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SustentHabilidade

Opinião e realizações

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A Copa em Natal ainda tem salvação

A triste notícia do desaparecimento dos interessados na construção da Arena das Dunas não chega a surpreender, tal o volume de incertezas criado pelo seu confuso processo licitatório.

O balanço dos erros começa desde o confinamento do assunto a uma mera Secretaria Extraordinária (sem estrutura e sem orçamento), passa pela mudança conceitual do projeto original, que excluiu as possibilidades de receita adicional que poderiam resultar dos novos edifícios administrativos e comerciais do seu entorno e se finaliza com as barbeiragens jurídicas do Edital.

Diante do trágico fracasso das estratégias até ontem empregadas, e da declarada incapacidade de se conceber um plano B, é chegada a hora do atual Governo reconhecer que, sozinho, não tem condições de sequer indicar caminhos para o prosseguimento de qualquer tentativa para manter Natal como sede da Copa 2014.

É necessário e urgente que se efetive uma transferência imediata de comando e uma mudança radical de estratégia sobre este assunto para que a equipe de transição de governo, sem revanchismos ou detrações acusatórias, possa promover, desde já, e principalmente a partir de Janeiro, uma eficaz união de esforços pelo resgate do tempo perdido envolvendo Governo do Estado, Prefeitura de Natal, Assembléia Legislativa, Câmara Municipal e todas as entidades representativas da sociedade que sejam afins à matéria (e.g. CREA-RN, FIERN, FECOMÉRCIO, FCDL, SEBRAE, Federação de Futebol e clubes).

Infelizmente, no entanto, não haverá muito tempo agora para longas discussões sobre pontos de vista filosofica, estrutural ou arquitetonicamente muito diferenciados, pois quanto mais nos afastarmos do projeto conceitual inicial, mais seremos considerados erráticos pela CBF e pela FIFA. Neste contexto, hipóteses como o re-aproveitamento do Machadão ou a mudança da Arena para outro terreno podem até ser consideradas, mas certamente demandarão um esforço muito maior de convencimento junto às entidades organizadoras. 

Antes mesmo de considerar mudanças ou voltar a ampliar o espectro de discussões deste assunto com a sociedade, o novo Governo deverá se concentrar agora em duas ações imediatas:
 

(i) uma consulta à CBF sobre a possibilidade de obter dela um voto de confiança e um prazo extra para "arrumar a casa" e reiniciar o processo com rapidez e eficácia a partir da posse,
e, conseguindo isso, 
 

(ii) a formação de uma Força-Tarefa composta de pessoas eficientes e competentes em cada uma das searas requeridas para imediatamente ajustar a atratividade do projeto a investidores, reformatar os editais e realizar a licitação e a contratação da Arena em tempo recorde (e.g. até final de março), de forma a ainda propiciar o atendimento dos cronogramas da FIFA.

Somente após estas duas conquistas é que se poderá falar na reformatação de um Comitê Gestor da Copa 2014 em Natal, uma vez que o atual foi sombreado pela criação da SECOPA que nunca dispôs das condições mínimas de mobilização e orçamento para a tarefa de executar as gestões sobre esta importante questão.

Quanto às dúvidas quanto à real importância e prioridade de manter-se esta conquista para Natal, que costuma ressurgir em momentos como este, resta-nos lembrar que ser sede da Copa 2014 é muito mais do que construir uma arena. Trata-se de carimbar um passaporte, inédito para o RN, para estar ao lado das principais capitais do País que receberão investimentos públicos e privados em grau de alta prioridade. Investimentos com prazo (data e hora) para serem concretizados, impostos por uma entidade "superior" não-estatal e não-política (pelo menos no nível nacional) chamada FIFA.

Ironia do destino, talvez o Brasil nunca precise valorizar tanto o seu eterno dístico de "País do Futebol". Pois é o lúdico futebol que vai finalmente impor prazos, controles e eficiência para que vários investimentos e realizações eternamente adiados se efetivem em 12 felizardas capitais.

