titulo

SustentHabilidade

Opinião e realizações

terça-feira, 22 de novembro de 2011

FÓRUM NACIONAL EÓLICO 2011 - RESUMO DOS ACONTECIMENTOS


Dezenas de empresários, especialistas e representantes de instituições envolvidas com o setor energético brasileiro participam, em Natal/RN, dos debates promovidos pela 3a. Edição do Fórum Nacional Eólico.



Na abertura, formaram a mesa representantes da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), do ONS (Organizador Nacional do Sistema), do Ministério do Meio Ambiente, da ABEeólica, do CERNE, do Governo do RN, da Camara Federal e da Assembléia Legislativa do RN.


Nos discursos introdutórios, o tema predominante foram os gargalos que impedem ou retardam o desenvolvimento da energia eólica no Brasil.

O diretor-geral do CERNE, Jean-Paul Prates,  abriu o evento e deu as boas-vindas aos participantes. Ressaltou o bom momento vivido pela energia eólica no Brasil, com mais de 4.500 MW de obras em curso, que totalizam mais de R$15 bilhões de investimento direto. Tudo em menos de cinco anos. "O RN e o Brasil estão sob os olhos críticos e o escrutínio economico-financeiro de todo o mundo. A altíssima competitividade tarifária alcançada nos últimos leilões e o ingresso de um número cada vez maior de investidores interessados no setor chega a assustar alguns, e despertar ceticismo em outros. Mas é responsabilidade de todos fazer com que seu destino seja o sucesso", completou.


Falando em seguida,  o diretor N/NE da ABEeólica, Pedro Cavalcanti, lembou que além de pensar em estrutura, é preciso, também, pensar em investir em treinamento e capacitação.

A representante do Ministério do Meio Ambiente, Ana Lucia Dolabella, falou sobre os impactos ambientais gerados pelos parques eólicos. Enfatizou que um grupo de estudos, formado por representantes de órgãos ambientais de vários Estados, foi criado para analisar esses impactos e construir normatizações que facilitem os trâmites para a criação de novos parques eólicos.
José Carlos de Miranda Farias, da EPE, afirmou que a empresa estuda e já implementa ampliações do sistema em vários Estados, como o RN, BA e RS.  Com isso, novas linhas devem ser construídas e duplicações de linhas já existentes devem ser executadas, de modo a permitir a agregação de novos parques ao sistema.

Maria de Fátima Ximenes, Reitora em exercício da UFRN, ressaltou o papel das Universidades como aliada ao desenvolvimento das Energias Renováveis, já que dispõem de pesquisadores e de ferramentas, que possibilitam a ampliação e disseminação do conhecimento e das tecnologias necessárias ao desenvolvimento do setor.


2º DIA
A manhã do segundo dia do FNE começou com palestras e debates sobre a infraestrutura necessária para a expansão da geração de energia eólica no Brasil.

Rafael Valverde, representante do Governo da Bahia, mostrou um panorama do setor energético baiano e falou sobre as expectativas daquele Estado para o setor. Segundo ele, a previsão é de que o crescimento da energia eólica continue se dando de forma vertiginosa, mas para que isso aconteça, é necessário investir em capacitação e treinamento de mão-de-obra especializada.

O sub-secretário de Desenvolvimento Econômico de MG, Paulo Sérgio Ribeiro, falou sobre o potencial elevado do Estado para a produção de energia eólica (40GW) e sobre a necessidade ainda existente, de se conhecer melhor o regime de ventos, turbulência e impactos nas turbinas, além de realizar melhorias na logística.

Afirmou também que, para que as fontes energéticas complementares possam desenvolver a competitividade, é preciso que sejam realizados leilões específicos para energia solar, biomassa e eólica, a preços ou mecanismos diferenciados,  mantendo uma certa regularidade nos leiloes específicos. “Além disso, avanços no treinamento e desenvolvimento de mão-de-obra são fundamentais”, explicou.


O segundo debate da manhã tratou do desenvolvimento tecnológico necessário para o desenvolvimento dos parques eólicos. Os debatedores foram José Geraldo Saraiva, Diretor do CTGAS-ER - Centro de Tecnologias do Gás e Energias Renováveis; Antonio Medeiros de Oliveira, da DOIS A ENGENHARIA e José Alfredo Ferreira Costa, Professor da UFRN. Além das inovações e da evolução tecnológica no setor, os debatedores falaram sobre as tendências internacionais e sobre o desenvolvimento de tecnologias brasileiras. O representante da Dois A Engenharia explicou que a fase de construção de um parque se torna ainda mais complexa que uma obra normal, devido ao tamanho dos equipamentos e a dimensão da obra. Para ele, o desafio é encontrar alternativas para driblar as dificuldades e agilizar os processos. 


