

O único consórcio a apresentar proposta foi formado pelas empresas Shell, Total, CNPC, CNOOC e Petrobras. Dos 70% arrematados pelo consórcio, 20% são da Shell e 20% da Total. A CNPC e a CNOOC têm, cada uma, 10%, assim como a Petrobras, que já tinha garantidos 30%. 

À época de sua descoberta, uma consultoria havia feito uma estimativa de até 15 bilhões de barris recuperáveis. O volume foi posteriormente reduzido significativamente pela ANP, diante de novos dados. Com a perfuração do poço e dados de sísmica 3D, o volume foi novamente elevado, para entre 8 bilhões a 12 bilhões de barris. O maior campo produtor no Brasil, de Marlim, tem 2 bilhões de barris de petróleo recuperáveis. A ANP estima que, em seu pico de produção, sejam extraídos diariamente 1,4 milhão de barris de óleo, cerca de dois terços do total da produção atual de todos os campos do país (2 milhões de barris por dia). 

Pelo regime de partilha, o consórcio tem o direito a recuperar os custos incorridos para colocar o campo em produção e reparte com a União (representada pela estatal nova PPSA) o chamado "óleo de lucro". Somando a participação da Petrobras com a da PPSA no óleo de lucro, pode-se afirmar que o Brasil está ficando com 81,65% da partilha do lucro do maior campo de petróleo do país.  E ainda tem os royalties, estimados em 270 bilhões de reais ao longo dos 35 anos de sua produção. Num cálculo superficial, somando-se os royalties e o bônus de assinatura pago à vista com a estimativa de valor para o óleo que caberá ao Brasil, chega-se a 1 trilhão de reais de resultado líquido. 


VENCEDORES
Sobre os vencedores, a surpresa mesmo foi a francesa Total. A Shell já explora no Brasil em terra e no mar. Em oito campos a Shell é operadora e em dois a Petrobras é operadora e ela parceira. A Shell já produz inclusive no pré-sal. A Shell opera em BM-S-54 (pré-sal), Bijupirá, Salema, Parque das Conchas (BC-10), além dos cinco blocos na Bacia de São Francisco (onshore). Na 11ª rodada foi a 1ª em número de blocos adquiridos. A Total é um conglomerado francês resultante da fusão das empresas Elf e Total (2000) com a belga Petrofina (1999). Seu capital acionário é formado, entre outros, por fundos soberanos da China, Emirados Árabes e Qatar. Também é líder global em liquefação de gás para envio a mercados distantes.  A explicação para a sua participação talvez esteja no fato de sua produção estar em queda absoluta nos últimos anos. Com suas reservas concentradas em regiões em declínio de produção como a África (principalmente ex-colônias), Mar do Norte, Rússia, Irã e ex-repúblicas soviéticas, sua produção global caiu em mais de 20% entre 2007 e 2013. Analistas franceses se impressionam também com a explosão das despesas na empresa: en 2011 houve alta de 72% (em um ano), e de quase 250% nos quatro anos precedentes. Por isso, a empresa tem tentado se apresentar em novas regiões produtoras como a Líbia, o Iraque e nas areias betuminosas do Canadá. O Brasil está no radar da Total como região petrolífera emergente.  

Alguns esperavam os chineses com participação maior, até majoritária. Eu considero que 20% de Libra é algo de magnitude bem significativa. É um passo inicial bastante importante na nova estratégia chinesa de se fazer presente no petróleo brasileiro. Quem pensa que os chineses ficarão só com isso, engana-se. Este é o ingresso para o grupo nobre de participantes do mercado brasileiro, o clube do pré-sal. Fincando o pé no principal consórcio, a CNOOC e a CNPC alavancarão mais participações em consórcios futuros, tanto no pré-sal quanto em áreas marítimas convencionais (CNOOC) e até em terra (CNPC). Quem viver, verá. 


