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SustentHabilidade

Opinião e realizações

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Graça Foster: “Investimos em eólicas para ter retorno e para gerar energia de verdade"


Ao entregar prontas as primeiras eólicas do leilão de 2009 em tempo recorde, a comandante de todos os investimentos da Petrobras em gás e energia, em entrevista exclusiva à E&RN, declara que torce para que a energia eólica a R$98/MWh vire elétron de fato: “Não sabemos como gerar com eólicas a este preço, mas queremos aprender”.

A diretora de Gás e Energia da Petrobras, Graça Foster, tem sob sua responsabilidade  importantes ações como a ampliação da malha de gasodutos, a busca de flexibilidade no suprimento de gás natural ao mercado brasileiro, a administração das fábricas de fertilizantes e de ativos de geração de energia elétrica, como termelétricas e Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), além dos investimentos em outras fontes renováveis, como energia eólica e solar. A diretora lidera um montante de mais de US$ 13 bilhões em investimentos a serem realizados pela empresa no período 2011-2015 nestas áreas.

Mineira de Caratinga, formada pela Universidade Federal Fluminense, Graça Foster começou como estagiária na Petrobras aos 24 anos, no centro de pesquisas da empresa - o CENPES, trabalhando nas áreas de perfuração e produção. Ao longo de sua carreira na empresa, além do conhecimento técnico, desenvolveu também uma vocação natural de liderança que logo a projetou como organizadora de áreas ou subsidiárias em fase de grandes desafios. Assim, participou ativamente da viabilização e construção do Gasoduto Bolivia-Brasil e chegou a presidente da TBG. Entre 2003 e 2006, foi convidada pela então Ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff para organizar a Secretaria de Petróleo e Gás. Presidiu também a Petroquisa e a Petrobras Distribuidora, e está à frente da área de Gás e Energia da Petrobras desde setembro de 2007, onde reverteu o resultado de prejuízo deste setor na empresa à época, para um resultado positivo de R$1.2 bilhão no primeiro semestre de 2011.

Nesta entrevista exclusiva à Energia&RN, a primeira mulher a assumir uma diretoria da Petrobras conversa com o diretor do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), Jean-Paul Prates, sobre os investimentos e projetos da Petrobras na sua área e, em especial, sobre o panorama atual das energias renováveis no Brasil e, em especial, na região RN/CE.


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JPP - Os 4 parques eólicos do complexo Mangue Seco, localizado em Guamaré-RN, que têm a Petrobras como sócia majoritária, tiveram a sua construção concluída em tempo recorde – tornando-se os primeiros empreendimentos eólicos do Leilão de 2009 a entrar em operação. A que se deveu este sucesso?

GF - Estes projetos tiveram sua construção e operação antecipadas em 8 meses.  Esse sucesso deve-se ao planejamento e ao acompanhamento da implantação junto à empresa contratada (Wobben) para executar a obra. Desde antes de ir para o leilão, nós trabalhamos com tudo já equacionado: desde o financiamento desenhado e aprovado até o termo de compromisso vinculante com o EPCista (que instala o parque eólico). A gente trabalhou com a Wobben em Mangue Seco I, II, IV e V e a construção em tempo recorde permitirá a antecipação de receitas e melhorará o resultado econômico desses projetos. Além da satisfação com o sucesso da obra, este empreendimento nos traz um grande aprendizado, já que foi a primeira vez que a Petrobras realizou projetos eólicos em escala comercial. Esta experiência tornará a Petrobras mais eficaz para a concepção e realização de novos projetos como os que estão em desenvolvimento.

JPP - Quais foram os principais desafios e dificuldades enfrentadas nestas obras?

GF - É um trabalho que exige muita mão-de-obra, o mercado está muito aquecido então isso exige formar pessoas durante os trabalhos. O nível de escolaridade, ainda baixo, faz com que você tenha que trainar trabalhadores ao longo da jornada de trabalho.  Ele tem que ler e entender o que está lendo, para poder trabalhar numa obra destas. Então às vezes precisamos fazer aulas de reforço, consolidar conceitos de segurança operacional.  Tem também a questão da logística que é pesada e complexa. Mas, no conjunto, deu tudo certo porque terminamos 8 meses antes do previsto. Então foram dificuldades perfeitamente superáveis. Vamos faturar uma receita antecipada, mesmo sabendo que o VPL (valor presente líquido) é pequeno – pequeno, para a Petrobras – mas é o VPL típico e médio destes projetos eólicos novos.

