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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

NORTE POTIGUAR: RN É DESTAQUE NA REPORTAGEM "UM PAÍS CHEIO DE ENERGIA" DA REVISTA EXAME (14/12/2001)

A revista EXAME traz esta semana (14/Dez/2011) um conjunto de reportagens de capa sobre "A marcha da economia brasileira".  Um dos capítulos dedica-se ao tema "Um País cheio de energia". Nesta reportagem, a principal revista de negócios brasileira destaca DUAS regiões do Brasil em que os investimentos em ENERGIA foram determinantes para a completa transformação da vida econômica e social local, e onde se projeta um futuro bem melhor que o passado. 
Uma destas regiões é o NORTE POTIGUAR, a "esquina do Brasil", onde, segundo a EXAME, a instalação da REFINARIA POTIGUAR CLARA CAMARÃO (RPCC) e os PARQUES EÓLICOS modificaram o panorama da região.
Ainda na reportagem de Lucas Vetorazzo, a EXAME afirma: "Nos últimos três anos, o Rio Grande do Norte tornou-se líder em novos projetos eólicos". 
Temos orgulho e ter participado desta história ao lutar até conseguir, mesmo contra todas as incredulidades e todo o desprezo, pela Refinaria Clara Camarão - cuja dimensão pode não ser a sonhada, mas é real e condizente com o que nos legaram em termos de infra-estrutura portuária oceânica e acessos. E, principalmente, por ter saído praticamente do ZERO em termos de geração de energia naquela região (bem como no Mato Grande e na Serra de Santana), para hoje ter mais de 3.000 MW garantidos e contratados, com financiamentos e obras saindo ao longo destes próximos anos, trazendo benefícios a toda economia.
É uma grande satisfação honrar a cidadania recebida. 
A seguir, a reprodução da matéria. E na lateral direita deste blog, os clippings de todo o período que contam um pouco da história de tudo isso, ao longo de 2008-2010.

Jean-Paul Prates.












Um país cheio de energia


Fonte: Revista Exame
Autor: Lucas Vettorazzo


A descoberta do pré-sal, em 2007, catapultou o Brasil para uma posição de destaque entre os países com os maiores potenciais energéticos do planeta. Pelos estudos realizados até agora, os novos campos elevarão as reservas brasileiras de petróleo de 14 bilhões para 50 bilhões de barris, o suficiente para colocar o país como ponto estratégico no mapa das maiores empresas ligadas ao setor - se tudo der certo com a aventura do pré-sal, devemos passar da 17a para a sétima posição em reservas no mundo.

Um estudo feito pela consultoria americana Booz mostra que empresas do setor de óleo egás que operam no Brasil consumirão 400 bilhões de dólares em bens e serviços aqui e no exterior entre os anos de 2010 e2020, período em que a Petrobras pretende dobrar sua produção. Hoje, Rio de Janeiro e Espírito Santo respondem por 85% da produção e por 91% das reservas de petróleo provadas no Brasil. Tomando os Estados Unidos como exemplo, écomo se a cidade do Rio de Janeiro fosse Houston - onde estão as sedes das petroleiras e onde são tomadas as decisões estratégicas.

Seguindo essa comparação, o norte fluminense e o sul capixaba seriam o golfo do México - onde se concentra a cadeia de fornecedores de produtos e serviços, que tem de ficar o mais perto possível dos campos marítimos. Numa escala muito menor, a região de Macau e Guamaré, no Rio Grande do Norte, também vive seu boom de petróleo. E lá que a Petrobras inaugurou recentemente a Refinaria Potiguar Clara Camarão, a primeira do estado. Além da produção e do refino de petróleo, o norte potiguar vive da força dos ventos - a região responde por 12% da energia eólica produzida no país.

O NOSSO GOLFO DO MÉXICO 

De qualquer ângulo que se examine, a região que une o norte fluminense e o sul capixaba é a maior entre as dez áreas emergentes identificadas pela consultoria Deloitte como as mais promissoras do país. Somadas, as populações dos 15 municípios passam de 1 milhão de habitantes. São 30 000 trabalhadores com ganhos acima de dez salários mínimos (ou 12% da mão de obra), o que os coloca no topo da pirâmide socioeconômica. E um índice semelhante ao da região de Florianópolis, a 13a do ranking brasileiro em tamanho de classes A e B, segundo a consultoria Urban Systems. O PIB, estimado em 65 bilhões de reais, é semelhante ao da Costa Rica.