AUSENTES
Sobre as ausentes, a joint venture sino-espanhola RepsolSinopec desistiu de participar momentos antes do leilão, talvez orientada pelo próprio governo chinês a não atrapalhar o outro consórcio, muito mais estruturado e negociado com as duas outras estatais chinesas. As demais empresas habilitadas não tinham condições de apresentar propostas sozinhas (Ecopetrol colombiana, ONGC indiana e Petrogal portuguesa, nem mesmo a Petronas (Malásia) e a japonesa Mitsui). Seria uma surpresa grande vê-las bonificar tão significativa quantia sozinhas. 

Como muitas multinacionais de grande porte que sequer se habilitaram, a norueguesa Statoil também decidiu não participar do leilão do Campo de Libra porque o portfólio da empresa já está muito comprometido com ativos em todo mundo. A empresa tem uma atuação importante no Brasil, com fatias em 13 blocos de exploração e produção no país. A companhia opera o campo de Peregrino, na Bacia de Campos, onde tem 60% de participação. Os outros 40% são da chinesa Sinochem.


DESAFIOS
O maior desafio da área do présal brasileiro é a logística, pois seus blocos se situam entre 150 e 300 km distantes da costa (Libra está a 183km, Tupi a 300km).  Além disso, a profundidade da perfuração e a espessa camada de sal a vencer, apesar de comprovadamente superáveis, continuam a representar desafios operacionais a cada campanha de perfuração, e durante a produção. O petróleo do présal é/será mais caro que o "convencional", especialmente se comparado a áreas em terra na península arábica ou mesmo áreas offshore brasileiras já exploradas. Mas quanto a se tornar anti-econômico, já vai uma distância grande: o présal brasileiro só precisa começar a se preocupar se o preço do barril cair abaixo dos 30 dólares. Mesmo com o shale gas americano, sempre será necessário explorá-lo, não apenas para complementar a demanda de outras regiões, como também para suprir a própria demanda brasileira e a petroquímica ainda dependente do petróleo em todo o mundo. 

Quanto a mudanças e ajustes para o futuro, o único que vejo como passível de consideração é a abertura de possibilidade de operadores diversos da Petrobras, mesmo assim, com escrutínio de alto nível quanto a capacidade técnica e financeira. Certamente, apesar de não ser descabida para Libra, tal limitação provocará incongruências graves quando, no futuro, tivermos áreas (e não campos) do présal leiloados. Imagine-se a situação de um bloco onde o consórcio vencedor não contenha a Petrobras ou, pior, onde a Petrobras sequer considere válido dar lance e, mesmo assim, ela o tenha que operar à revelia do seu interesse em tal projeto.


COMO FUNCIONA A PARTILHA
Antes mesmo de começar a operar no campo, a empresa vencedora terá que pagar um bônus de assinatura (o equivalente à compra do direito de explorar e produzir no campo) de R$ 15 bilhões. Mas a estimativa da ANP é que, quando começar a produzir, Libra gere R$ 30 bilhões por ano em participações governamentais (isto é, partilha da produção e royalties) para a União, os estados e municípios. A Pré-Sal Petróleo (PPSA) terá 50% do poder de voto no Comitê Operacional, enquanto a Petrobras terá no mínimo 15% dos votos. Desta forma, o governo terá pelo menos 65% do poder de voto na gestão da área do pré-sal, com possibilidade de este percentual crescer caso a Petrobras entre com participação no consórcio acima do mínimo exigido por lei. O consórcio vencedor poderá recuperar mensalmente o custo em óleo (investimentos realizados para explorar e desenvolver a área), respeitando o limite de 50% do valor da produção nos dois primeiros anos de produção e de 30% do valor da produção nos anos seguintes, para cada sistema produtivo do bloco. No entanto, se os gastos não forem recuperados neste período, havendo necessidade, o consórcio poderá ficar com o percentual de 50% do valor da produção até que os respectivos gastos sejam recuperados.

As empresas que participarem do consórcio de Libra poderão dar o destino que quiserem ao petróleo de sua cota na partilha, ficando livres para exportá-lo. No entanto, em situações de emergência que possam colocar em risco o abastecimento nacional de petróleo, bem como de seus derivados, a ANP poderá determinar ao contratado que limite suas exportações.