JPP - A propósito, por ocasião destes preços baixos, chegou-se a comentar que algumas estatais estariam se contentando com preços e taxas de retorno mais baixos que o razoável, por terem estofo governamental. Isso procede?

GF - Quanto à Petrobras, certamente não. Para nós, energia de qualquer tipo tem que dar retorno adequado. Nós temos PCHs, temos eólicas, temos térmicas a gás, a óleo. Mas todas têm que dar resultado positivo porque objetivamente nós vamos fazer. Você pode contar com aquela energia naquele dia, naquela hora, que nós vamos entregar. Então eu não tenho como baixar taxa de retorno para poder viabilizar um VPL positivo porque isso é artificial. Não há milagre neste negócio.  

JPP - Ainda segundo o Plano de Negócios 2011-2015, dos US$ 13 bilhões de investimentos em Gás/Energia, 21% (US$ 2,8 bi) estão assinalados como sendo para "energia elétrica". A Petrobras, através da sua diretoria, tem apostado em energias renováveis, com destaque para parques eólicos (4 dos quais localizados no RN). É possível, dentro deste 21% de energia elétrica, destacar quanto do seu investimento quinquenal será dedicado à energia eólica e às outras fontes renováveis?

GF -  O Gás e Energia focará sua atuação nos próximos leilões de energia nova por meio da geração termelétrica a gás natural. Assim, o PN 2011-2015 não prevê investimentos em novos projetos de energia eólica e outras fontes renováveis. Entretanto, a Petrobras continua trabalhando no desenvolvimento de um portfólio de projetos de fontes renováveis. Atualmente, há estudos para implantação de projetos eólicos nos estados do Rio Grande do Norte e Ceará que passarão por processos de avaliação de oportunidades e poderão ser incluídos nos próximos planos de negócios.

JPP - O que aconteceu? Os preços baixos das eólicas no último leilão lhe surpreenderam mesmo?

GF – É. A gente quer observar, acompanhar a performance destas tecnologias, para que a gente possa aprender. Eu torço para que esta energia eólica de 98 reais por MWh vire elétron de fato, porque nós da Petrobras queremos aprender como é que se faz a este preço. Inclusive contratamos o Centro de Tecnologias do Gás & Energias Renováveis (CTGAS-ER), para acompanhar a performance destes equipamentos e do projeto como um todo, porque ainda não sabemos fazer energia eólica a este preço. 

JPP - Há planos concretos para investimento da Petrobras em geração de energia a partir de fonte solar?

GF - Hoje a Petrobras não possui projetos de energia solar em seu plano de investimentos, mas desenvolve, por meio do  Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (CENPES) e junto ao Centro de Tecnologias do Gás & Energias Renováveis (CTGAS-ER), a pesquisa e o desenvolvimento na área de energia solar fotovoltaica e solar térmica. Nós apostamos que, no médio prazo, a energia solar se tornará comercialmente viável para geração concentrada. Nesse sentido, a Companhia se inscreveu na chamada pública da ANEEL, de 24/10/2011, para desenvolvimento e posterior instalação de planta piloto solar fotovoltaica de 1 MW no Rio Grande do Norte.


JPP - Qual a importância do CTGAS-ER hoje no desenvolvimento das energias renováveis no Brasil? Que sucessos destacaria nestes dois anos de expansão e aprimoramentos que acrescentaram as renováveis ao segmento de gás natural, nas suas atividades?

