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SustentHabilidade

Opinião e realizações

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Eólicas ao Vento

Ao longo de 2009 e 2010, o Rio Grande do Norte ganhou destaque nacional e internacional ao conquistar o primeiro lugar nacional em novos projetos eólicos licitados nos três leilões federais envolvendo esta fonte renovável de energia. 

Este resultado foi fruto de um demorado trabalho específico que envolveu ações concretas de:
  • racionalização dos procedimentos de interação com o setor; 
  • organização da informação setorial; 
  • conquistas regulatórias; 
  • mobilização de agentes econômicos, e 
  • integração dos órgãos governamentais envolvidos com tais empreendimentos. 
O necessário planejamento específico, trânsito institucional e autoridade de coordenação destas ações somente foi possível graças à existência da Secretaria Extraordinária de Energia, criada em 2006 pela Governadora Wilma de Faria e que tive a honra de ocupar desde meados de 2008 até início deste ano.

O balanço geral da atuação proativa desta Secretaria, além da conquista da Refinaria Clara Camarão e da planta industrial de biodiesel de Guamaré, da finalização da Termoaçu, da implantação de termelétricas emergenciais em Macaíba e de uma usina pioneira a biomassa, em Baía Formosa, e da introdução da fonte solar nos projetos energéticos do Estado (Vale do Açu, Seridó e Apodi) envolve, no que concerne as eólicas:
  • o encaminhamento final das obras dos parques Alegria I e Alegria II (Guamaré), 
  • o primeiro lugar em projetos habilitados e em MW vencedores no leilão de 2009, 
  • o primeiro contrato de energia eólica no mercado livre da história do Brasil (entre Bioenergy/RN e CEMIG/MG), e
  • o primeiro lugar em projetos habilitados e vencedores nos dois leilões federais ("A-3" e Reserva) realizados em agosto de 2010.
Considerando um balanço geral dos leilões e contratos livres envolvendo projetos no RN, chegamos a mais de 2.000MW instalados ou a ser instalados até 2013:
  • Rio do Fogo/Iberdrola (49.3MW) 
  • + Macau/Petrobras (1,8MW) 
  • + Alegria 1 e Alegria 2 (151,8MW) 
  • + Leilão de 2009 (somatório: 657MW) 
  • + Contrato Mercado Livre 2009 (218MW) 
  • + Leilões de 2010 (somatório: 1.064MW) 
  • = 2.141,0MW.
Considerando um fator de carga médio aceitável, da ordem de 45% para os projetos eólicos e mais as capacidade de geração de energia aportadas pela Termoaçu e pelas térmicas emergenciais de Macaíba e ainda a UTE de biomassa de Baía Formosa, e adicionando alguns projetos que certamente serão gerados no mercado livre e nos leilões dos próximos dois anos, é possível estimar que, em 2014 (ano da Copa), o RN será capaz de gerar energia suficiente para abastecer uma cidade como o Rio de Janeiro, sendo mais de dois terços a partir de fontes renováveis.

No que diz respeito aos investimentos e seus efeitos na economia do Estado, é licito estimar uma média de 5 milhões de reais para cada MW instalado, ou seja, apenas em eólicas novas, o Estado deverá provocar investimentos da ordem de 9 bilhões de reais, sendo um terço disso apenas em obras civis e montagens (ou seja, forçosamente aplicados nas áreas de construção dos parques).

No quesito geração de emprego, a regra de estimativa indica cerca de 10 empregos diretos e 15 indiretos gerados para cada MW na fase de construção e 3 diretos e indiretos na fase de operação. Isso permite concluir que as obras de construção que se desenvolverão no Estado poderão vir a gerar até 30.000 empregos diretos e indiretos a depender de sabermos recrutar, capacitar e empregar o máximo de potiguares e utilizar o máximo de fornecedores locais possível. Igualmente, no estágio de consolidação desta indústria, a partir da entrada em operação dos parques, deveremos ter canais de aproveitamento e transferência não-traumática desta mão-de-obra qualificada para novos ciclos industriais ou produtivos.

Este será portanto um dos grandes desafios da próxima Administração Estadual: propiciar integração, acompanhamento e apoio para otimizar os investimentos nos parques eólicos norte-riograndenses para benefício da economia e da sociedade local.

Isso requererá uma política de incentivo e apoio logístico para acolher fábricas de equipamentos, fornecedores de alto nível, desenvolvedores de tecnologia, prestadores de serviços especializados e tudo mais quando possa contribuir para a utilização máxima da mão-de-obra local e a geração máxima de renda para as regiões anfitriãs.

Além disso, outro desafio principal será o de enfrentar a fase crítica, e normalmente traumática, das obras - sujeitas a rusgas e até conflitos com comunidades, autoridades e empresários locais. Daí a necessidade premente da mediação e coordenação das ações por uma autoridade de consenso e conhecimento técnico.

A Secretaria de Energia também contribuiu para antecipar e planejar o enfrentamento destas questões futuras, plantando sementes valiosas a esse processo, tais como:
  • o aprimoramento e expansão do CTGás-ER para abranger as fontes renováveis em caráter de centro de excelência nacional para o setor, 
  • o projeto do Pólo Bilateral Industrial Eólico (PIBE) com o Ceará, 
  • as proposições pela luta pelo Terminal Oceânico de Granéis e Grandes Cargas no norte do Estado, os projetos de otimização e expansão da rede de transmissão elétrica permeando as áreas com potencial eólicos, 
  • a conexão destas indústrias com os projetos do Aeroporto de São Gonçalo, ZPEs de Assu e de Macaíba etc.
O aproveitamento do nosso potencial eólico é muito mais do que passar a viver de brisa. O RN precisa dar continuidade, séria e objetivamente, ao que semeou nos últimos dois anos. Sob pena de esta oportunidade perder-se ao vento.

Um comentário:

OLIVACI JÚNIOR disse...

Parabéns que tive criticando que vem mostra algo melhor

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