Como se vê, apesar de ter sido usado como pretexto para todo o tipo de exploração política oportunista, o leilão de Libra não representou qualquer entrega de reservas, e sim a venda de direitos sobre a produção de um campo que terá altos custos, desafios tecnológicos e uma enorme receita governamental resultante.

--------------
Para quem não ouviu no @Jornal96, comentário sobre o Leilão de Libra: nacionalistas de ocasião e cooperação bilionária.  https://soundcloud.com/jean-paul-prates/jpprates-coluna-5

domingo, 20 de outubro de 2013

Argumentos DesequiLIBRAdos


É impressionante a falta de compostura dos pré-candidatos e seus replicadores nas redes sociais quando se trata de buscar uma bandeira meramente casuística para criticar o governo.

Até ontem, Dilma Rousseff era criticada por ser estatista, intervencionista e impulsionadora do aumento do papel do Estado brasileiro na economia. Hoje, por conta do leilão de Libra, os alegadamente "nacionalistas" (coerentes com sua ladainha já conhecida) se somam a oportunistas da mais alta estirpe advindos dos grupos de apoio a pré-candidatos presidenciáveis para criticar o leilão e o despacho do Exército para guardar as instalações onde ele será realizado.

É, de fato, julgar que a opinião pública é uma massa de manobra ignóbil e sem qualquer percepção do que é, de verdade, convicção ideológica versus o oportunismo barato da pior espécie, sem qualquer coadunação com o discurso histórico ou a prática recente destes mesmos vociferadores.

É repugnante ouvir discursos de voz cândida sobre "a nova política" e em seguida ver o Sr. Eduardo Campos, por exemplo, retuitando asneiras como "Dilma está privatizando as reservas da Petrobras" (sic!) quando ele mesmo, como Governador, esteve presente ao lançamento e a TODAS as explicações e debates sobre o novo regime regulatório aplicável à nova província (e a Libra), portanto, sabedor de que se trata de um regime muito mais severo e fiscalmente pesado em favor do Estado Brasileiro.

Goste-se ou não da presidente, ou do PT, o fato é que ela apenas está colocando em prática aquilo que foi altamente elogiado pelos chamados "nacionalistas" (e pelos governadores aliados) quando foi alterado o regime regulatório das concessões e royalties para ser criado o regime excepcional de partilha de produção para o Pré-Sal.

E governadores, como Eduardo Campos, estavam na primeira fila dos acontecimentos, aplaudindo e tecendo loas a Lula e Dilma por isso. Agora, vem assacar estultices como "privatizando reservas da Petrobras"? Isso é a nova política?

Pode-se até não gostar de Dilma, ou se ter reservas ou críticas a um ponto ou outro de sua gestão. Mas tentar impingir nela o rótulo de privatista e, ao regime de partilha, a alcunha de "entrega de reservas" é desfaçatez demais.
Se esta a "nova política", sinto decepcionar-me, mas me parece por demais semelhante à velha, bem velha.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Filiação ao PT.

Aos amigos. 

Há tempos venho recebendo honrosos convites por parte de várias pessoas e partidos de bem para ingressar na vida partidária, como parte de um processo de renovação em curso em todo o País. 

Entendo que os protestos da Jornadas de Junho, por ocasião da Copa das Confederações, representaram um rotundo #naomerepresenta à classe política brasileira que, felizmente, conta com algumas pouquíssimas exceções à regra das categorias típicas: demagogos, embusteiros ou corruptos, quando não acumulando estas três características nefandas.  

Conheço Fátima Bezerra e Fernando Mineiro há tempos. Tenho a certeza de que são parte desta raríssima exceção brasileira. Admiro também, sem esconder de ninguém, a carreira e o trabalho da Presidente Dilma Rousseff, a quem conheci pessoalmente quando Ministra de Minas e Energia por conta das várias reuniões e conversas sobre a refinaria e os parques eólicos no RN, no tempo em que estive à frente da Secretaria de Energia do Estado. Esta, aliás, uma experiência para mim valiosa na Administração Pública à qual me dediquei com afinco e, penso, apresentando resultados concretos para o RN, sob a liderança da então Governadora Wilma de Faria, a quem mantenho gratidão pela confiança de ter me propiciado tal oportunidade. 