GF - Ah, eu sou completamente apaixonada pelo CTGAS. É como se fosse meu filhinho mais novo. O filho mais velho é o CENPES, e o mais novo é o CTGAS. E dentro dele, particularmente a área de energias renováveis que tem me entusiasmado muito. Desde que implantamos lá a atividade de Energias Renováveis a partir de 2009, passando a se chamar CTGAS-ER, nós objetivamos torná-lo, tal como é para as atividades de gás, uma referência para energias renováveis. O CTGAS-ER conta com estrutura e profissionais para a realização de trabalhos de educação profissional, serviços técnicos e tecnológicos nas áreas de energia eólica e Pequenas Centrais Hidrelétricas, e está desenvolvendo atuação na área de energia solar. Assim, o CTGAS-ER é, em 2011, um dos centros mais importantes para o desenvolvimento de energias renováveis no Brasil. E como mencionei, o CTGAS-ER participa ativamente do acompanhamento da construção e operação dos parques eólicos do complexo de Mangue Seco.

JPP - Com relação à área de gás, durante o lançamento do Plano de Negócios em que a Petrobras estabeleceu estes montantes por área, a diretora declarou que a Petrobras fechou o ciclo da montagem da malha de gás e que agora “está na hora de tirar proveito disso com o mínimo investimento e o máximo de retorno”. Como isso será implementado?

GF - Dos US$ 13,2 bilhões que a área de Gás e Energia investirá, neste PN 2011-2015, US$ 3,4 bilhões serão destinados à infraestrutura com foco em processamento de gás e pontos de entrega, sem adicionar novos dutos à malha que concluímos em 2011. Foram investidos US$ 15 bilhões de 2007 a 2011 na ampliação e integração desta malha de gasodutos e agora vamos maximizar o retorno sobre este investimento ampliando o mercado e trabalhando lado a lado com as distribuidoras. A Petrobras vai estar mais próxima do consumidor e criar novas formas de comercialização com ênfase no Mercado Secundário, que é o gás que colocamos a preços menores para a indústria bicombustível nos momentos em que as termelétricas não estão operando.

JPP - Apenas para contextualizar o leitor da nossa região, temos o GASENE finalizado e as perspectivas de produção de gás das bacias de Santos e Campos (inclusive pré-sal) aumentando. O sistema nacional está unificado? Estamos aptos a consumir uma molécula de gás do campo de Mexilhão ou da Bolívia em Fortaleza, se necessário? O sistema de importação de Gás Natural Liquefeito (GNL) ainda será necessário? Por quanto tempo? E com a Bolívia? Como estão as relações?

GF - Hoje operamos uma malha de transporte integrada, do Rio Grande do Sul ao Ceará. Quando há um acréscimo de demanda no Rio Grande do Norte, por exemplo, a oferta de gás poderá ser incrementada seja nas bacias produtoras da Petrobras, seja por meio da importação da Bolívia ou de GNL. Todos estes recursos precisam estar disponíveis para atender ao mercado e sua utilização será mais intensa conforme o despacho termelétrico. Não podemos prescindir dos terminais de importação de GNL pois temos compromissos de longo-prazo com o setor elétrico. No caso da Bolívia, o contrato em vigor vai até 2019 e será necessário iniciar em breve as negociações para a contratação além deste horizonte.

JPP – Como anda a chegada de gás liquefeito importado em Pecém-CE? Quanto chega?

GF – O GNL está entrando regularmente em Pecém, É “na base”, como se diz, numa média 2,5 milhões de metros cúbicos por dia de GNL que pode vir do Catar, de Trinidad ou de Mexilhão (Bacia de Santos). Este gás vai sendo inserido, junto com o gás produzido localmente, no sistema Gasfor-Nordestão para consumo da região - inclusive da TermoFortaleza e da Termoaçu (que produz vapor para recuperação dos campos de petróleo mas também gera energia para o sistema nacional). Às vezes essa importação de GNL pode atingir 4,5 milhões de metros cúbicos por dia. Não chega aos 7 milhões da capacidade total prevista inicialmente porque infelizmente a térmica José de Alencar (do Grupo Bertin) nunca saiu do papel embora tenha um terminal e um ponto de entrega dedicado a ela. Há dois meses atrás eles perderam o contrato e agora aquele gás está no balanço e já está sendo dedicado por nós a outros consumidores.