Apesar de já contar com números impressionantes, o que mais chama a atenção no caso do norte fluminense e sul capixaba são as perspectivas. Essa é a região que concentra a produção e as reservas de petróleo, um lugar onde a exploração do pré-sal já faz jorrar dinheiro.

Um estudo da Firjan, a federação das indústrias do Rio de Janeiro, estima que, de janeiro deste ano a dezembro de 2014, a região receberá 14 bilhões de reais em investimentos do setor industrial. São empresas como a francesa Schlumberger - uma das maiores do mundo em serviços do setor petrolífero, que vende, aluga e opera equipamentos, como ferramentas de perfuração de poços. No final do ano passado, a Schlumberger terminou a duplicação de sua estrutura no país, sediada em Macaé, ao custo de 65 milhões de dólares. Embora a empresa não divulgue o número de funcionários, trata-se de sua maior base operacional fora da França.

A preparação para tornar o potencial do pré-sal uma realidade empurra a infraestrutura. Hoje, quem sobrevoa o norte do Rio de Janeiro avista um congestionamento de embarcações perto do único porto da região, o da Petrobras, localizado em Macaé. São barcos que levam e trazem equipamentos e suprimentos para atividades nas plataformas, os "caminhões e tratores do mar". Um passeio de helicóptero também revela que esse engarrafamento tem prazo para acabar. Atualmente, quatro portos, três no Rio e um no Espírito Santo, estão em construção ou em fase de licenciamento.

O porto do Açu, do empresário Eike Batista, em São João da Barra, no extremo norte do Rio de Janeiro, será o maior de todos. Terá capacidade de receber nove navios simultaneamente em 2012 e, quando estiver pronto, provavelmente em 2016, poderá receber 40 embarcações. Funcionários da coreana Hyundai Heavy Industries - que construirá, dentro do porto do Açu, o estaleiro da OSX, empresa de construção naval do grupo de Eike - já estão na região.

Caso esses investimentos se transformem em obras e em produção, o norte fluminense e o sul capixaba receberão uma nova massa de trabalhadores e, portanto, de consumidores. "São pessoas que precisarão de casas, hospitais, escolas e vários outros serviços, o que abre um leque enorme de oportunidade para negócios", afirma Cristiano Prado, gerente de competitividade industrial e investimentos da Firjan. Parte da movimentação esperada já pode ser vista. O Boulevard Shopping Campos, inaugurado em abril deste ano pelo grupo carioca Aliansce - que detém participação em 15 shopping centers em todo o país -, sofisticou o varejo da região. "Muita gente que só fazia compras na capital agora consome aqui", diz Marcelo Oliveira, superintendente do Boulevard Shopping Campos.

A primeira concessionária Mitsubishi de Campos, inaugurada em agosto, tem vendido 30 carros por mês com preço médio de 90 000 reais. No primeiro mês de operação, a loja bateu a meta de vendas esperada para ser atingida entre o quarto e o sexto mês. "Não me lembro de um começo tão forte em nenhum outro lugar do Brasil", afirma Fernando Matarazzo, diretor comercial da Mitsubishi. No início do próximo ano, os revendedores da marca devem abrir uma nova loja, no município vizinho de Macaé. 
Com a chegada de construtoras e investidores de várias partes do país, o setor imobiliário renasceu. "Estamos aqui porque nossa estratégia é sempre ir atrás do crescimento do PIB", afirma Onito Barbosa, diretor da gestora de recursos Global Equity, que administra um fundo imobiliário de 500 milhões de reais e tem entre os cotistas a Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil. A Global Equity tem três investimentos previstos para a região. Em Macaé, devem ser erguidos um prédio corporativo e um flat. Em Campos, está prevista a construção de um edifício comercial. Hoje, no norte fluminense e no sul capixaba, pouca gente duvida de que a corrida do petróleo já é uma realidade.