Ser excluída deste seleto grupo de privilegiadas seria uma grande perda para Natal e para o RN, principalmente diante das conhecidas dificuldades e árdua concorrência superadas quando se confirmou a sua escolha, em maio de 2009.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

TERMINAL OCEÂNICO DE GRANÉIS DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE

COMENTÁRIOS SOBRE A SUA VIABILIDADE TÉCNICA E ECONÔMICA
POR JEAN-PAUL PRATES

*Jean-Paul Prates é advogado e economista, consultor e especialista em regulação 
Mestre em Gestão Pública de Recursos Energéticos pela Universidade da Pensilvânia
Mestre em Economia e Regulação de Petróleo, Gás e Energia pelo Instituto Francês do Petróleo (Paris) Articulista do Jornal O GLOBO, comentarista setorial dos canais Globo News, Bloomberg e CNN Diretor licenciado da consultoria Expetro, e da revista especializada Oil & Gas Journal, no Brasil. Exerceu o cargo de Secretário de Energia do Governo do Estado do Rio Grande do Norte entre 2007 e 2010.



1. DA NECESSIDADE IMPERIOSA E DOS DESAFIOS TÉCNICOS DE UMA SOLUÇÃO DE ESCOAMENTO PORTUÁRIO PARA GRANÉIS

Ao longo da nossa gestão à frente Secretaria de Energia e Assuntos Internacionais, nos deparamos inúmeras vezes com projetos que ficaram literalmente “encalacrados” pela inexistência de um terminal oceânico de granéis, a saber:

  • a expansão da refinaria,
  • a revitalização da Alcanorte,
  • a implantação de indústrias de petroquímica,
  • a implantação de pólo industrial para equipamentos de petróleo e eólicas,
  • a realização da ZPE do Sertão,
  • a modernização da exploração salineira,
  • a potencial de exportação de oleaginosas, óleos vegetais e grãos,
  • o desenvolvimento da indústria cimenteira, e
  • o aproveitamento mais diverso de nossas gigantescas reservas de calcário e outros minerais - inclusive mas não se limitando ao minério de ferro.

Estes são apenas alguns exemplos, provavelmente havendo outros em setores com que temos menor contato. Como muitos sabem, o grande desafio técnico a ser vencido para isso é o baixo calado do nosso litoral, e a impossibilidade de dragagem artificial reiterada - tendo em vista ser o fundo composto de areias móveis.  A figura abaixo demonstra como a nossa batimetria litorânea, apesar de nos favorecer em muitos aspectos valiosos (e igualmente mal aproveitados, como o turismo esportivo e ecológico, a pesca e carcinicultura) é desfavorável à instalação de um porto de grande capacidade, para escoamento de granéis (sejam eles sólidos ou líquidos).


Como se pode verificar também da figura acima, somente em dois pontos da nossa costa é possível vislumbrar a instalação de alguma estrutura passível de escoar granéis, dada a maior proximidade de um calado de mais de 10 metros em relação à costa. Estes pontos seriam nas águas confrontantes a (i) Areia Branca e (ii) Porto do Mangue - mas ambos pontos localizados a mais de 14 km mar adentro.


2. DA ALTERNATIVA AREIA BRANCA

O nosso Porto-Ilha (Terminal Salineiro) foi construído em área confrontante ao município de Areia Branca num talude à margem de um pequeno penhasco submarino que permite a aproximação dos navios maiores (foto).
 
 
Ocorre que o Porto-Ilha não é capaz de atender automaticamente a todos demais setores que já demandam, e demandarão ainda mais, capacidade de movimentação de granéis no RN.

Primeiro porque tem estruturação e funcionamento insuficientes; segundo porque a mesma operação de transporte por barcaças abertas e estocagem descoberta em alto mar seriam impossíveis em se tratando de minerais e líquidos ambientalmente complexos.

O sal, soprado pelo vento, pode voltar ao mar (seu local de origem) sem problemas. Já o minério de ferro, o calcário, o petróleo ou mesmo grãos de produção agrícola não poderiam prescindir de coberturas e manipulações muito mais depuradas. Há ainda vozes críticas que adicionam a isso o fato de que o sistema de barcaças atualmente utilizado para o sal seria antiquado e ineficiente para outros granéis, embora para o sal seja o adequado em função das apertadas margens deste negócio atualmente.