GF - As distribuidoras estão implantando seus projetos de expansão das redes de gasodutos oferecendo o gás natural em novos municípios e a todos os segmentos de mercado.  No Rio Grande do Norte, a Potigás está construindo um gasoduto, ao longo da Via Costeira de Natal, que oferecerá o gás natural para 12 Resorts e vários hotéis na região de Ponta Negra.  A expansão da rede permitirá à Potigás dobrar, já em 2012, o número de residências atendidas e ampliar o fornecimento ao segmento comercial, em restaurantes e panificações.  No setor industrial, os segmentos de mineração e cimento são o foco dos estudos de planejamento da expansão da companhia.  No Ceará, a Cegás iniciou um plano de expansão de mais 137 km de rede para atender 46 mil residências e comércios em Fortaleza até 2015. Oportunidades no Porto de Pecém estão sendo avaliadas e farão parte do planejamento da expansão da companhia. Na Paraíba, a PBGás implantará o projeto de atendimento aos mercados residencial e comercial de Campina Grande, com potencial de ligação de 2 mil clientes. Estão em fase de negociação projetos de cogeração em duas indústrias e em um shopping center. Com a vocação turística destas regiões, o gás natural tem um papel fundamental na sustentabilidade do desenvolvimento econômico aliado à preservação das riquezas naturais.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

CERNE é oficialmente apresentado aos integrantes da REDEPETRO RN


O diretor-geral do CERNE (Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia), Jean-Paul Prates, participou , na noite de 15 de Dezembro, da Assembleia Ordinária da REDEPETRO RN, em Mossoró.
Durante o encontro, o diretor-geral apresentou oficialmente o CERNE aos associados da rede, falou sobre os projetos que estão em curso e explicou o funcionamento dos grupos de trabalho interno.  Além disso, o diretor-geral discorreu sobre as perspectivas das indústrias do petróleo e eólica, tanto no Brasil, quanto no Rio Grande do Norte.
Essa foi a primeira participação do CERNE nas atividades da REDEPETRO RN, após o convênio firmado em outubro de 2011, durante a inauguração oficial do CERNE.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

NORTE POTIGUAR: RN É DESTAQUE NA REPORTAGEM "UM PAÍS CHEIO DE ENERGIA" DA REVISTA EXAME (14/12/2001)

A revista EXAME traz esta semana (14/Dez/2011) um conjunto de reportagens de capa sobre "A marcha da economia brasileira".  Um dos capítulos dedica-se ao tema "Um País cheio de energia". Nesta reportagem, a principal revista de negócios brasileira destaca DUAS regiões do Brasil em que os investimentos em ENERGIA foram determinantes para a completa transformação da vida econômica e social local, e onde se projeta um futuro bem melhor que o passado. 
Uma destas regiões é o NORTE POTIGUAR, a "esquina do Brasil", onde, segundo a EXAME, a instalação da REFINARIA POTIGUAR CLARA CAMARÃO (RPCC) e os PARQUES EÓLICOS modificaram o panorama da região.
Ainda na reportagem de Lucas Vetorazzo, a EXAME afirma: "Nos últimos três anos, o Rio Grande do Norte tornou-se líder em novos projetos eólicos". 
Temos orgulho e ter participado desta história ao lutar até conseguir, mesmo contra todas as incredulidades e todo o desprezo, pela Refinaria Clara Camarão - cuja dimensão pode não ser a sonhada, mas é real e condizente com o que nos legaram em termos de infra-estrutura portuária oceânica e acessos. E, principalmente, por ter saído praticamente do ZERO em termos de geração de energia naquela região (bem como no Mato Grande e na Serra de Santana), para hoje ter mais de 3.000 MW garantidos e contratados, com financiamentos e obras saindo ao longo destes próximos anos, trazendo benefícios a toda economia.
É uma grande satisfação honrar a cidadania recebida. 
A seguir, a reprodução da matéria. E na lateral direita deste blog, os clippings de todo o período que contam um pouco da história de tudo isso, ao longo de 2008-2010.

Jean-Paul Prates.