Sei que muitos, inclusive alguns amigos, enxergam como complexa a situação atual do PT, em virtude de críticas e falhas havidas nos últimos anos. Minha reflexão é que se trata de um enorme e democrático partido com uma responsabilidade hercúlea que é a de reformar a base de um país complexo como o Brasil, devendo para isso conviver, enfrentar e interagir com diversas personalidades e grupos. 

A minha visão é que o saldo da gestão do PT para o Brasil realmente necessitado e que clamava por atenção é positivo. Só quem tem a oportunidade de sair dos escritórios e dos bistrôs de Rio e São Paulo para conhecer os grotões deste Brasil pode verificar como este saldo governamental e político é positivo.  

Nas demoradas e conscientes análises de cenário que fiz, por considerar ser esta uma das decisões mais importantes da minha vida, concluí ser o PT a opção mais coerente para minha filiação neste momento: coerente com o trabalho de interagir e ajudar as regiões mais inóspitas e necessitadas deste Estado, como é o caso do Mato Grande e das Serras, do Litoral Norte e do Alto Oeste. Áreas que possuem potencial produtivo extremamente maior do que lhes é facultado desenvolver hoje em dia, em virtude de política arcaica, dominadora e mercantilista do voto humilde.  

Coerente também com a amizade e o trabalho comprovadamente bem sucedido que temos desenvolvido há mais de 4 anos com os dois expoentes do PT no RN, indistintamente: Fátima e Mineiro. E com a amizade que construímos. 

Coerente, por fim, com a necessidade e a real possibilidade contribuir para uma renovação do partido, tanto no RN quanto no Brasil, saída do grito autêntico dos protestos (e não da indução maligna e oportunista de alguns). Sobre isso, aliás, também uma reflexão: é compreensível que, em tempos de revolta geral com o funcionamento da política como condicionante da administração pública, os movimentos se voltassem contra os partidos. Mas, com cabeça fria, vê-se que é através da reforma dos partidos, de dentro para fora, que se farão transformações radicais sem ameaçar a democracia. 

A isso vamos. Conto com o apoio dos que acreditam que ainda é possível mudar alguma coisa.  

Jean-Paul Terra Prates 

01 de outubro de 2013

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Futuro & Patrimônio: o mundo das obras de infraestrutura e energia se encontra com o mundo da arqueologia e do patrimônio histórico em Natal.

Pouca gente sabe mas uma das atividades que têm sido muito desenvolvida em paralelo e por conta das obras de implantação de parques eólicos em regiões do RN, CE, BA, RS, PI e MA é o resgate de sítios arqueológicos e a preservação de patrimônio histórico nas regiões. 

E faz parte do processo de licenciamento ambiental dos projetos a prospecção e o diagnóstico dos sítios arqueológicos e seu resgate. Tudo isso têm um arcabouço legal/regulatório e operacional que se comunica com o processo de autorização de construção e operação de parques eólicos, como também de linhas de transmissão e outros de infraestrutura (estradas, aeroportos, portos etc.). 

Estes dois mundos aparentemente tão distintos irão se encontrar hoje e amanhã (26 e 27 de setembro) em Natal, no Parque da Costeira, no simpósio de oficinas de trabalho FUTURO & PATRIMôNIO (http://www.cerne.org.br/futuropatrimonio), organizado pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, pelo Centro de Estratégias de Recursos Naturais e Energia – CERNE e pela Associação Brasileira de Energia Eólica – ABEEólica.

Os participantes são profissionais, gestores e pesquisadores das especialidades ligadas à preservação e desenvolvimento do patrimônio cultural brasileiro, profissionais, técnicos, gestores e investidores da área energética, atuantes ou interessados em todo o Brasil, proprietários de ativos com potencial energético ou histórico, gestores públicos, professores, pesquisadores, mestrandos, doutorandos, estudantes e colaboradores da área de energia e profissionais da área ambiental.