BONS VENTOS NA "ESQUINA DO BRASIL"

Na maior parte do trajeto, é monótona a viagem pelos cerca de 180 quilômetros que separam Natal e Macau, no Rio Grande do Norte. Por quase toda a extensão, o que se vê são pequenos municípios inexpressivos e pobres em meio à terra seca do sertão potiguar. É só ao chegai' à região de Macau, já nas proximidades do litoral, que a paisagem começa a mudar. Ali, logo fica claro quais são os dois maiores símbolos do crescimento econômico do lugar: os "cata-ventos" e os "cavalos de pau". Os cata-ventos são equipamentos de mais de 100 metros de altura que convertem energia eólica em elétrica. Os cavalos de pau são as máquinas que extraem petróleo do solo - dos 59 600 barris diários produzidos no Rio Grande do Norte, 85% saem de poços localizados em terra.

Comparada à produção fluminense, a potiguar parece um pingo de petróleo - são 595 milhões de barris por ano no Rio de Janeiro ante 21 milhões no Rio Grande do Norte. Mas, na economia local, essa quantidade, a terceira maior entre os estados brasileiros, tem sido suficiente para modificar o" panorama. Desde a década de 80, a 
Petrobras investiu mais de 1,5 bilhão de dólares na região conhecida como "a esquina do Brasil", por ficar próxima ao extremo leste do litoral brasileiro. Recentemente, a estatal inaugurou em Guamaré a Refinaria Potiguar Clara Camarão, a primeira do estado. As obras incluíram a criação de uma unidade de produção de gasolina e uma instalação marítima para ancoragem de navios-tanque que recebem os derivados. Hoje, a cidade de Guamaré concentra as atividades de tratamento do petróleo e do gás produzido no Rio Grande do Norte e no Ceará.

A maior parte dos mais de 2 500 empregados da Petrobras no estado divide-se entre Guamaré e a capital, Natal. Se o petróleo é relativamente pouco, os ventos são freqüentes e abundantes, transformando o Rio Grande do Norte em um dos grandes produtores de energia eólica do país. O estado responde por 16% da produção brasileira.

Nos últimos três anos, o Rio Grande do Norte tornou-se líder em novos projetos eólicos. Se todos os investimentos forem executados no prazo, a região norte do estado deverá ter, no total, mais de 2 000 megawatts instalados até o final de 2013. Hoje, das oito usinas eólicas em operação no Rio Grande do Norte, seis estão em Macau e Guamaré. Somente a Bioenergy, empresa brasileira com sede em São Paulo, está instalando 24 empreendimentos de geração de energia eólica na região. A própria Petrobras colocou em operação, em novembro, o maior parque eólico do estado, com capacidade para abastecer uma cidade com cerca de 350 000 habitantes. O local escolhido para a instalação dos aero-geradores foi o entorno da Refinaria Potiguar Clara Camarão.

O desafio agora é levar os benefícios do aumento dos investimentos ao conjunto da população local. Na maioria dos casos, os trabalhadores da região ocupam os postos de baixa remuneração tanto na Petrobras quanto nas prestadoras de serviço e nos trabalhos de manutenção das fazendas eólicas. "Como a região é muito carente de mão de obra especializada, buscamos os profissionais mais qualificados em centros como Natal e Fortaleza", afirma Josué Galvão, um dos sócios da empresa de engenharia MGF, de Natal, que presta serviço para a Petrobras e tem um escritório em Guamaré. Dinheiro para qualificai' os trabalhadores locais não parece ser um grande problema. No ano passado, os municípios de Macau e Guamaré receberam, juntos, aproximadamente 43 milhões de reais em royalties de petróleo. Se toda essa verba fosse aplicada nas escolas freqüentadas pelos 13 500 jovens e crianças da região, seria possível dobrar o investimento anual per capita em educação.

O Rio Grande do Norte é um dos estados com os piores índices educacionais do país. De acordo com o último Ideb, índice que mede a qualidade do ensino básico no Brasil, os alunos do ensino médio do Rio Grande do Norte ficaram com nota 3,1, numa escala de 0 a 10. Entre todos os estados do país, o Rio Grande do Norte foi o segundo pior, só à frente do Piauí. Os bons ventos da economia poderiam servir para reverter esse quadro.

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