Tendo este contexto em vista, uma das alternativas para o escoamento de granéis no RN certamente seria um ousado projeto de expansão e aprimoramento do Porto-Ilha de Areia Branca, trazendo conceitos como o de barcaças de maior escala monitoradas por satélite e com operação diuturna, sistemas de carga/descarga e estocagem bem mais modernizados, armamazenamento offshore e onshore compatimentalizado e confinado, entre outras medidas. Este projeto teria uma configuração parecida com a da figura abaixo:


Estudo preliminar realizado pela consultoria PETCON (de Brasília-DF) em 2006 destacou as seguintes características para esta alternativa:

Localização marítima: 10,8 km do embarcadouro (5,3 km do porto-ilha salineiro)
Profundidade: 15 metros (maré baixa)
Localização terrestre: Upanema, próximo ao poço d’água da PETROBRÁS
Forma de abastecimento do porto-ilha: por meio de barcaças de 5.000 t
Forma de abastecimento do pulmão terrestre:
- minério de ferro por ferrovia
- calcário por via rodoviária
Custo aproximado: US$ 120 milhões de dezembro de 2005

A batimetria e a situação das plataformas e da costa em relação ao projeto ficariam da forma abaixo:



A aparência final deste projeto seria a seguinte (notando que não foi considerada a questão que menciono acima, da imiscibilidade dos produtos que não o sal, o que provavelmente levaria a não licenciamento ambiental na forma proposta).



3. DA ALTERNATIVA PORTO DO MANGUE

A segunda alternativa aventada para a instalação de um Terminal Oceânico de Granéis no Rio Grande do Norte seria a sua localização em Canto do Mangue, em área adjacente a Rosado e Camapum a oeste da ilha da Costinha, ao norte da sede do município de Porto do Mangue, com projeção de 14km mar adentro para encontrar um calado de 15m.



Segundo o mesmo estudo de 2006, as vantagens desta alternativa seriam:
  • Capacidade de carregamento de um navio de 100.000t em 3,5 dias;
  • Localização dos pulmões de estocagem em terra, em uma área distante de conglomerados urbanos e outras atividades industriais e comerciais;
  • A utilização de correias transportadoras vedadas, evitando eventual contaminação do ambiente, da área em terra ou mesmo do mar, de forma segura e econômica;
  • Maior facilidade no embarque de materiais diferentes (minério de ferro e calcários), pois as áreas de estocagem estariam localizadas em terra, com maiores facilidades de segregação entre elas;
  • Não há limitações quanto ao calado entre a área terrestre e o local de embarque nos navios, pois a transferência dos minerais seria por correia transportadora e “ship loaders” articulados junto aos dolfins no local de atracação dos navios;
  • Maiores facilidades de acesso ao “ship loader” para efetuar manutenção ou intervenções emergenciais, por não depender de situações adversas, como chuva, ventos e marés; e
  • Ganhos sociais pela escolha de um município onde ainda não existem atividades econômicas suficientes e necessárias para sua auto-sustentação.


E as desvantagens, a nosso ver menos significativas, seriam:

  • Eventual necessidade de dragagem de uma área para a melhoria de atracação e operação dos navios de grande porte;
  • Localização mais distante dos pontos de produção e embarque de calcários e seus derivados, em geral situados na microrregião de Baraúna;
  • Necessidade de serem levantadas barreiras de proteção para evitar eventuais possibilidades de contaminação das salinas pelo material estocado nos embarcadouros; e
  • Elevação dos custos do projeto ferroviário, com a extensão das linhas em 43,9km, pela implantação do trecho Assu-Porto do Mangue.

Os estudos efetuados pela PETCON abordaram as possibilidades dos pontos mais adequados para a localização do atracadouro no mar e do embarcadouro em terra levando em conta as seguintes restrições:

  • profundidade mínima de acordo com os navios a serem utilizados:
    Panamax – com capacidade de 70.000t - 12 metros
    Capesize – com capacidade de 100.000t - 15 metros
  • a facilidade de transporte terrestre e condições de abastecimento e operação
  • a disponibilidade de área marítima suficiente para a bacia de evolução dos navios
  • a possibilidade de contaminação do sal do porto-ilha salineiro e o regime dos ventos
  • a menor distância possível do litoral, para reduzir o valor do investimento
  • disponibilidade de área terrestre sem restrições ambientais
  • área terrestre suficiente para receber pulmões de estocagem de ferro e calcário
  • área terrestre suficiente para receber pátio de manobras rodo-ferroviárias


4. DO SISTEMA INTEGRADO DE ESCOAMENTO TERRESTRE

O Governo do Estado chegou a tomar medidas concretas para viabilizar projetos para estabelecer um sistema de transportes eficaz em seu território. Uma dessas providências foi contratar o estudo de viabilidade técnica e econômica para a implantação de um sistema ferroviário estruturador, criando condições para alavancar inúmeras atividades econômicas que pudessem ser implementadas a partir de uma infra-estrutura de transportes adequada.