Um país cheio de energia


Fonte: Revista Exame
Autor: Lucas Vettorazzo


A descoberta do pré-sal, em 2007, catapultou o Brasil para uma posição de destaque entre os países com os maiores potenciais energéticos do planeta. Pelos estudos realizados até agora, os novos campos elevarão as reservas brasileiras de petróleo de 14 bilhões para 50 bilhões de barris, o suficiente para colocar o país como ponto estratégico no mapa das maiores empresas ligadas ao setor - se tudo der certo com a aventura do pré-sal, devemos passar da 17a para a sétima posição em reservas no mundo.

Um estudo feito pela consultoria americana Booz mostra que empresas do setor de óleo egás que operam no Brasil consumirão 400 bilhões de dólares em bens e serviços aqui e no exterior entre os anos de 2010 e2020, período em que a Petrobras pretende dobrar sua produção. Hoje, Rio de Janeiro e Espírito Santo respondem por 85% da produção e por 91% das reservas de petróleo provadas no Brasil. Tomando os Estados Unidos como exemplo, écomo se a cidade do Rio de Janeiro fosse Houston - onde estão as sedes das petroleiras e onde são tomadas as decisões estratégicas.

Seguindo essa comparação, o norte fluminense e o sul capixaba seriam o golfo do México - onde se concentra a cadeia de fornecedores de produtos e serviços, que tem de ficar o mais perto possível dos campos marítimos. Numa escala muito menor, a região de Macau e Guamaré, no Rio Grande do Norte, também vive seu boom de petróleo. E lá que a Petrobras inaugurou recentemente a Refinaria Potiguar Clara Camarão, a primeira do estado. Além da produção e do refino de petróleo, o norte potiguar vive da força dos ventos - a região responde por 12% da energia eólica produzida no país.

O NOSSO GOLFO DO MÉXICO 

De qualquer ângulo que se examine, a região que une o norte fluminense e o sul capixaba é a maior entre as dez áreas emergentes identificadas pela consultoria Deloitte como as mais promissoras do país. Somadas, as populações dos 15 municípios passam de 1 milhão de habitantes. São 30 000 trabalhadores com ganhos acima de dez salários mínimos (ou 12% da mão de obra), o que os coloca no topo da pirâmide socioeconômica. E um índice semelhante ao da região de Florianópolis, a 13a do ranking brasileiro em tamanho de classes A e B, segundo a consultoria Urban Systems. O PIB, estimado em 65 bilhões de reais, é semelhante ao da Costa Rica.

Apesar de já contar com números impressionantes, o que mais chama a atenção no caso do norte fluminense e sul capixaba são as perspectivas. Essa é a região que concentra a produção e as reservas de petróleo, um lugar onde a exploração do pré-sal já faz jorrar dinheiro.

Um estudo da Firjan, a federação das indústrias do Rio de Janeiro, estima que, de janeiro deste ano a dezembro de 2014, a região receberá 14 bilhões de reais em investimentos do setor industrial. São empresas como a francesa Schlumberger - uma das maiores do mundo em serviços do setor petrolífero, que vende, aluga e opera equipamentos, como ferramentas de perfuração de poços. No final do ano passado, a Schlumberger terminou a duplicação de sua estrutura no país, sediada em Macaé, ao custo de 65 milhões de dólares. Embora a empresa não divulgue o número de funcionários, trata-se de sua maior base operacional fora da França.

A preparação para tornar o potencial do pré-sal uma realidade empurra a infraestrutura. Hoje, quem sobrevoa o norte do Rio de Janeiro avista um congestionamento de embarcações perto do único porto da região, o da Petrobras, localizado em Macaé. São barcos que levam e trazem equipamentos e suprimentos para atividades nas plataformas, os "caminhões e tratores do mar". Um passeio de helicóptero também revela que esse engarrafamento tem prazo para acabar. Atualmente, quatro portos, três no Rio e um no Espírito Santo, estão em construção ou em fase de licenciamento.

O porto do Açu, do empresário Eike Batista, em São João da Barra, no extremo norte do Rio de Janeiro, será o maior de todos. Terá capacidade de receber nove navios simultaneamente em 2012 e, quando estiver pronto, provavelmente em 2016, poderá receber 40 embarcações. Funcionários da coreana Hyundai Heavy Industries - que construirá, dentro do porto do Açu, o estaleiro da OSX, empresa de construção naval do grupo de Eike - já estão na região.