O objetivo do evento é promover a integração entre os profissionais, gestores e pesquisadores das especialidades e entidades ligadas ao patrimônio cultural com os gestores, profissionais e empreendedores do setor energético nacional, ressaltando a importância de cada setor para o futuro responsável do País. Demonstrar mutuamente as realizações, características e desafios de cada setor; debater e contribuir para o aprimoramento dos procedimentos, relacionamentos, registros e investimentos nas áreas operacionais de cada um.

Teremos a presença da presidente nacional do IPHAN, da presidente nacional da Abeeolica, presidente da CHESF, diretores de operações das empresas CPFL, Serveng, Iberdrola, Renova, Energisa, EdP entre outras. 

Aberta ao público será a sessão de exposição de casos de sucesso (resgates de sítios arqueológicos) na manhã de 6a feira, dia 27, de 9:00 ao meio-dia. Durante o evento também será realizada reunião institucional para elaboração da Carta Futuro & Patrimônio 2013, consolidando as conclusões e desafios levantados pelas discussões dos dois dias. 

Mais informações e programação completa: http://www.cerne.org.br/futuropatrimonio


Comentário de hoje na Coluna SustentHabilidade (Jornal 96) - https://soundcloud.com/jean-paul-prates/jpprates-coluna-3

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Compra de votos: esta é a doença!

A decisão do Supremo anunciada ontem não é, com certeza, o foco da crise de representatividade que vivemos atualmente no Brasil. É só mais um sintoma. A doença é outra.  
Não é de hoje que líderes políticos que deveriam ser governantes sérios ou parlamentares respeitados e interessados em legislar em prol do aprimoramento da nossa sociedade, preocupam-se mais em locupletar-se dos investimentos públicos e privados.  Como temos instituições de combate à corrupção ainda muito impotentes e uma justiça claramente suscetível ao poder financeiro, a corrupção só é denunciada quando há alguma guerra de grupos políticos: basicamente, só vem à luz quando chega à imprensa por meio de dossiers ou denúncias preparados por inimigos políticos ou até por "fogo amigo" na disputa de cargos. Enquanto os interesses estão acomodados, tudo fica calmo. Quanto alguém se aborrece e resolve colocar podres dos outros para fora, começam sucessões de escândalos, um vingando o outro. E a mídia, é claro, vive disso: faz o seu papel. 
Graças a isso, a corrupção é cada vez mais visível. Virou contrapé comum a quase homens públicos e partidos do País.
A corrupção gera hoje uma conta de mais de 50 bilhões de reais por ano para o brasileiro. Paradoxalmente, este dinheiro recircula e acaba fazendo parte do PIB. No Brasil, há vários nababos inexplicáveis que sustentam o giro econômico de toda uma cidade ou região com dinheiro desviado de orçamentos públicos, apenas com seus empreendimentos de fachada e gastos extravagantes. 
Então quando a gente vê um gestor público, um funcionário público, um líder político, um chefe de repartição, um magistrado, um prefeito, um vereador - em suma, um MANDATÁRIO do cidadão comum, OSTENTANDO um poder ou uma riqueza que ele não consegue justificar - nem seus familiares e amigos - é de se desconfiar seriamente dele. 
vigilância começa no cidadão, e não quando chega aos embargos do STF! Temos que voltar a raciocinar primitivamente quanto a isso: ganha X, gasta 10X? Como pode? De onde vem? É básico! Pq não perguntamos mais? Pq não nos indignamos mais? Pq desistimos de cobrar? Pq achamos que "não vai adiantar nada"?  Vai sim! E não é o STF que vai resolver. É na eleição que vem! Na eleição que vem, você deve guardar os nomes destes indivíduos não confiáveis e NÃO VOTAR NELES! Este é o único jeito! 
Agora, se você acha isso tudo ruim, mas na hora da eleição VENDE seu voto por influência ou dotação de um cabo eleitoral ou correligionário de um líder deste tipo - que você passou o mandato todo desconfiando dele, achando suspeito seu discurso comparado com as suas práticas, ou lamentando as notícias ou informações que você recebe a respeito dele, então você está se igualando a ele. E o merece. 
Se você VENDE SEU VOTO, então você está pedindo e merecendo o representante político que tem. Ele vai comprar seu voto e vender a alma ao diabo. Se você faz isso, você é o último a ter direito a se queixar do país, do estado, da cidade ou da vida que tem.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Brasil é líder na atração de renováveis

Ranking "Climatescope" destaca papel do país como referência para a região.

