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Opinião e realizações

segunda-feira, 22 de março de 2010

Refinaria: Vestindo a carapuça sem nenhum problema

Respeito enormemente a experiência, capacidade analítica e inteligência dos jornalistas Vicente Serejo e Cassiano Arruda Câmara - por tudo que ensinam e alertam de importante sobre o Rio Grande do Norte diariamente. Mas acho que, ao tratarem do assunto da Refinaria e se referirem a nós que tratamos do assunto com "ventríloquos" ou à RPCC como "me engana que eu gosto", demonstram uma visão no mínimo distorcida do pragmatismo que temos tido à frente destas discussões - que tem gerado resultados graduais, como somente poderia ser diante das dificuldades contextuais em que nos inserimos. Senão vejamos:

1. A base destas críticas está sempre na comparação com outras refinarias brasileiras, especialmente nas que vêm sendo aventadas para estados com o Maranhão, o Ceará e Pernambuco.

2. Na realidade, a única destas que se encontra efetivamente em construção é a de Pernambuco, que de fato nos venceu numa disputa (anterior ao advento do Pré-Sal) devido à existência de infra-estrutura portuária para escoamento de granéis - coisa de que o RN não dispõe.

3. Aqui sim caberia uma crítica consistente: o RN é um estado literalmente encalacrado - que não consegue escoar seu rico potencial mineral, por exemplo, muito menos uma eventual grande produção de combustíveis ou petroquímicos de uma refinaria maior que 200mil b/d.

4. A falta de um terminal oceânico de granéis é historicamente crônica - não vem da gestão Wilma. Porque os governadores anteriores não o fizeram também? Não seria porque todos se contentaram com o Porto "me engana que eu gosto" de Natal?

5. Aliás, nesta derrotista moda de apontar alegadas "perdas", porque não listar o natimorto Pólo Gás-Sal, a Alcanorte, a desativação da Barreira do Inferno, ou mesmo a incompetência em manter Fernando de Noronha?

6. Porque ainda reina esta idéia de que empreendimentos se conquistam no grito? Basta gritar na rua e teremos as plantas e caixas onde jaz a Alcanorte se levantando sozinhas e instalando a fábrica de barrilha? Basta levantar a voz com Sergio Gabrielli ou com Lula e teremos uma refinaria rasgando o nosso talude e exportando massivamente combustíveis... Berra-se por uma instalação de PVC e surgem milagrosamente 10MMm3/d de gás para viabilizá-la. Gritar sem embasamento técnico, sem estudos e discussões com quem FAZ é infrutífero e sempre nos levará a "perdas".

Ao invés de simplesmente vociferar ao vento reivindicando uma obra como se fosse uma estrada ou um hospital que pode ser construído em qualquer localidade, sem preocupações com a logística ou o mercado a atender - ou como se fosse uma doação por amizade política, porque não considerar, em contra-ponto, a habilidade da estratégia que adotamos ao conquistar primeiro a transferência do ativo de Guamaré para a área de Refino; assinar com a Petrobras um Termo de Compromisso com várias disposições quanto à expansão gradual da RPCC (já em pleno curso, com recordes seguidos de produção de QAV e diesel no Estado), e acompanhar semanalmente os grupos técnicos de trabalho de forma a conquistar evoluções importantes para o RN a cada dia até termos, gradualmente, condições de abrigar uma refinaria de 120mil b/d tornando o Estado auto-suficiente em refino em 2014 - como foi acordado com a Petrobras?

Pelo respeito que tenho ao trabalho dos dois super-jornalistas, que por vezes não parece ser recíproco, tal o nível das expressões simplistas utilizadas, gostaria muito de receber as suas sugestões concretas de como lidar com este impasse. Por favor, indiquem-me o caminho: é pressão política? Qual tipo? É boicotar a produção da Petrobras - impedindo-na de furar poços enquanto não construir uma REDUC em plena praia de Guamaré, à beira de 2 metros de calado? É enviar os Senadores e Deputados do RN todos em comitiva à Presidência da empresa reivindicando uma refinaria a qualquer custo? Que arma teria um governador de suas preferências para coagir o Presidente Lula ou o Presidente Gabrielli a fazê-la da forma e tamanho que querem, sem considerar fatores físicos e econômicos relevantes?

Se existe algum caminho, político e técnico, para termos uma refinaria de 300 mil b/d aqui no RN imediatamente, por favor nos apontem. Porque eu não acredito que, após todos estes anos trabalhando em operações e leis deste setor, eu esteja aqui fazendo papel de palhaço, ventríloquo ou o que quer que seja.

E muito menos que a Governadora Wilma simplesmente não requeira ou não exija uma refinaria só para deliberadamente ser incompetente com o Rio Grande do Norte.

Se fosse enganação o que estaria fazendo a Refinaria Clara Camarão no Plano de Negócios oficial da Petrobras apresentado aos acionistas da Bolsa de Nova Iorque e do Brasil?

Um comentário:

Alexmarketing disse...

Boa Noite, peço licença aos intelectuais da midia Norte Rio Grandensse, para me juntar ao coro dos que acredita em trabalho, abalisado por um corpo técnico, tendo nos seus frontões um lider como jean poul prates, parabéns pela sua competencia e empenho em trabalhar com afinco neste projeto energético, TEM PESSOAS QUE VIVEM DE PRECONCEITOS OU DE PRE-ELEIÇÕES, não é o seu caso...

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