Caso esses investimentos se transformem em obras e em produção, o norte fluminense e o sul capixaba receberão uma nova massa de trabalhadores e, portanto, de consumidores. "São pessoas que precisarão de casas, hospitais, escolas e vários outros serviços, o que abre um leque enorme de oportunidade para negócios", afirma Cristiano Prado, gerente de competitividade industrial e investimentos da Firjan. Parte da movimentação esperada já pode ser vista. O Boulevard Shopping Campos, inaugurado em abril deste ano pelo grupo carioca Aliansce - que detém participação em 15 shopping centers em todo o país -, sofisticou o varejo da região. "Muita gente que só fazia compras na capital agora consome aqui", diz Marcelo Oliveira, superintendente do Boulevard Shopping Campos.

A primeira concessionária Mitsubishi de Campos, inaugurada em agosto, tem vendido 30 carros por mês com preço médio de 90 000 reais. No primeiro mês de operação, a loja bateu a meta de vendas esperada para ser atingida entre o quarto e o sexto mês. "Não me lembro de um começo tão forte em nenhum outro lugar do Brasil", afirma Fernando Matarazzo, diretor comercial da Mitsubishi. No início do próximo ano, os revendedores da marca devem abrir uma nova loja, no município vizinho de Macaé. 
Com a chegada de construtoras e investidores de várias partes do país, o setor imobiliário renasceu. "Estamos aqui porque nossa estratégia é sempre ir atrás do crescimento do PIB", afirma Onito Barbosa, diretor da gestora de recursos Global Equity, que administra um fundo imobiliário de 500 milhões de reais e tem entre os cotistas a Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil. A Global Equity tem três investimentos previstos para a região. Em Macaé, devem ser erguidos um prédio corporativo e um flat. Em Campos, está prevista a construção de um edifício comercial. Hoje, no norte fluminense e no sul capixaba, pouca gente duvida de que a corrida do petróleo já é uma realidade.

BONS VENTOS NA "ESQUINA DO BRASIL"

Na maior parte do trajeto, é monótona a viagem pelos cerca de 180 quilômetros que separam Natal e Macau, no Rio Grande do Norte. Por quase toda a extensão, o que se vê são pequenos municípios inexpressivos e pobres em meio à terra seca do sertão potiguar. É só ao chegai' à região de Macau, já nas proximidades do litoral, que a paisagem começa a mudar. Ali, logo fica claro quais são os dois maiores símbolos do crescimento econômico do lugar: os "cata-ventos" e os "cavalos de pau". Os cata-ventos são equipamentos de mais de 100 metros de altura que convertem energia eólica em elétrica. Os cavalos de pau são as máquinas que extraem petróleo do solo - dos 59 600 barris diários produzidos no Rio Grande do Norte, 85% saem de poços localizados em terra.

Comparada à produção fluminense, a potiguar parece um pingo de petróleo - são 595 milhões de barris por ano no Rio de Janeiro ante 21 milhões no Rio Grande do Norte. Mas, na economia local, essa quantidade, a terceira maior entre os estados brasileiros, tem sido suficiente para modificar o" panorama. Desde a década de 80, a 
Petrobras investiu mais de 1,5 bilhão de dólares na região conhecida como "a esquina do Brasil", por ficar próxima ao extremo leste do litoral brasileiro. Recentemente, a estatal inaugurou em Guamaré a Refinaria Potiguar Clara Camarão, a primeira do estado. As obras incluíram a criação de uma unidade de produção de gasolina e uma instalação marítima para ancoragem de navios-tanque que recebem os derivados. Hoje, a cidade de Guamaré concentra as atividades de tratamento do petróleo e do gás produzido no Rio Grande do Norte e no Ceará.

A maior parte dos mais de 2 500 empregados da Petrobras no estado divide-se entre Guamaré e a capital, Natal. Se o petróleo é relativamente pouco, os ventos são freqüentes e abundantes, transformando o Rio Grande do Norte em um dos grandes produtores de energia eólica do país. O estado responde por 16% da produção brasileira.

