titulo

SustentHabilidade

Opinião e realizações

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Matéria da França-Brasil destaca o setor de petróleo do Brasil, e entrevista Jean-Paul Prates.

Matéria da revista França Brasil sobre o setor de petróleo no Brasil e sua interação com as empresas francesas traz depoimentos do diretor-geral do CERNE, Jean-Paul Prates.

A revista é produzida em português e francês e é distribuída para o mailing da Embaixada e consulados da França no Brasil, bem como para um "golden mailing" de executivos e autoridades dos dois países.

NEGÓCIOS
 
POTENCIAL NO HORIZONTE
Com planos de investir, até 2014, US$ 224 bilhões em novos projetos e em capacidade produtiva, a Petrobras impulsiona o setor de petróleo no Brasil e reforça a atuação de empresas francesas em áreas que vão desde a prestação de serviços até o desenvolvimento de novas tecnologias

Melanie Torres
 
Os próximos quatro anos prometem ser promissores para o Brasil. Impulsionado pela Copa do Mundo de 2014, que será sediada em 12 estados, o país terá investimentos significativos em diversas áreas, com destaque especial para as relacionadas à infraestrutura. Isso sem esquecer do potencial do setor de exploração de petróleo, que obteve destaque internacional após a descoberta da camada pré-sal. Segundo José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras, assim como em infraestrutura, a empresa passará, até 2014, por uma grande reformulação, correspondente ao maior plano de expansão da indústria nacional.
A estratégia destinará US$ 224 bilhões ao setor, sendo 95% do valor aplicado no Brasil. Com isso, a produção deverá aumentar dos atuais
2,7 milhões de barris/dia para 3,9 milhões barris/dia em quatro anos. "Esperamos conquistar a liderança mundial em produção de petróleo", diz Gabrielli, ao anunciar o investimento em 686 projetos. A complexidade das operações na camada do pré-sal, por sua vez, gerará oportunidades em pesquisa e tecnologia e capacitação profissional, além de atrair investimentos estrangeiros, a exemplo das empresas francesas que atuam no setor.
Alberto Machado, diretor executivo de Óleo e Gás da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), lembra que esse cenário difere, e muito, do registrado na década de 1970. "A produção era modesta e os investimentos voltados basicamente para as atividades de downstream (refinarias, terminais e dutos)", cita. Depois das descobertas na Bacia de Campos (RJ), a partir de 1974, essa realidade tem mudado gradativamente. "A produção nacional apresenta valores crescentes, atingindo níveis próximos da auto-suficiência. Em paralelo, foi desenvolvido um parque fornecedor de bens e serviços de padrão internacional, que atendem a Petrobras", diz o diretor.
De acordo com ele, além das mais de 70 oil companies que hoje atuam no Brasil, a evolução do setor gerou demandas em serviços que antes eram desenvolvidos pela própria estatal. Essas atividades, a exemplo de logística, gestão de empreendimentos, entre outras, são terceirizadas, seguindo uma tendência mundial, o que amplia a possibilidade de novos negócios. "A abertura de mercado criou oportunidades nas demais empresas de petróleo que hoje operam no Brasil, movimentando ainda mais o setor", considera Machado, ao destacar que o pré-sal, no médio prazo, impulsionará o segmento de forma significativa.
