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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Cemig compra 218MW no primeiro leilão eólico para o mercado livre

Geradora que vendeu energia acredita na viabilidade da fonte no ambiente livre e promete mais um leilão

Por Milton Leal
JORNAL DA ENERGIA


A energia eólica tinha o estigma de ser uma fonte cara. O resultado do leilão específico da fonte, realizado em 14 dezembro de 2009, provou que a tecnologia está em pé de igualdade com fontes como, biomassa, gás e carvão, e que ela é muito mais competitiva que as plantas a óleo. O curioso, entretanto, é que dois dias antes do primeiro pregão eólico, esta energia renovável já havia mostrado sua força para o mercado livre.

Em leilão inédito voltado exclusivamente para agentes livres, realizado pela geradora Bioenergy em parceria com a União Comercializadora, a Cemig GT arrematou 218MW (97,7MW médios) de 9 nove empreendimentos a R$145 por MWh em um contrato de fornecimento com duração de 20 anos. “A atitude da Cemig, que é hoje uma das maiores comercializadoras do Brasil, foi bastante inovadora. Eventualmente, eles vão repassar essa energia com o selo verde”, disse ao Jornal da Energia o presidente da Bioenergy, Sérgio Marques, que acredita na viabilidade da fonte no mercado livre. “O leilão mostra que hoje não precisamos somente do mercado regulado para vender energia”, opina.

Além desse negócio com a estatal mineira, a geradora comercializou no leilão eólico do governo mais 162MW (70MW médios) de 4 projetos, ao preço de R$152 por MWh, totalizando 380MW de 13 novas usinas no portfólio da companhia, que começarão a operar em julho de 2012.

O investimento para a construção destes parques que estão localizados no Rio Grande do Norte gira em torno de R$1,7 bilhão. Os recursos deverão ser obtidos junto ao BNDES e ao Banco do Nordeste. Marques conta que, a princípio, a Cemig não participará da construção dos projetos. “Estamos conversando sobre isso, mas não há nada certo. Eles estão analisando as taxas de retorno”.

Marques afirma que vender a energia eólica no mercado livre reduz os riscos dos empreendimentos, já que os contratos firmados com as distribuidoras que compraram energia diretamente por meio do leilões preveem severas punições, caso o gerador não entregue a energia contratada. “O risco do mercado livre é menor, porque a gente fica exposto somente ao PLD (preço de liquidação das diferenças)”, explica. Além disso, como o regime de ventos é complementar ao período hidrológico, há uma compensação de forças. Enquanto as eólicas geram pouco no período chuvoso, o preço spot do mercado livre está baixo, porque há bastante água nos reservatórios. “Vendemos energia de acordo com a curva de sazonalidade dos parques”, acrescenta.

A Bioenergy garante que até o final de julho deste ano outro leilão para o mercado livre deverá ser promovido. O presidente da empresa conta que no primeiro certame cerca de 30 empresas participaram. “O leilão serviu para conhecermos os potenciais compradores. Alguns pediram para adequar o produto, os prazos de fornecimento, etc”, diz o executivo, que tem como meta vender mais 230MW de energia eólica em 2010. “Como faremos isso vai depender das condições. Pode ser tanto via leilão para o mercado livre, quanto no leilão A-3 ou em algum leilão específico”, resume.

Um dos complexos eólicos da empresa, que terá 150MW de capacidade, entregará parte da energia para as distribuidoras e parte para a Cemig. “Temos um parque de 150MW, que foi dividido em cinco de 30MW. Dois deles foram vendidos no leilão e outros três para a Cemig. Eles vão compartilhar a mesma subestação, mas são usinas independentes”, conta o presidente da geradora, que ressalta o ganho de escala na hora de negociar com os fornecedores de turbinas e equipamentos para a planta.

Atualmente, a Bioenergy, que tem como controladora o Fundo Acantos Participações, não opera nenhuma usina, mas está desenvolvendo 1,2GW eólicos. A participação que detinha em 55MW eólicos até 2008 foi vendida para a australiana Pacific Hydro, que era sócia dos projetos.

A reportagem procurou a Cemig para comentar o negócio, mas a estatal preferiu não se pronunciar.

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