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quarta-feira, 13 de julho de 2011

CERNE APÓIA E ESTIMULA DISCUSSÕES SOBRE GESTÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS



Natal, 12/Julho/2011 – Duas visitas, na tarde desta terça-feira, marcaram o fortalecimento das discussões em torno da destinação de resíduos sólidos, encabeçadas pelo Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia, com sede em Natal. A preocupação com o destino do lixo e a necessidade de extinção dos modelos atuais de gestão de resíduos, aliada à entrada em vigor da Política Nacional de Resíduos Sólidos,  em 2 de agosto de 2010, levou os diretores do CERNE a buscarem novas opções, passíveis de serem implantadas no Nordeste brasileiro.
Hoje, segundo dados levantados pela Banca Consultoria, de Brasília, a cada dia são produzidas, em todo o país, cerca de 240 mil toneladas de lixo urbano. Quase dois terços deste(65%) correspondem ao lixo orgânico. O restante se divide em papel (60 ton), metal ( 9,6 ton), vidro e plástico (7,2 ton cada).  Todo esse contingente tem destinos considerados ultrapassados e ambientalmente hostis: 75% vai parar nos lixões, 13% são despejados em aterros controlados, 10% vão para aterros sanitários e uma pequena parte, 2% se destina à reciclagem.
Uma das opções que tem sido encontradas por municípios e empresários é a incineração. Escolha abominada por ambientalistas, pelos altos índices de resíduos e pela grande possibilidade de contaminação do meio ambiente.
Mas para a engenheira e pesquisadora do setor de tecnologia ambiental, Renata Crespo, existem maneiras mais inteligentes e rentáveis de destruição de lixo que a incineração.  Ela, assim como muitos pesquisadores na área, apoia a geração de energia a partir do plasma. Plasma é um gás altamente ionizado, capaz de conduzir eletricidade de baixa voltagem e altíssima amperagem, capaz de atingir temperaturas de até 7.000°C.

Esse tipo de tecnologia promete ser mais abrangente que a incineração, pois permite a utilização de qualquer tipo de resíduo sólido, exceto lixo radioativo, além de ser considerado “eco-friendly”, por incentivar a reciclagem e ser livre de odores. Para Renata, o plasma é o novo destino do lixo. Ela representa a empresa AlterNrg, que desenvolveu um modelo de usina de processamento de resíduos baseada na tecnologia de plasma.
Entre os produtos que podem ser gerados pela usina de plasma estão eletricidade,  vapor, etanol e diesel,  além de plástico reciclado, metais, britas e lã de rocha ou areia (dependendo do método de resfriamento utilizado).  Para os defensores, o grande trunfo do plasma  não está somente na geração de renda ocasionada pelos produtos gerados, mas também nos resíduos do processo, ou melhor, na falta deles. Segundo eles, se o processamento for realizado da maneira correta, não haverá geração de cinzas, nem formação de fumaça ou gases tóxicos.
Segundo os cálculos dos especialistas, uma tonelada de lixo urbano, processada em uma usina de plasma, pode gerar entre 1,0 e 1,3 Mwh de energia elétrica. E esse mesmo volume de resíduos processados é capaz de evitar a emissão de 2 toneladas de CO² na atmosfera. É a maior geração de energia elétrica por tonelada de resíduo, se comparado com outras tecnologias.
O RN foi o pioneiro na instalação de um aterro sanitário no Brasil. O local é administrado pela Braseco, empresa que atua no mesmo segmento na Itália.  Para Henrique Diniz, um dos diretores da empresa, o investimento em novas tecnologias de processamento de resíduos sólidos não só é necessário, como inevitável. Segundo ele, embora a empresa ainda não tenha uma posição firmada a respeito da implantação de uma usina de incineração ou de plasma, a tendência é que a segunda opção seja a escolhida, desde que haja o apoio do poder público.

Além da pesquisadora Renata Crespo, o CEO da empresa alemã Bellwether Gasification Technologies, acompanhado de executivos da Banca Consultoria Empresarial e do advogado André Elali, também estiveram no Cerne durante a tarde. A Bellwether desenvolveu e produz outro modelo de gestão de resíduos baseado na tecnologia de plasma.
O diretor-geral do CERNE, Jean-Paul Prates, reafirmou a intenção do centro em servir como  “ponte” para a aproximação das partes envolvidas no processo. Prates também formalizou o convite à Braseco para que passe a integrar o time de mantenedores/colaboradores da instituição. (NT)

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