O Brasil ficou em primeiro lugar no ranking de atratividade Climatescope 2013, elaborado pelo Fundo Multilateral de Investimentos do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) em cooperação com a Bloomberg New Energy Finance. Este estudo classifica anualmente os países da América Latina e Caribe segundo parâmetros que revelam maior ou menos atratividade aos investimentos em geração de energia a partir de fontes renováveis (hídrica, biomassa, eólica, solar e geotermia).

Aproveitando a realização do congresso "Brazil WindPower" no Rio de Janeiro esta semana, os organizadores do estudo promoveram, nesta manhã, uma reunião com convidados do setor para apresentar em primeira mão o ranking parcial de 2013. Nele, o Brasil aparece na primeira posição pelo segundo ano, seguido de Chile e Nicarágua. O ranking completo só será divulgado em outubro. Em 2012, o Brasil ficou seguido de Nicarágua, Panamá, Peru e Chile.

Durante painel de debates quese segiu à apresentação parcial do ranking, o CEO da RioEnergy, Marcos Meirelles, destacou a importância de políticas de Estado claras, para incentivar os investimentos em renováveis: "tanto na geração direta quando ao longo de toda a cadeia de fornecedores, o investidor precisa sentir-se num ambiente seguro, com regras claras e planejamento de longo prazo", afirmou. Além autores do estudo, estiveram presentes lidernças empresariais do setor de fontes renováveis.

A presidente da Abeeólica, Elbia Melo ressaltou a importância do resultado para o Brasil: "o país demonstra, através dos critérios objetivos que este ranking utiliza, ser o ambiente mais favorável da região para investimentos no aproveitamento de fontes renováveis para geração de energia", festejou.

Para o diretor-presidente do CERNE (Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia), Jean-Paul Prates, o Brasil não somente se classifica como o mais atrativo, como também tem influenciado fortemente os seus vizinhos exportando suas experiências de marco regulatório, leilões reversos e participação de bancos de fomento: "o estudo, além de ranquear os países, mostra claramente que o Brasil exerce hoje um papel de liderança e referência principal na região, quanto a investimentos nestes segmentos".

Fonte: CERNE | www.cerne.org.br

domingo, 14 de julho de 2013

Futebol potiguar: a era dos heróis acabou!


É triste ver as torcidas de ABC e AFC se digladiando verbalmente pelas redes sociais quanto a goleadas sofridas nesta última rodada da Série B, ambas com 4 gols marcados pelos respectivos adversários. Trata-se do retrato mais perfeito da rivalidade destrutiva: aquela do "roto" contra o "esfarrapado", aquela do "sou ruim mas você é pior". 

É decepcionante constatar, também, que esta é a postura em muitos outros aspectos da vida política e empresarial potiguar. Há inclusive uma frase famosa, atribuída ao jornalista Cassiano Arruda Câmara, que reza que "o natalense gasta 200 para o outro não ganhar 20" (mais a respeito, no excelente post de Cefas Carvalho). 

Quando participei da preparação das credenciais natalenses para sediar a Copa, juro que acreditei que, a partir desta importante conquista, o RN conseguiria captar e gerir investimentos para que seus clubes crescessem e se consolidassem no cenário nacional. É certo que os números locais não inspiram muito. O maior público do Clássico Rei ainda foi no campeonato estadual de 1976, no estádio então ainda chamado de Castelão, com 50.486 pagantes. De lá pra cá, entre crises e falta de estádios, e mesmo apesar de algumas incursões pela série A, o público do Clássico Rei jamais conseguiu superar este "recorde". 

Mas este ano deveria ser considerado um ano especial pelos clubes potiguares, com um contexto jamais vivido por eles: ambos disputando a mesma divisão do campeonato nacional num ano em que, devido à presença do Palmeiras, a Segundona tem um destaque especial nos principais noticiários esportivos do País. Além disso, os dois clubes estariam às vésperas de ser os dois grandes anfitriões do futebol potiguar na Copa do Mundo de 2014, que tem Natal como uma das suas sedes. 