Atuando com sua expertise em petróleo, empresas francesas, concentradas principalmente no estado do Rio de Janeiro, têm contribuído para o desenvolvimento do setor no país. Essa participação - também representada pelo Instituto Francês de Petróleo (IFP) - tem sido importante não somente no fornecimento de tecnologias relacionadas à exploração, produção, processamento de petróleo como também na indústria de bens e serviços. A instalação de uma fábrica de linhas flexíveis para produção submarina e de tecnologia de soldagem - a Flexbrás, hoje conhecida como Technip - é um dos resultados
da parceria entre a França e a Petrobras, no final da década de 1970.
Segundo a estatal, as empresas francesas atuam tanto na prestação de serviços quanto no fornecimento de materiais. Esses serviços são considerados de extrema importância pela companhia e estão associados às diferentes etapas de exploração, que vão desde treinamento, pesquisa e geologia à perfuração de poços e lançamento de linhas submarinas. No setor de materiais, são fornecidos produtos químicos, tubos especiais, equipamentos submarinos, elétricos e mecânicos.
"Essa parceria é realmente histórica, estratégica e relevante para os dois países. A relação da Petrobras com o IFP, que concentra patentes de importância mundial, deve ser aprimorada cada vez mais. O mais interessante é que hoje o Brasil também ensina e inova", garante Jean-Paul Prates, diretor executivo da Expetro, consultoria especializada em recursos naturais e energéticos, e diretor-geral do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), ao destacar que, devido ao elevado nível técnico de suas empresas, a França é um grande fornecedor de inovação tecnológica e eficiência na implantação de novas soluções em petróleo no Brasil. "A partir destas características, as companhias conquistaram espaço nos grandes mercados petrolíferos mundiais", avalia.
Prates destaca que, no início, as atividades das companhias francesas estavam atreladas às paraestatais Elf e Total. Com a evolução do mercado internacional, elas tornaram-se autônomas e também centros de novos negócios. "Ainda existem etapas a percorrer, mas a realidade das parapetroleiras francesas já se aprimorou bastante. Elas hoje são mais competitivas. Arrisco-me em considerar que o mercado para essas companhias no Brasil, no mínimo, quadruplicou nos últimos 10 anos", analisa Prates.
Olivier Trouvé, diretor de Novos Negócios da Technip do Brasil, cita os dados de uma pesquisa realizada, em 2009, pela Associação das Empresas Francesas de Óleo e Gás (Groupement Entreprises Parapetrolies et Paragazieres) para explicar a importância do mercado nacional de petróleo para a França. O estudo destaca que a indústria parapetroleira do país considera primeiramente o Brasil - seguido por
Argélia e Angola - prioritário para seus investimentos internacionais. "Creio que o segmento será muito promissor e desafiador nos próximos 10 anos. É uma área que, sobretudo, demanda alta tecnologia. E, juntas, as indústrias francesas e brasileiras podem perfeitamente desenvolver, adaptar, otimizar e criar novas soluções para atender a essa realidade, que é o pré-sal", explica o diretor.
A Technip é uma das maiores empresas brasileiras de capital francês, que atuam nas áreas de engenharia, tecnologia e serviços de construção para a indústria de óleo e gás. É líder mundial em projetos e instalações. Em offshore, desenvolve plataformas fixas e flutuantes com tecnologias próprias, enquanto que, em onshore, obtém posição de destaque no processamento e liquefação de gás natural.