Esse estudo, apresentado em meados de 2006, mostrou alternativas para as ligações ferroviárias desde a capital até alguns dos maiores centros produtivos atuais ou potenciais do estado (Mossoró, Macau e Guamaré, dentre outros).

No conjunto das opções oferecidas, uma delas sugeriu a construção de uma linha ferroviária ligando a Mina do Bonito, em Jucurutu, até Areia Branca, bem como a construção de um terminal de embarque de minério de ferro e calcário off shore, destinado ao exterior.

Tanto em um como em outro cenario para a localização do Terminal Oceânico, o escoamento dos granéis contaria com uma integração entre o sistema rodoviário existente e um conjunto de ramais ferroviários conforme o
seguinte comparativo das alternativas:

ALTERNATIVA A (Areia Branca)
- Mossoró a Assu, com extensão de 73,8 km;
- Mossoró a Areia Branca, com extensão de 36,1 km;
- Assu a Afonso Bezerra, com extensão de 45,0 km;
- Jucurutu a Assu, com extensão de 35,8 km

Total: 190,7 km

ALTERNATIVA B (Porto do Mangue)
- Mossoró a Assu, com extensão de 73,8 km;
- Assu a Afonso Bezerra, com extensão de 45,0 km;
- Jucurutu a Assu, com extensão de 35,8 km
- Assu – Porto do Mangue, 80 km

Total: 234,6 km

5. CONCLUSÃO

Além dos estudos técnico-econômicos preliminares, o Governo do Estado buscou interagir com os setores interessados. Testemunho porque eu mesmo participei de várias reuniões e, especialmente, em 2007, sugeri e cheguei a implementar uma consulta formal - em conjunto com a CODERN - às empresas de mineração, cimenteiras, salineiras e petroleiras atuantes no Estado quanto à necessária demanda por escoamento e tipo de granéis a serem transportados, em um horizonte de 5 e 10 anos.

A intenção foi exatamente dimensionar desde o início a escala e o tipo de terminal que seria desejado pelos empreendedores. A esta consulta, várias empresas responderam com cartas de manifestação de interesse, inclusive a Petrobras.

Claro que a solução não é simples. Se o fosse, já teria sido viabilizada.

Tecnicamente, vencer o talude raso e ganhar o oceano pode requerer soluções as mais diversas. Ao conversar com especialistas em portos de calado raso da Coréia, por exemplo, a sugestão foi a construção de um pontilhão vasado em que um ramal ferroviário único circulasse indo e vindo mar adentro. Os coreanos advertiram para o alto risco de baixo rendimento de uma eventual correia transportadora, em virtude da salinidade (corrosividade) e ação dos ventos na região. Eles acreditam que tal correia, além de exigir manutenção cara, ficaria a maior parte do tempo parada, sendo recauchutada.

Em missão do governo a Amsterdam, tive a oportunidade de conversar com técnicos da empresa Amsterdam Ports sobre o assunto. Amsterdam, diferentemente do porto-irmão primogênico, Rotterdam, também sofre problemas de calado. Os técnicos da Amsterdam Ports nos brindaram com pelo menos três diferentes soluções técnicas para vencer o desafio. E se ofereceram para prestar assessoria e participar da solução para o RN.

Ocorre que o assunto foi perdendo "drive", por não ter um gestor específico que centralizasse as interlocuções, planos e projetos. De parte dos empreendedores também parece haver uma certa acomodação e, pior, uma certa ignorância e incredulidade quanto a viabilidade das soluções portuárias propostas.

Parece que todos (governo e empresas) resolveram esperar por um projeto milagroso. E, neste caso, como a Mhag/Steel não pode esperar e ainda enxerga uma oportunidade de dificultar a concorrência, tomou a frente com um projeto exclusivista: Um mineroduto conectado a um terminal privativo ocupará uma das poucas áreas disponíveis para operações portuárias de granéis no RN.

