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segunda-feira, 2 de maio de 2011

Obama, Osama e o ciclo final da Era do Petróleo na economia mundial?

Reprodução do artigo de Jean-Paul Prates em O GLOBO, Coluna Além do Petróleo, 02/MAI/2011 (02:06AM).


 Obama, Osama e o ciclo final da Era do Petróleo na economia mundial?


A eliminação do filho rebelde das fúteis fortunas do petróleo saudita, das quais os EUA foram e ainda são sócios fundadores, deverá encerrar o ciclo "11 de setembro", e trazer graduais mas importantes consequências para o setor energético mundial nos próximos 3 anos. 
Foi graças à intervenção no Iraque em reação ao atentados de 11 de setembro de 2001 - "equívoco" voluntário de interpretação da inteligência estratégica bushiana jamais devidamente contestado ou mesmo questionado tanto interna quanto externamente - que a economia mundial viveu uma década de preços de petróleo inflados, gerando prolongada bonança para o setor petrolífero mundialmas, por outro lado, aguçando os argumentos econômicos para o financiamento da pesquisa, desenvolvimento e viabilização de fontes alternativas de energia, principalmente as renováveis e locais. 


Ironicamente, portanto, se Bush, com sua "Guerra ao Terror" no Iraque, deu ao petróleo um último suspiro de dez anos de alta sustentada, talvez Obama venha a ser aquele que inaugurará a Era da Energia Local, ou seja, aquela em que cada país, região ou mesmo localidade tentará viabilizar o uso da fonte energética que mais estiver ao seu alcance para depender cada vez menos do suprimento externo para gerar energia. 
Em tempos em que o mundo árabe, com ou sem petróleo, começa a colocar a política acima da religião (vide Egito, Argélia, Síria, Líbia, Iêmen e Bahrein) Obama sabe que, nem é viável nem ele quer que os EUA continuem a ser encarados (e esperados) como "a polícia do mundo". Valores universais como a liberdade, a democracia, os direitos humanos e a paz deverão ser objeto de busca incessante mas global, não apenas objetos de interpretação e persecução exclusivamente estadunidense. Prova cabal disso é a situação, relativamente patética, vivida hoje pelas forças da OTAN - com direito a disputa de liderança entre os decrépitos políticos Sarkozy (França) e Berlusconi (Itália) - disputando espaço com o ainda mais decrépito Kaddaffi na Líbia, e se sujeitando a se associarem a hordas de maltrapilhas e desconhecidas milícias do Maghreb justamente por ter Obama se negado a abrir mais uma frente de "intervenção" sob liderança norte-americana.


Por outro lado, após ser alvo de críticas, ressentimentos e até sarcasmo por parte de seu próprio povo quanto à firmeza de sua atuação "contra o terror", é o Presidente americano de nome árabe que entrará para a História como aquele que efetivamente atingiu o alvo.


Ao eliminar Bin Laden, Obama: (i) vinga 11 de setembro, (ii) corrige o "erro estratégico de Bush"; (iii) satisfaz os desejos políticos do americano médio que queria ver os EUA fortes ao menos para atingir o alvo certo; (iv) responde às críticas quanto à efetividade de suas ações militares e anti-terror; (v) enfraquece as lideranças árabes mais radicais, abrindo espaço para cabeças mais políticas do que fanáticas, e (vi) ataca cirurgicamente o problema, sem aproveitar-se para gerar inflação petrolífera e atender amigos e sócios. 
Com certeza, o petróleo ainda deverá manter importância ainda vital para a economia mundial nos próximos vinte anos. Mas, o encerramento, hoje, do "ciclo 11 de setembro" encontrará um mundo diferente, transformado pela década estranha que ele próprio gerou. 


A eliminação da face em que o Ocidente se acostumou a reconhecer o comando do terrorismo internacional da atualidade certamente terá importância retórica tanto para a política estadunidense quanto para a geopolítica mundial, mas, sobretudo, poderá representar o marco zero de uma nova ordem mundial em que o Brasil, como nação rica em recursos energéticos locais, renováveis e agora viáveis, além do petróleo novo do pré-sal, se torne uma "Arábia Saudita do Bem", ao invés da outrora "Arábia Saudita do Bin". 

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