Nos últimos três anos, o Rio Grande do Norte tornou-se líder em novos projetos eólicos. Se todos os investimentos forem executados no prazo, a região norte do estado deverá ter, no total, mais de 2 000 megawatts instalados até o final de 2013. Hoje, das oito usinas eólicas em operação no Rio Grande do Norte, seis estão em Macau e Guamaré. Somente a Bioenergy, empresa brasileira com sede em São Paulo, está instalando 24 empreendimentos de geração de energia eólica na região. A própria Petrobras colocou em operação, em novembro, o maior parque eólico do estado, com capacidade para abastecer uma cidade com cerca de 350 000 habitantes. O local escolhido para a instalação dos aero-geradores foi o entorno da Refinaria Potiguar Clara Camarão.

O desafio agora é levar os benefícios do aumento dos investimentos ao conjunto da população local. Na maioria dos casos, os trabalhadores da região ocupam os postos de baixa remuneração tanto na Petrobras quanto nas prestadoras de serviço e nos trabalhos de manutenção das fazendas eólicas. "Como a região é muito carente de mão de obra especializada, buscamos os profissionais mais qualificados em centros como Natal e Fortaleza", afirma Josué Galvão, um dos sócios da empresa de engenharia MGF, de Natal, que presta serviço para a Petrobras e tem um escritório em Guamaré. Dinheiro para qualificai' os trabalhadores locais não parece ser um grande problema. No ano passado, os municípios de Macau e Guamaré receberam, juntos, aproximadamente 43 milhões de reais em royalties de petróleo. Se toda essa verba fosse aplicada nas escolas freqüentadas pelos 13 500 jovens e crianças da região, seria possível dobrar o investimento anual per capita em educação.

O Rio Grande do Norte é um dos estados com os piores índices educacionais do país. De acordo com o último Ideb, índice que mede a qualidade do ensino básico no Brasil, os alunos do ensino médio do Rio Grande do Norte ficaram com nota 3,1, numa escala de 0 a 10. Entre todos os estados do país, o Rio Grande do Norte foi o segundo pior, só à frente do Piauí. Os bons ventos da economia poderiam servir para reverter esse quadro.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Rio Grande do Norte se destaca em projeto para leilão de energia


 O Rio Grande do Norte se destaca, mais uma vez, no número de projetos para a geração de energia eólica. 53 projetos potiguares foram habilitados para participar do leilão de geração de energia elétrica que será realizado pelo Governo Federal no próximo dia 20 de dezembro.







O Leilão de Energia Nova A-5/2011 tem 231 projetos habilitados para gerarem 6.286 megawatts (MW) de potência instalada. Seguindo a tendência dos últimos leilões, o setor de energia eólica é o que apresenta um maior número de projetos. São 205 parques eólicos, que devem gerar 5.149 MW de energia. Foram habilitadas ainda usinas hidrelétricas, centrais hidrelétricas de pequena capacidade (até 30MW) e termelétricas movidas a bagaço de cana-de-açúcar.

O Rio Grande do Sul foi o que mais apresentou projetos de parques eólicos: 58. Em seguida vem o RN com 53 e, em terceiro lugar, está o Ceará com 51 projetos habilitados. O objetivo do leilão é suprir a demanda das empresas distribuidoras de energia elétrica para o ano de 2016. (J.C.)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

RIO GRANDE DO NORTE: VENTOS DO DESENVOLVIMENTO



Reportagem do Canal Energia sobre o crescimento econômico do RN, fundamentado no crescimento da energia eólica.

