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Opinião e realizações

domingo, 9 de janeiro de 2011

Lixo plástico na natureza: começar pelo começo.

Cada vez que circulo pelo interior e pelo litoral do nosso Estado fico impressionado com a quantidade de lixo, especialmente plástico, que polui todos os ambientes – terrestres e aquáticos – à nossa volta. Notem a quantidade de plástico fincado na vegetação, nesta época seca – evidenciando ainda mais tal sujeira. Notem o lixo acumulado nas entradas e saídas das cidades. No mar e nas praias, em tempos de veraneio, notem a quantidade de plástico esvoaçante e navegante que temos à nossa volta.

Sabedores do tempo que estes materiais levam para se decompor na natureza (mais de 100 anos), perguntamos a nós mesmos, sem reação iminente: Porque isso? E o que posso fazer para evitar ou mitigar tal dano?

Duas razões e duas medidas, são a resposta.

Razão 1: o plástico se tornou o mais "barato" e "acessível" dos materiais para embalagem. Por isso substituiu o papel nas sacolas de supermercado, por exemplo. Nos restaurantes de toda a orla (e agora no interior também), a moda é o desafortunado envelope plástico que embala os talheres.  Até grandes cadeias como o McDonalds, Bobs, Pittburg etc aderiram à moda de embalar guardanapos de papel em... sacos plásticos! 



A vigilância sanitária, como tem seu limite de preocupação e competência na chegada do produto ao cliente, pouco se importa com o destino que terá o invólucro que ela mesma obriga os comerciantes a colocarem nos alimentos, talheres e até mesmo máscaras de mergulho. Eles são uma desgraça para a natureza, e uma não-garantia de higiene para o consumidor. Um absurdo que, ao invés de ser incentivado pela Vigilâcia Sanitária, deveria ser proibido pelo IDEMA! Multa para quem colocar isso nos talheres. Ou usa papel ou nada! Quem achar que plástico garante talher limpo, que coma em casa.

Razão 2:  temos uma mentalidade arcaica, atavicamente entranhada em nosso subconsciente, que aponta para o conceito simplista de "jogar fora" as coisas que não nos servem mais. Ora, "jogar fora", no mundo minúsculo em que vivemos hoje, não existe mais. Quando se "joga fora" alguma coisa, é como se jogássemos tal coisa exatamente na cabeça de outro cidadão. Cada vivente hoje é responsável pelo lixo que gera, e pela sua disposição final ou reaproveitamento. Claro que não podemos fazer isso até o fim, com tudo. Mas podemos ser parte muito significativa na ajuda aos agentes responsáveis se respeitarmos e educarmos cada vez mais os concidadãos menos conscientes acerca dos conceitos de descarte, coleta seletiva e reciclagem, por exemplo. Os turistas que "exigem" plásticos assépticos até nas máscaras de mergulho e snorkels de Maracajaú, certamente não são tão zelosos ao descartar os malditos plásticos em alto-mar para as tartarugas se engasgarem ou para servirem de camisinha nos nossos corais.

Quanto às duas medidas, como cidadão, a primeira é tentar administrar o lixo plástico que os outros nos impõem - esforçando-nos para efetivamente descartá-lo de forma segura e correta. Sei que a ausência de posturas e lixeiras não ajuda, mas se cada um fizer a sua parte já será uma grande contribuição. 



A segunda é apoiar e incentivar gestores públicos nas iniciativas de combate ao uso excessivo e indevido do plástico na sua origem. Quando à frente da Secretaria de Energia do Estado, tentamos pôr de pé um programa de coleta do plástico na natureza – com repercussão social e pedagógica imediata. Agora, através do CERNE, estamos trabalhando nisso junto à Petrobras e outros agentes do setor de petróleo e petroquímica, com vistas a "limpar" o RN do lixo-plástico em poucos anos. Detalhes em breve. 

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