titulo

SustentHabilidade

Opinião e realizações

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

CeRNe debate produção de energia por fontes solares em audiência pública


Jean-Paul Prates - Diretor-Geral do CeRNe


O diretor-geral do CeRNe, Jean-Paul Prates, participou de audiência pública, na Assembleia Legislativa do RN. O evento tratou do futuro da energia termosolar no Estado.  Primeiro a palestrar, o diretor-geral explicou a atual situação da produção de energia no Brasil e a distribuição da produção de energia por fonte produtora.
O diretor-geral fez uma retrospectiva do setor energético: explicou que até o ano de 2003 o RN era mero consumidor; não gerava energia. A partir daí, começaram a ser implementadas usinas térmicas e eólicas em várias regiões do Estado. Em 2009 o Governo Federal passou a assegurar, por contratos federais, investimento e construção de usinas de energia. 
Atualmente, segundo dados oficiais, existem 2.141 MW instalados relativos à energia eólica. Somando com o total contratado para entrega em 2013, a produção de energia eólica no RN deve chegar a 4.000 MW até 2014. Isso equivale a  R$10 bilhões em investimentos assegurados para o Estado.
A título de comparação, 1MW de energia produzida é suficiente para  abastecer mil famílias, e gera 10 empregos diretos e 15 indiretos(na fase da construção) e 2 a 3 indiretos (na fase de manutenção).
Com relação à energia termosolar, estudos preliminares mostram que, no Brasil, os melhores locais para a produção estão situados na região nordeste, atingindo os estados do RN, CE, PB e PE.
Para Jean-Paul Prates, os principais desafios da energia solar no Brasil são:
1. Preço  - tende a cair conforme o aumento da demanda e as condições de infra-estrutura,  e também se for pressionado pelos leilões.  Pode baixar também a partir da paridade de rede, que começará a ser implementada no CE em 2013 (produção de energia solar instalada nas residências  vai compensar o valor das contas de energia elétrica)
2. Conexão – linhas de transmissão que permitam às usinas solares desaguarem sua produção energética nas centrais de distribuição. 
3. Instalação de mecanismos de consumo inteligente de energia – smart meeters (devolvem ao morador o valor produzido por ele de energia)
O diretor-geral também destacou o que considera as principais iniciativas em curso no Brasil – incentivos fiscais,  criação de um marco regulatório,  inclusão nos leilões federais e a implementação de smartgrids (em discussão pela agência reguladora - EPE).

O diretor de energia solar fotovoltaica do CeRNe, Diogo Azevedo, falou sobre a evolução do mercado brasileiro no setor. Explicou que, no Brasil, atualmente, a energia solar é utilizada quase unicamente em escala residencial (no aquecimento da água utilizada). Mas, segundo ele, no estado de Pernambuco já existem projetos industriais para utilização de placas térmicas para geração de calor.
Azevedo explicou que a produção de energia solar pode existir em 3 dimensões: em grandes usinas (produtoras de energia elétrica), em médias empresas, que podem se tornar sustentáveis na produção de energia, e o tipo residencial, onde placas no telhado  captam a luz solar e transformam em energia elétrica.

Para o diretor da Abeeólica, Pedro Cavalcante, o caminho da energia produzida por fontes solares foi facilitado, graças ao trabalho realizado pelo setor, para a expansão da energia eólica no Brasil.  O diretor defendeu o uso consorciado das terras onde hoje existem parques eólicos instalados, para a instalação de parques solares e lembrou que o maior gargalo de todas as fontes alternativas de produção de energia é a interligação à rede de distribuição do país.  Pedro Cavalcanti aproveitou o momento para lembrar que, embora novas fontes de produção de energia estejam chegando no Brasil, não se pode descuidar das fontes já instaladas. Para ele, a retirada das linhas de financiamento do Banco do Nordeste pode prejudicar a evolução dos parques eólicos na região.
 
Sergio Palhares, diretor Brasil da Centrotherm Photovoltaics AG mostrou o panorama da produção de energia solar fotovoltaica fora do Brasil. Ele explicou a área de atuação da Centrotherm, que está entre as maiores fornecedoras de equipamentos para a produção de energia solar fotovoltaica do mundo.  Falou da evolução dos preços do silício (mineral essencial para a fabricação de placas solares). O Brasil é o segundo maior produtor do silício utilizado pela indústria fotovoltaica. 
Nos últimos dois anos, os preços da energia solar caíram mais de 30%. Sergio acredita que, no futuro, a energia solar será a mais barata entre todas.

Vladimir Rocha, Professor da UFRN – Falou sobre as estratégias jurídicas possíveis para promover o desenvolvimento da energia termosolar no RN. Para ele, uma das saídas possíveis seria estabelecer a divisão do Estado em microrregiões, de acordo com as características geológicas e geofísicas, e em cada microrregião  estabelecer uma normatização específica adequada.

Pelo SENAI,   o sr. Josenilson Araújo, diretor de Operações,  explicou que no próximo ano a instituição passará a  contar com um comitê técnico setorial da energia solar. O comitê vai indicar quais são as necessidades do mercado. Dessa forma, o Senai poderá  direcionar melhor os cursos de qualificação oferecidos e formar especialistas que serão automaticamente absorvidos pelo mercado.
Na área de energias, o Senai trabalha em parceria com o CTGAS. O centro já dispõe de 2 projetos de estudo instalados, um eólico e um solar. Os projetos buscam desenvolver e testar as tecnologias disponíveis nas condições do RN.

Também pela UFRN, usou a palavra o professor Luiz Guilherme Meira de Sousa. Ele defendeu a ampliação da utilização das energias renováveis e a simplificação das tecnologias, para torna-las acessíveis à população de baixa renda, de modo a permitir, por exemplo, a fabricação de fogões alimentados a energia solar, e a geração de energia elétrica nas pequenas propriedades rurais.

O propositor da audiência, deputado estadual Gustavo Fernandes, falou sobre a importância de gerar discussões voltadas para o desenvolvimento das energias renováveis no RN e se colocou à disposição para a criação de novos momentos como esse.

(N.T.)


Nenhum comentário:

.