titulo

SustentHabilidade

Opinião e realizações

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A Alegria dos Ventos em Guamaré

Nesta quinta-feira, em Guamaré, será inaugurado oficialmente o Parque Eólico Alegria, do grupo empreededor New Energy Options, controlado pela empresa Multiner S.A. com sede no Rio de Janeiro.  A UEE Alegria I possui capacidade instalada de 51,2 MW e iniciou operação comercial em dezembro de 2010. A UEE Alegria II está atualmente em construção e entrará em operação comercial no segundo semestre de 2011.


Resultante de um investimento total que monta a R$ 330 milhões, Alegria decorre da chamada “fase zero” destes projetos no Brasil - como parte do Proinfa (Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica) instituído em abril de 2002 pelo Governo Federal. Ainda não se acreditava na viabilidade da fonte eólica como é hoje. Ainda não havia leilões para compra de energia advinda de fontes alternativas. Tudo era novo e desafiador. Por esta razão, Alegria encontrou, e venceu, todos os obstáculos imagináveis (e inimagináveis) inerentes à fase desbravadora do setor eólico nacional. Tanto que chegou a ser apelidado por diversas vezes de “Tristeza” ou “Alergia”. 

Devido ao seu ineditismo à época do seu início, em 2003, o projeto superou problemas com a limitação de fornecedores de equipamentos, a crise econômica de 2008/09, a inédita estruturação financeira perante bancos estatais, a qualificação e legitimação dos proprietários das terras, conflitos fundiários posteriores, superposição com parques vizinhos posteriormente projetados, requerimentos arqueológicos regionais e o licenciamento ambiental demorado. 

A partir de 2009, a mobilização entre seus empreendedores, o Governo do Estado, a FIERN e as contratadas locais (consórcio construtor) somou-se à compreensão dos reguladores federais para acelerar e finalmente concretizar a efetivação do parque. Até alguns meses atrás, equipamentos estavam sendo montados de madrugada em virtude de ser a época dos ventos fortes e para cumprir o cronograma de entrada em operação até 31 de dezembro de 2010.


Todo o esforço valeu: três governadores (Garibaldi, Wilma e Rosalba) e três presidentes (Fernando Henrique, Lula e Dilma) depois de sua concepção, e após quatro adiamentos de prazo para sua entrada em operação, finalmente os ventos sopram com Alegria, em Guamaré.  É importante que a experiência deste projeto sirva como paradigma de erros e acertos para as inúmeras implantações de mais de 2.000 MW novos em parques eólicos atualmente em curso no RN – estes últimos resultantes do sucesso imbatível do Estado nos Leilões Federais de 2009 e 2010, além de contratações no mercado livre.

Está de parabéns o grupo empreendedor pelo espírito desbravador e pela obstinação. Aos seus acionistas, executivos, técnicos, operários, administradores e contratados, devemos o reconhecimento do RN por, conseguirem, apesar de todas as dificuldades, colocar de pé este belíssimo projeto, com qualidade e consistência.  Parabéns também ao consórcio construtor composto de empresas locais, sediadas no RN e no CE: DoisA (RN), Cortez (CE/RN) e Mercurius (CE). Também o Governo Federal (MME, EPE, ANEEL, Eletrobrás/Proinfa) e o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) somaram-se ao Governo do Estado do RN, através de seus titulares ao longo de todo o período e dos órgãos envolvidos com o projeto, para empregar seriedade e mobilização para hospedar o projeto em nossas terras, com atenção aos seus aspectos logísticos, operacionais e principalmente ambientais.

Que Alegria marque o início de muitas outras histórias de investimento, persistência e sucesso no setor eólico norte-riograndense. 


Nenhum comentário:

.