À tarde foi aberta com palestra da presidente executiva da ABEeólica, Élbia Melo. Depois de apresentar a associação, a presidente um retrato da situação da energia eólica no Brasil, mostrando que somos o 16º país com maior capacidade eólica instalada.


A preocupação com geração de energia elétrica é crescente, para que essa produção aconteça dentro de alguns critérios como independência de fontes e de preços e baixa emissão de CO2.  Elbia Melo explicou que no Brasil a demanda por energia é crescente. O incremento médio calculado para o  período de 2011-2020 é de 3.200 MWmed.


Citou também fatores positivos para o aumento na demanda por energia eólica nos próximos anos, tais como a possibilidade de geração descentralizada, mais próxima aos centros consumidores, a possibilidade de micro e mini geração, e o preço das fontes renováveis, que tem se tornado cada vez mais competitivo.

Sobre os leilões, a diretora afirmou que falar em preço antes do momento é temeroso,  pois o preço é uma variável de momento, discreta e totalmente influenciável por outras variáveis, portanto muito difícil de ser prevista.


Complementando o painel sobre  comercialização, o Presidente da MDA Serviços LTDA, Milton Duarte de Araujo, falou sobre o ambiente de comercialização de energia eólica. Para ele, é preciso atentar ao potencial do mercado livre, que hoje representa quase 1/3 do consumo total de energia e cresce mais que o mercado regulado. Araujo mostrou dados da EPE que indicam que no Brasil,  de janeiro a setembro de 2011, o consumo total de energia elétrica foi de 321.069Mw/h, sendo que o consumo residencial corresponde à maior parte e foi de aproximadamente 83.000Mw/h.




Finalizando, o presidente da MDA Serviços ressaltou que até 2015 15.000MW terão os contratos vencidos. "A recontratacão, que será necessária para suprir essa demanda, abrirá espaço para uma entrada ainda maior da energia eolica no país", afirmou.
O último painel da 3a Edição do Forum Nacional Eólico tratou dos aspectos ambientais e contou com a presença do Diretor técnico do IDEMA Manuel Jammir Fernandes Junior, do geógrafo Iron Medeiros e do Diretor de Meio Ambiente do CERNE, Hugo Alexandre. 
(N.T.)


--

A 3ª Edição do Fórum Nacional Eólico – Carta dos Ventos foi encerrada nesta terça-feira, 22, com um painel sobre o processo de licenciamento dos parques eólicos. Participaram da mesa Sérgio Macedo, coordenador de Meio Ambiente do Idema,  Onésimo Santos, gestor de arqueologia da superintendência regional do IPHAN/RN e Hugo Fonseca, diretor de Meio Ambiente do CERNE e diretor-geral da empresa de consultoria Bioconsultants. Os trabalhos foram coordenados por Manuel Jammir, do Idema.

Sérgio Macedo detalhou  os documentos necessários à obtenção das licenças para a implantação de um parque eólico. Destacou a importância de um estudo de impacto ambiental embasado, que mostre os impactos provenientes da instalação do parque para a flora e a fauna nativas.
De acordo com o coordenador, o Idema já emitiu 254 licenças de instalação de parques eólicos no RN. A maior parte delas para a região conhecida como Mato Grande.

O gestor de arqueologia do IPHAN,  Onésimo Santos, explicou que para haver a liberação da área pretendida para um parque eólico, existe a necessidade de um estudo arqueológico. Dessa forma, afasta-se a possibilidade de o empreendimento destruir sítios arqueológicos presentes no local. Ele afirmou que no Brasil existem oficialmente mais de 20 mil sítios arqueológicos, sendo 291 no Rio Grande do Norte. Entretanto, o número não oficial mostra que a quantidade de sítios já descobertos no RN chega a mais de 500. 

O consultor ambiental Hugo Fonseca, da Bioconsultants, destacou a importância da aplicação de programas de gestão e educação ambiental em um empreendimento eólico. Para ele,  a empresa que produz energia renovável, deve estar envolvida com o meio que a cerca, de modo a reduzir ao mínimo os impactos gerados no meio ambiente. Outro ponto importante é a interação social. O empreendedor deve conversar com a comunidade local para explicar como funciona a atividade, além de também ouvir o que a comunidade pensa sobre o assunto, para que se possa estabelecer uma relação harmônica. "Com diálogo e a busca de alternativas, os problemas passam a ser menores e mais fáceis de serem solucionados", afirmou.

(J.C. / N.T.)



Crédito fotos: Jorge Corrêa e Jaime Oide (1 e 6). 

Um comentário:

instantinsurance disse...

Este blog é uma representação exata de competências. Eu gosto da sua recomendação. Um grande conceito que reflete os pensamentos do escritor. Consultoria RH

.