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Opinião e realizações

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A Copa em Natal ainda tem salvação

A triste notícia do desaparecimento dos interessados na construção da Arena das Dunas não chega a surpreender, tal o volume de incertezas criado pelo seu confuso processo licitatório.

O balanço dos erros começa desde o confinamento do assunto a uma mera Secretaria Extraordinária (sem estrutura e sem orçamento), passa pela mudança conceitual do projeto original, que excluiu as possibilidades de receita adicional que poderiam resultar dos novos edifícios administrativos e comerciais do seu entorno e se finaliza com as barbeiragens jurídicas do Edital.

Diante do trágico fracasso das estratégias até ontem empregadas, e da declarada incapacidade de se conceber um plano B, é chegada a hora do atual Governo reconhecer que, sozinho, não tem condições de sequer indicar caminhos para o prosseguimento de qualquer tentativa para manter Natal como sede da Copa 2014.

É necessário e urgente que se efetive uma transferência imediata de comando e uma mudança radical de estratégia sobre este assunto para que a equipe de transição de governo, sem revanchismos ou detrações acusatórias, possa promover, desde já, e principalmente a partir de Janeiro, uma eficaz união de esforços pelo resgate do tempo perdido envolvendo Governo do Estado, Prefeitura de Natal, Assembléia Legislativa, Câmara Municipal e todas as entidades representativas da sociedade que sejam afins à matéria (e.g. CREA-RN, FIERN, FECOMÉRCIO, FCDL, SEBRAE, Federação de Futebol e clubes).

Infelizmente, no entanto, não haverá muito tempo agora para longas discussões sobre pontos de vista filosofica, estrutural ou arquitetonicamente muito diferenciados, pois quanto mais nos afastarmos do projeto conceitual inicial, mais seremos considerados erráticos pela CBF e pela FIFA. Neste contexto, hipóteses como o re-aproveitamento do Machadão ou a mudança da Arena para outro terreno podem até ser consideradas, mas certamente demandarão um esforço muito maior de convencimento junto às entidades organizadoras. 

Antes mesmo de considerar mudanças ou voltar a ampliar o espectro de discussões deste assunto com a sociedade, o novo Governo deverá se concentrar agora em duas ações imediatas:
 

(i) uma consulta à CBF sobre a possibilidade de obter dela um voto de confiança e um prazo extra para "arrumar a casa" e reiniciar o processo com rapidez e eficácia a partir da posse,
e, conseguindo isso, 
 

(ii) a formação de uma Força-Tarefa composta de pessoas eficientes e competentes em cada uma das searas requeridas para imediatamente ajustar a atratividade do projeto a investidores, reformatar os editais e realizar a licitação e a contratação da Arena em tempo recorde (e.g. até final de março), de forma a ainda propiciar o atendimento dos cronogramas da FIFA.

Somente após estas duas conquistas é que se poderá falar na reformatação de um Comitê Gestor da Copa 2014 em Natal, uma vez que o atual foi sombreado pela criação da SECOPA que nunca dispôs das condições mínimas de mobilização e orçamento para a tarefa de executar as gestões sobre esta importante questão.

Quanto às dúvidas quanto à real importância e prioridade de manter-se esta conquista para Natal, que costuma ressurgir em momentos como este, resta-nos lembrar que ser sede da Copa 2014 é muito mais do que construir uma arena. Trata-se de carimbar um passaporte, inédito para o RN, para estar ao lado das principais capitais do País que receberão investimentos públicos e privados em grau de alta prioridade. Investimentos com prazo (data e hora) para serem concretizados, impostos por uma entidade "superior" não-estatal e não-política (pelo menos no nível nacional) chamada FIFA.

Ironia do destino, talvez o Brasil nunca precise valorizar tanto o seu eterno dístico de "País do Futebol". Pois é o lúdico futebol que vai finalmente impor prazos, controles e eficiência para que vários investimentos e realizações eternamente adiados se efetivem em 12 felizardas capitais.

Ser excluída deste seleto grupo de privilegiadas seria uma grande perda para Natal e para o RN, principalmente diante das conhecidas dificuldades e árdua concorrência superadas quando se confirmou a sua escolha, em maio de 2009.

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