Confira abaixo alguns trechos:


Matheus Gagliano, da Agência CanalEnergia, Reportagem Especial
02/12/2011 

O estado do Rio Grande do Norte é conhecido por suas belas praias e seu encantador visual e recentemente outro aspecto potiguar tem se tornado conhecido e bastante destacado, mas no setor de energia elétrica: os ventos. A energia eólica tem impulsionado novos projetos no estado nos últimos anos e, ao lado da Bahia e do Ceará, é um dos hubs desta fonte renovável de energia. Entre as empresas que investem em energia dos ventos no Rio Grande do Norte está a CPFL Renováveis. Mas as outras áreas do setor também têm a devida atenção das empresas. É o caso da Chesf, que investe em projetos de transmissão no estado e desta forma busca a amenizar alguns dos problemas enfrentados, como é o caso das dificuldades da conexão da geração com a rede elétrica.
Com as eólicas em alta, a expectativa é que o estado cresça também em seu consumo elétrico. Dados do Plano Decenal (PDEE) 2020, da Empresa de Pesquisa Energética, mostram que o Rio Grande do Norte será responsável por 7% da carga total de energia da região Nordeste, com um crescimento média anual da carga pesada no patamar de 4,9% ao ano. Em termos de geração de energia, o Rio Grande do Norte possui hoje uma capacidade instalada de 573 MW. Situado bem no “canto” geográfico do mapa da região Nordeste do país, o Rio Grande do Norte está interligado com outros dois vizinhos para receber a energia. De acordo com os dados da EPE, são seis circuitos de tensão que transmitem a energia para o estado, todos na tensão de 230 kV. Dois destes circuitos estão ligados ao Ceará - outro estado que também tem se destacado bastante na geração eólica – provenientes da estacão Banabuiú. Os demais quatro circuitos são interligados com a Paraíba, situado ao sul potiguar.

ICGs ainda são 
insuficientes 
para o estado


Jean-Paul Prates, do Cerne



A EPE também prevê que o estado tenha mais seis pontos de suprimento de energia nos próximos dez anos. Dentre as obras previstas pelo planejador, há seis linhas de transmissão e dois seccionamento que estão previstos para entrarem em operação a partir do próximo ano. Paralelas às linhas, outras nove subestações estão previstas para entrar no sistema potiguar já a partir deste ano, estendendo-se até 2019. Todas estas obras serão necessárias para que o Estado possa cumprir o aumento de carga previsto para a próxima década. Ainda de acordo com o planejamento traçado pela EPE, a carga projetada para o fim deste ano – incluindo a média e pesada -, deve chegar a algo em torno de 800 MW. Ao fim da década, o estado deverá atingir uma carga próxima a 1.200 MW. Enquanto a carga média e pesada devem atingir esse patamar, o consumo residencial deverá passar de pouco mais de 400 MW para quase 800 MW.
Há algumas décadas, o estado era considerado um verdadeiro “peso” para a região, literalmente falando, na opinião do advogado e economista Jean-Paul Prates, diretor-geral do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne). Apesar do estado ser um reconhecido detentor de grandes reservas petrolíferas e do hoje bastante divulgado potencial eólico, Prates diz que o RN tinha uma representatividade muito pequena diante do cenário nacional de energia. A situação só começou a amenizar um pouco durante a década de 70 quando chegaram as linhas de transmissão que levaram energia gerada pelo Complexo Paulo Afonso, na Bahia. De acordo com Prates, a situação começou a melhorar em 2003, quando foi implantada na região uma política de atenção especial ao setor energético potiguar.
“O resultado foi que, em 2010, o Estado já apresentou uma capacidade instalada para abastecer sua própria demanda elétrica e, melhor ainda, com autonomia de fontes. Petróleo e gás produzidos no estado, vento, biomassa e sol coletados também no seu próprio território. Um sonho de consumo para qualquer país do mundo”, afirma ele. (cont.)

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Jean-Paul Prates, do Cerne, diz que existem regiões com imenso potencial eólico e solar mas só podem se desenvolver diante de um planejamento adequado quanto à construção de linhas de transmissão definitivas. Ele diz que as ICGs, embora desempenhem papéis importantes, são insuficientes para dar conta das necessidades do estado. “Creio que, para ampliar as instalações eólicas e principalmente para inaugurar outra era, a dos empreendimentos solares de maior porte, o RN terá que pensar grande. Terá de estruturar, viabilizar e realizar uma malha elétrica conceitualmente voltada para o escoamento de energia que o Estado será capaz de gerar. Uma realidade nova, completamente diferente da anterior, de importador absoluto”, disse

Matéria disponível na íntegra somente para assinantes do Canal Energia www.canalenergia.com.br


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