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sexta-feira, 6 de maio de 2011

Energia Eólica é tema de audiência pública na Assembleia Legislativa

A audiência pública reuniu na Assembleia Legislativa algumas das maiores autoridades em energias renováveis do país. O propositor, deputado estadual Walter Alves, do PMDB, abriu o evento enfatizando a importância da energia eólica para o desenvolvimento econômico do Estado.
Além do propositor e de alguns parlamentares da casa, participaram do evento o ex-ministro e atual secretário executivo do Ministério de Minas e Energia Marcio Zimmermann,  o ex-secretário estadual de energia e atual diretor-geral do CERNE Jean-Paul Prates, o presidente da Fiern Flavio Azevedo, o diretor da Abeeólica para o Nordeste, Pedro Cavalcante, o Ministro da Previdência Garibaldi Alves Filho, o líder do PMDB na Câmara Federal, deputado Henrique Eduardo Alves, o Senador Paulo Davim (PV), o secretário estadual de desenvolvimento econômico Benito Gama, além de  representantes de instituições públicas e privadas ligadas ao setor.
O secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Marcio Zimmermann, falou que o Brasil consome 2.300 kwh / de energia elétrica per capita, consumo considerado baixo. Para chegar ao padrão dos EUA, será preciso dobrar o consumo.
Explicou que com a abertura dos leilões de energias renováveis, o Brasil tornou-se, nos últimos anos, um dos países que mais atraiu investidores estrangeiros para o setor. Que a política estabelecida no país é considerada uma das mais avançadas de todo o mundo, o que ajuda a aumentar a confiabilidade dos investidores. “Claro que é preciso aprimoramento contínuo, é preciso evoluir. Mas tenho certeza de que quem está apostando em eólicas está apostando certo. Como toda fonte, ela tem desafios futuros, mas  as perspectivas no Brasil são  boas. Acho que vocês, aqui no Rio Grande do Norte, quando começam a discutir fortemente isso, no mínimo, passam a contribuir  para a melhoria das perspectivas”, disse.   O ex-ministro acredita que o fato do Rio Grande do Norte ter no turismo um dos principais segmentos econômicos é positivo para a energia eólica. Isso porque, segundo ele, a produção de energia 'verde' é muito bem vista pelos estrangeiros, principalmente europeus. “Vamos ver nos próximos leilões o crescimento da atividade aqui na região”, afirmou.
 O Secretário de Desenvolvimento Econômico Benito Gama, citou o aumento de investimentos em indústrias no Estado: "Nossa matriz econômica é muito forte. Posso assegurar aos senhores que com energia eólica, com mineração, fruticultura, produção de sal, com turismo, com o aeroporto de São Gonçalo do Amarante, e com o Porto de Natal, nosso Estado só pode dar certo. Essa não será uma década perdida”, afirmou.
O Deputado Federal Henrique Alves (PMDB) subiu à tribuna para anunciar, em primeira mão, a aprovação do edital de construção e administração do aeroporto de São Gonçalo do Amarante, ocorrida ontem, em reunião extraordinária da ANAC. Segundo ele, as obras devem começar no início do segundo semestre de 2011 e podem gerar até 20 mil empregos.  O parlamentar informou que pretende pedir à governadora Rosalba Ciarline, a garantia de que o consórcio vencedor da licitação assine dois compromissos: a conclusão total da obra até 2014, para receber a demanda gerada pela Copa do Mundo; e que o consórcio assuma o compromisso de que as vagas de emprego geradas, sejam preenchidas prioritariamente por norte-riograndenses.
E fez um apelo: “Quem não tem a qualificação necessária, busque. Para si, e para os filhos. Pra que quando essas vagas de emprego se abrirem, possamos preenchê-las com pessoas aqui do Rio Grande do Norte”. 
Sobre o futuro da energia eólica, Henrique Alves explicou que a estrutura demandada não foi preparada com antecedência porque o destaque do Rio Grande do Norte nos leilões foi uma surpresa para o Governo Federal. Segundo ele, a linha de transmissão conhecida como “linhão” deve ficar pronta até o final deste ano.
O parlamentar enfatizou que a energia eólica é um tema que une toda a bancada e os representantes do Estado que ocupam cargos públicos e .informou que pretende apresentar à Câmara Federal um projeto regulamentando a energia eólica off-shore (no mar) no Brasil.
O presidente da Fiern, Flavio Azevedo também falou sobre a falta de estrutura. Disse que os empresários compreendem que o RN deu um salto econômico nos últimos anos, que não foi acompanhado pela parte estrutural. Depois de enfatizar a necessidade de apoio técnico para o sucesso da exploração eólica, colocou à disposição o CT-Gás para uma parceria na formação de mão-de-obra para o setor. Explicou que o CT Gás forma hoje toda a mão-de-obra que trabalha na área de gás no RN.  “Temos os melhores laboratórios da America Latina e os coloco à disposição do Secretário Benito Gama, para que possamos iniciar um trabalho em conjunto”, afirmou. E, antes de se despedir, fez um último apelo: “Que o estado não perca mais nenhuma oportunidade por causa da falta de infra-estrutura. Já perdemos a oportunidade de refinar nosso próprio petróleo porque não tínhamos um porto. Precisamos construir essa linha de transmissão”.
Pedro Cavalcante, diretor da ABEEÓLICA para o NE enfatizou a característica que considera mais forte no RN, em relação à energia eólica: a complementaridade existente entre as energias eólica e hidráulica. “Nas épocas em que temos baixo potencial hidráulico é quando os ventos estão mais adequados para a produção de energia eólica aqui no Estado”, informou. Afirmou também que até 2020, a expectativa do setor é de que as eólicas representem 20 GW instalados no país. Entre os principais entraves para o crescimento da energia eólica no Brasil, citou a possibilidade de retomada do crescimento em regiões como Europa, China e USA, fatos que podem dividir a atenção dos investidores. E alertou que, apesar das boas perspectivas de crescimento em vários estados do Nordeste, existe  uma  necessidade urgente de implementação da estrutura de suporte: “Temos que ter no RN as condições necessárias. Precisamos principalmente de um centro tecnológico, de um porto adaptado para receber os conteineres e de condições rodoviárias para transportar os equipamentos.”
O ex-secretário estadual de energia e atual diretor-geral do CERNE, Jean-Paul Prates, foi o último a falar e fez um histórico geral da atividade no RN:  “há alguns anos, falar em energia eólica era falar de um sonho. Passamos por  uma fase de ceticismo grande, superada com o trabalho conjunto com o poder público.  Dessa forma, fizemos  com que o Rio Grande do Norte se tornasse conhecido pelos investidores. Naquela época, havia um desafio duplo: o de quebrar o ceticismo e o da competitividade. Fomos aos leilões disputando com estados que tinham muito mais tradição nessa área do que o nosso.  E mostramos que tínhamos condições. Vencemos o primeiro e o segundo leilões.  Hoje estamos em uma segunda fase, a fase da euforia, do otimismo em relação ao que virá.”
Jean-Paul explicou  que o próximo desafio será conter o desânimo, que pode surgir mais adiante, na terceira fase: “A fase mais traumática da energia eólica é a fase da construção.  É a etapa onde surgem os maiores entraves. Precisamos antever esses entraves e tentar minimizá-los ao máximo.  Há muitos desafios a enfrentar, tais como a  perenização das fábricas, a atração de novas indústrias e a manutenção dos empregos criados.”

(Neli Terra, Coordenação Publicações e Mídia - CERNE)






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