Linhas flexíveis - De acordo com o executivo, a companhia apresenta um histórico mundial de inovação. "Desenvolvemos projetos que envolvem desde o poço até a produção do petróleo na plataforma", acrescenta. Presente no Brasil há mais de 30 anos, a Technip atua em 48 países, contando com aproximadamente 23 mil funcionários no mundo e mais de dois mil em território brasileiro. "Uma das maiores inovações da empresa foi a criação do piper flexível (linhas flexíveis), cuja primeira aplicação foi feita no Campo de Garoupa, na Bacia de Campos (RJ), em 1977", explica Trouvé. Atualmente a companhia conta com três fábricas, instaladas na França, no Brasil - na cidade de Vitória (ES) - e na Malásia.
Também investindo nesse mercado, a Vallourec & Mannesmann do Brasil (V&M) recentemente conquistou o Commercial Excellence Award - premiação concedida pelo grupo V&M para incentivar o desenvolvimento das melhores práticas comerciais entre todas as subsidiárias mundiais -, em reconhecimento a um projeto que analisa questões relevantes do pré-sal no Brasil, denominado Vallourec Pre-salt Project (VPP), coordenado pela Superintendência de Tubos Petrolíferos. O trabalho consiste na criação de uma solução técnica e comercial para atender às necessidades específicas da Petrobras. Como resultado, a empresa se tornou fornecedora preferencial dos tubos Super 13% Cr - produzido com aço proprietário de alta liga, resistente à corrosão -, que serão aplicados na extração do petróleo da estatal brasileira. "Esse é, sem dúvida, um marco importante para os nossos negócios no país. Hoje, a V&M também se encontra bem posicionada entre as especializadas em deep offshore", diz Alexandre Lyra, diretor-geral da V&M.
Fábio Yoshida Schneider da Silva, coordenador comercial do VPP, conta que a exploração da camada do pré-sal já exigiu a perfuração de mais de uma dezena de poços, sendo que em 100% dos casos foram utilizados os tubos da V&M Brasil, especialmente os de alta resistência, desenvolvidos para suportar pressões em locais de grande profundidade. "A Petrobras tem metas para aumentar sua capacidade. E sabemos que o pré-sal nos garantirá muito trabalho pela frente", analisa. Presente no país desde 1952, a V&M - fundada pela alemã Mannesmannröhren-Werke - se instalou no Brasil com o intuito de fornecer tubos de aço sem costura da Petrobras, até então uma emergente indústria petrolífera.
A fusão com o grupo francês Vallourec ocorreu em 2000, contando atualmente com capital aberto do país. Silva explica que hoje a empresa oferece produtos específicos para perfuração, manutenção do poço aberto e transporte de óleo e gás até a superfície. No Brasil, a V&M permanece como a única produtora no segmento de tubos de aço sem
costura. Outro diferencial são os produtos Premium, que atendem poços com até cinco quilômetros de perfuração.
Desde a divulgação das descobertas da camada pré-sal, as oportunidades no setor de petróleo têm obtido destaque, revelando outras áreas promissoras para os negócios, a exemplo das prestadoras de serviço. Um dos exemplos é a Jocatec, provedora de seguros de embarcações de apoio a plataformas, navios lançadores de linhas, ROVs (robôs submarinos operados remotamente) e operações de engenharia submersa. Luiz Felipe Cassinelli, diretor-presidente, revela que os principais clientes da companhia são as parceiras da Petrobras, que atuam nos segmentos de óleo e gás, além da indústria naval. "Nesta área, desenvolvemos contratos para área de gestão de benefícios customizados de acordo com o perfil exigido pela estatal", diz o executivo, ao mencionar que uma das conquistas mais recentes da companhia refere-se a um contrato de embarcações, cuja apólice é 100% nacional, não exigindo resseguro externo, um fato inédito no Brasil.
Autonomia de voo - "Normalmente, essas operações incluem agentes financeiros e seguradores que atuam no exterior, com taxas maiores. Nossa operação foi toda realizada no país. Isso aconteceu devido à estabilidade da economia, que nos permitiu oferecer taxas mais competitivas e redução do custo final do seguro para o nosso cliente", relata Cassinelli.
O aumento da produção de petróleo, por sua vez, exigirá uma conexão mais rápida e eficiente do litoral para as plataformas. Ciente das perspectivas no segmento de transportes, especificamente em helicópteros, a francesa Turbomeca prepara-se para ampliar o fornecimento de turbinas para essas aeronaves.
"As áreas de exploração do pré-sal são muito distantes da costa. Isso exige que os funcionários da Petrobras sejam transportados em helicópteros de grande porte e com maior autonomia de voo", justifica François Haas, diretor-geral da Turbomeca. O plano da empresa, segundo o executivo, é estabelecer parcerias e oferecer novas tecnologias, além da aplicação de 10 milhões de euros na instalação de um banco de provas de turbinas de última geração, que também atenderá ao mercado externo. "Nossa meta é registrar, até 2013, um faturamento de R$ 300 milhões", ressalta Haas.
Produzindo e comercializando soluções tecnológicas para a produção de gases, a Air Liquide também considera a descoberta da camada do pré-sal oportuna para seus negócios no país. Tanto que a estratégia é oferecer inovações desenvolvidas em sua unidade nos Estados Unidos, que poderão ser aplicadas na exploração de petróleo e gás em águas profundas. Tratam-se do processo de separação
e produção de gases do ar por meio de membranas e dos equipamentos para conversão de gás natural em forma líquida, o que facilitará o transporte do produto até o litoral.
Na opinião de Jean-Paul Prates, da Expetro, a atuação diversificada das empresas francesas no setor de petróleo, principalmente em áreas operacionais complexas como o offshore brasileiro, contribui para o aprimoramento de segmentos, como o de pesquisa e desenvolvimento (P&D), e a implantação de novas tecnologias. "O desafio agora é enfrentar a concorrência de outras empresas estrangeiras, a exemplo dos chineses. Mas isso vale para todos", aconselha o diretor, ao mencionar que outra estratégia, que deve ser considerada, é a nacionalização de componentes e equipamentos, capaz de reduzir custos e de gerar novos empregos no país.
.