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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

CEMIG comprará energia eólica do RN

Estado inova mais uma vez ao vender energia dos seus parques no mercado livre, além da liderança no leilão federal

O Rio Grande do Norte sediará nove empreendimentos eólicos que fornecerão energia à Cemig (estatal de Minas Gerais) comprada em leilão inédito voltado exclusivamente para agente livres realizado pela geradora Bioenergy em parceria com a União Comercializadora. A Cemig arrematou 218MW (97,7MW médios) de nove empreendimentos norte-riograndenses ao preço de R$145 por MWh, em um contrato de fornecimento com duração de 20 anos.

No mercado livre de energia, os consumidores podem escolher seu fornecedor de energia, negociando livremente um conjunto de variáveis como prazo contratual, preços, variação do preço ao longo do tempo e serviços associados à comercialização.

A Governadora Wilma de Faria recebeu a notícia da oficialização do negócio do presidente da geradora eólica Bioenergy, Sérgio Marques, em São Paulo. O executivo acredita na viabilidade da fonte no mercado livre.


Segundo ele, o leilão mostra que hoje não é preciso somente o mercado regulado para vender energia. “E o papel da gestão estadual do Rio Grande do Norte foi determinante para os investimentos eólicos. Dificilmente conseguiríamos empreender os projetos e os riscos que podemos assumir vendendo energia no mercado livre”, disse Sérgio Marques.

De acordo com o Secretário de Energia e Assuntos Internacionais do Governo do Estado, Jean-Paul Prates, o Rio Grande do Norte, que foi o campeão em projetos e em MW no Leilão Federal do chamado ‘mercado regulado’, agora é também o pioneiro a vender energia eólica de seus parques no Mercado Livre de Energia. “Com isso, o Rio Grande do Norte consolida sua liderança e seu pioneirismo nacional na viabilização dos futuros projetos de energia limpa no País”, afirma Jean-Paul.

Além desse negócio com a estatal mineira, a Bioenergy comercializou no leilão eólico do governo mais 162MW (70MW médios) de quatro projetos, ao preço de R$152 por MWh, totalizando 380MW de 13 novas usinas no portfólio da companhia, que começarão a operar em julho de 2012.

O investimento para a construção destes parques que estão localizados no Rio Grande do Norte gira em torno de R$1,7 bilhão cujos recursos deverão ser obtidos junto ao BNDES e ao Banco do Nordeste. Marques conta que, a princípio, a Cemig não participará da construção dos projetos. “Estamos conversando sobre isso, mas não há nada certo. Eles estão analisando as taxas de retorno”.

Sérgio Marques afirma que vender a energia eólica no mercado livre reduz os riscos dos empreendimentos, já que os contratos firmados com as distribuidoras que compraram energia diretamente por meio do leilões preveem severas punições, caso o gerador não entregue a energia contratada. “O risco do mercado livre é menor, porque a gente fica exposto somente ao PLD (preço de liquidação das diferenças)”, explica.

Além disso, como o regime de ventos é complementar ao período hidrológico, há uma compensação de forças. Enquanto as eólicas geram pouco no período chuvoso, o preço spot do mercado livre está baixo, porque há bastante água nos reservatórios. “Vendemos energia de acordo com a curva de sazonalidade dos parques”, acrescenta.

Jean-Paul Prates explica que, para o Estado do Rio Grande do Norte, é importante contar com mais esta alternativa de comercialização da energia eólica aqui produzida.

Para o ano de 2010, os planos da Secretaria de Energia nesta área serão voltados para o desenvolvimento do mercado local de fornecedores e mão-de-obra, e para o planejamento do futuro sustentável deste setor. “A gestão estadual deste setor está calcada em dois pilares básicos: integração e transparência no trato com os investidores e respeito às diretrizes ambientais e de sustentabilidade.

De acordo com o Secretário, este ano, juntamente com a FIERN e o CTGás-ER, o Governo do Estado pretende desencadear uma série de ações de integração dos empreendedores com os fornecedores locais e vamos também de priorizar a implantação dos projetos já viabilizados, especialmente os ganhadores do Leilão Federal e os que tiverem contratos de compra de energia como este da CEMIG. "Além disso, vamos realizar, juntamente com o IDEMA, um pré-zoneamento das áreas com potencial eólico para minimizar a especulação imobiliária e a proliferação indevida de projetos sem viabilidade ambiental”, planeja Prates.

A Governadora Wilma de Faria salientou que esta modalidade de contratação é mais uma conquista de sucesso da atual política estadual de gestão energética. “O nosso trabalho não pára. O Governo do Estado está atuando desde meados do ano passado neste caso, acompanhando e apoiando a diversificação das formas de comercialização da energia eólica do nosso Estado. Agora, além dos Leilões Federais, mostramos que as nossas eólicas podem também vender diretamente a empresas que se interessem em energia limpa e confiável, inclusive em outros estados – como Minas Gerais”.

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