Lembremo-nos, por relevante, que o setor mineral nacional deverá em breve passar por uma revolução de investimentos, em função da nova legislação proposta pelo Ministro Edison Lobão em que não será mais tolerado manter a concessão mineral sem realizar lavra dentro de um prazo mínimo. Ou seja, TODAS as áreas concedidas no RN e no Brasil estarão em breve submetidas a novo regime, parecido com o do petróleo, onde o investidor não poderá ficar sentado em cima das áreas sem fazer nada.
Sem desperdiçar o entusiasmo e o interesse da empresa mineradora de Jucurutu em solucionar o seu problema, o que se deve fazer é convidá-la a imediatamente mostrar oficialmente seu projeto e tentar, em curtíssimo prazo, conciliá-lo com alternativas como as que aventamos aqui, visando a busca de uma solução de interesse público para o Estado, e não um projeto que impeça alternativas de uso compartilhado.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Press Release/CERNE: AGU confirma baixo impacto ambiental das usinas eólicas


ENERGIA RENOVÁVEL – EÓLICAS
AGU confirma baixo impacto ambiental das usinas eólicas
Parecer oficial foi solicitado pelo atual diretor de meio ambiente e sustentabilidade do CERNE

BRASÍLIA (DF) E NATAL (RN) - Através da Consultoria Jurídica do Ministério de Meio Ambiente (MMA), a Advocacia Geral da União (AGU) divulgou, nesta terça-feira (26 de outubro), o Parecer 631/2010 onde confirma a validade e aplicabilidade da Resolução CONAMA 279/2001, que estabelece processo simplificado para o licenciamento ambiental de parques eólicos no Brasil.

A AGU entendeu que a atividade de geração de energia a partir de fonte eólica não constitui atividade causadora de significativa degradação do meio ambiente e, ao mesmo tempo, assegurou aos órgãos estaduais de meio ambiente (OEMAs) a prerrogativa de solicitar estudos complementares quando julgarem pertinentes, respeitados os requisitos legais para exigência de EIA/RIMA. O parecer menciona ainda a Carta dos Ventos, assinada em Natal-RN em julho de 2009 ao mencionar o compromisso do Governo Federal, representado pelo então Ministro Carlos Minc, de identificar e harmonizar o processo de licenciamento dos parques eólicos. 

“Havia muita incerteza, tanto por parte dos empreendedores quanto dos órgãos licenciadores, quanto à aplicabilidade da Resolução CONAMA 279/2001 diante do fato de que ela foi editada numa época de apagão energético. Em alguns estados, o Ministério Público vinha se manifestando no sentido de que a simplificação do processo teria sido por causa da situação emergencial vivida em 2001 e que, agora, não se aplicaria mais.  O parecer ajuda a esclarecer isso, diminuindo estas incertezas”, explica o Diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade do CERNE (Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia), Hugo Alexandre Fonseca de Medeiros, que participou das reuniões das OEMAs com o MMA em novembro de 2009 e janeiro de 2010 e foi quem sugeriu a solicitação do parecer à AGU.

O parecer afirma que “a Resolução CONAMA 279/2001 não foi editada apenas em face da crise energética, mas também ante as diversidades e peculiaridades regionais, complexidades de avaliação dos efeitos sobre o meio ambiente decorrentes da implantação de projetos de energia elétrica de pequeno potencial de impacto – o que demonstra a relevância do caráter técnico em relação aos licenciamentos ambientais – e a busca pelo atendimento aos princípios da eficiência, publicidade, participação e precaução, apresentando-se afastável a tese de que ‘foi editada na época da crise energética e, portanto, perdeu sua validade’”.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Na Hora H | Visão Política: Hilneth Correia entrevista Jean-Paul Prates

NA HORA H - É contra ou a favor do voto obrigatório?

JEAN-PAUL PRATES -  Contra. O Brasil é um dos poucos países do mundo que ainda adotam esta prática advinda de uma tradição de Estado paternalista.

Os defensores do voto obrigatório alegam que, se apenas uma parte da população votasse, os eleitos teriam menos respaldo popular. Especialmente em países recém-emergidos de períodos ditatoriais, a compulsoriedade do voto seria, assim, uma forma de blindar os governantes com uma capa de legitimidade contra golpes e outros absurdos. Mas esse argumento, se algum dia já fez, hoje não faz nenhum sentido na robusta democracia brasileira, há muito colocada a salvo de qualquer ameaça golpista.