Santa Catarina não terá a Copa (Florianopolis foi eliminada exatamente contra Natal). Mas é visível que seus clubes fizeram um intenso trabalho, juntando federação, empresas, governos locais e os clubes. Resultado: tem 4 times catarinenses na Segundona (Chapecoense, Joinville, Figueirense e Avaí), sendo que os três primeiros estão no G4/2. E o Criciúma, que migrou para o primeiro escalão sendo vice-campeão da B no ano passado e lutará como Tigre para se manter na A para o ano da Copa. Mesmo na remota hipótese de que caia, teríamos em 2014 cinco clubes catarinenses praticamente fazendo um campeonato à parte, na Série B de 2014. Sem Copa, sem Arena, mas com planejamento e integração.

Na véspera, no ano e um ano depois da Copa em Natal, ABC e AFC deveriam ser máquinas de fazer dinheiro. Será que os clubes se prepararam mesmo para este período mágico e inédito? Será que se deram conta e planejaram direito o que fazer numa circunstância tão especial? A perspectiva de ser uma sede de copa com seus dois principais times na Série C (!) do Campeonato Nacional não incomoda estas pessoas? 

Alguma coisa, misto de problema sério de gestão e transparência nos clubes combinado com falta de mobilização integrada de quem gere a Copa com a Federação, prejudica o êxito dos valorosos clubes potiguares. Os amigos jornalistas e boleiros do RN, que estão mais por dentro do dia-a-dia do assunto podem esclarecer. Mas é imprescindível perguntarmos: é incompetência, individualismo, ingenuidade ou inépcia dos dirigentes não aproveitar a Copa? Já não teremos a prometida mobilidade urbana. Será que sequer nossos clubes se beneficiarão desta realização inédita?

Modus in rebus, Santa Catarina bem poderia ser o RN do Sul: turística, cheia de imigrantes, espremida geografica e culturalmente entre dois "monstros" econômicos e futebolisticos (Rio Grande do Sul e Paraná), até pouco tempo havia a mesma dificuldade de atrair público e patrocinadores. Clubes locais não conseguiam sequer competir com os times do RS, SP ou RJ na atenção dos torcedores locais. Mas alguém soube fazer o trabalho, tanto de planejamento financeiro, técnico e estratégico quanto de interiorização e integração entre os clubes. Seria um exemplo a investigar melhor? 

A meu modesto ver, em todo o Brasil e no mundo, enquanto os clubes de futebol foram administrados como feudos privados ou trampolins políticos, só frustraram seus torcedores (afora alguns efêmeros e descartáveis êxitos). No RN, no entanto, parece que ultimamente nem para a política os clubes do RN têm servido. A maior parte dos políticos não gosta de "causas perdidas". Só vão em causas ganhas, em bolas certas.  Aparecer em dia de final quando o time está bem é fácil! Talvez gostássemos de ver se mobilizarem AGORA, para salvar ABC e AFC da C em pleno ano de sediar a Copa.  Aliás, sou dos últimos a defender que apenas políticos se mobilizem quanto ao futebol. O empresariado local, cada um contribuindo com um pouquinho, também poderia ajudar, e muito. Mas parece que aqui também há falhas e desigualdades desestimulantes: os dois clubes aparentemente têm marcas e empresas associadas ao seu patrocínio. Será que são cotas desajustadas demais? Será que a gestão disso está correta? Como pode não terem elencos de qualidade a ponto de estarem hoje no Z4/2 com risco alto de rebaixamento para a Série C? 

Já há empresas locais (e até marcas nacionais) que patrocinam os times potiguares. Elas têm retorno? Estão satisfeitas? Se sim, outras deveriam seguí-las. Se não, então algo está muito errado e é necessário que elas imponham novos modelos de gestão aos veículos que remuneram: os clubes. No futebol atual do mundo e do Brasil, goste-se ou não, é o dono da grana (quem viabiliza o clube) quem manda! 

A era dos heróis acabou!
.