Num sistema de voto facultativo, como ocorre nas grandes democracias do mundo, todos teriam seu direito preservado, e só o exerceriam aqueles que realmente se importassem com a política, a ponto de levá-la a sério. O cenário seria bem outro, e os embusteiros compradores de voto, os assistencialistas baratos e os tiriricas (todos muito equivalentes do ponto de vista da importância para o País) teriam de dizer e fazer algo efetivamente útil para conquistar votos conscientes e não apenas uma retribuição barata pelo trocadinho humilhante do dia da eleição.

NHH - O que a população precisa fazer para escolher seus representates de forma consciente?

JPP - Acho que, no Brasil, a corrupção no setor público ficou tão banalizada que a própria população, além de acusar os políticos de corruptos também resolveu se corromper. Basta acompanhar qualquer ato de campanha para se ver como as pessoas nem querem saber de curriculos ou de projetos, apenas sugerem precisar de uma consulta médica, de um emprego ou mesmo, diretamente, de dinheiro. Ou seja, quem vota assim é tão corrupto quanto quem se elege e depois superfatura ou pede propina. É um ciclo vicioso auto-sustentável que faz com que o candidato com dinheiro tenha 5 vezes mais chance de ganhar do que qualquer candidato-conceito, por melhor que seja. Só celebridades midiáticas conseguem quebrar este ciclo, mesmo assim só na primeira eleição. Depois, ou se contaminam, ou somem.

NHH -  De que maneira você vê o cenário político atual?

JPP - Acho que o Brasil definitivamente consolidou sua democracia - graças à imprensa livre e ao respeito conquistado por cada instituição que a compõe. Mas temos duas dicotomias que ainda me preocupam. A primeira, por ser tratada (ou usada) de forma maniqueísta e superficial, que é entre direita e esquerda. Virou moda ser esquerda, sem sequer se saber o que isso significa. Na verdade, em todo o mundo isso já perdeu a importância, em prol do pragmatismo econômico. Por acaso alguém de direita necessariamente é contra políticas sociais ou o meio ambiente, por exemplo? Claro que não. O que está por trás de tudo isso, na verdade, é sempre um debate sobre maior ou menor grau de presença direta do Estado na economia. É isso que hoje se debate no mundo, e no Brasil. Só que aqui, ainda se demoniza quem é a favor da competição e do mercado como se fosse a favor de um capitalismo desenfreado. Há os que, como eu, vêem na liberdade política e econômica um benefício automático para os cidadãos-consumidores. Mas, ao mesmo tempo, defendo a existência de um forte poder regulador por parte do Estado. Regular, fiscalizar e punir os maus agentes é tarefa difícil e cara! Não é para "jabutis" apaniguados, muito menos para órgãos sem força e sem recursos. E aí? Sou de esquerda ou de direita? Nenhum nem outro, e não me preocupo com este rótulo. Sou pragmático. O bom das chamadas "esquerda" e "direita" podem conviver.  A segunda dicotomia que me preocupa no Brasil é uma geográfica, por envolver preconceito e desinformação: é a que se dá entre o Nordeste (e o Norte) e o Centro-Sudeste-Sul. Mais uma vez, cito uma exemplo pessoal para ilustrar. Eu estava acostumado a participar de grandes debates nacionais em Brasília e no Rio, tanto na mídia quanto em gabinetes governamentais e sedes empresariais, tratando do setor de petróleo como especialista do Rio. Quando estive Secretário pelo RN, senti a mudança de tratamento na pele: muitos interlocutores chegavam a me confidenciar perguntas como "o que você foi fazer no RN"? Isso me dava ainda mais entusiasmo e orgulho do Estado que represento hoje em todo lugar que vou. Mas isso também me preocupa, pois ao ir a Brasília, ou ao ser visitado pelo Governo Federal, o que constatei é que o RN ainda é tratado como "pidão". Em geral, as autoridades federais e até os investidores, vêem o Nordeste como uma região extremamente dependente do Poder Público. Isso nos deixa sempre reféns deste preconceito que nós mesmos, por vezes, ajudamos a alimentar.

NHH -  Quais foram as principais melhorias feitas em Natal nos últimos anos e o que ainda pode melhorar?

JPP - Natal é uma das poucas capitais do País que ainda comporta grandes obras viárias e aprimoramentos de mobilidade sem causar grandes traumas à população. Penso que Natal tem evoluído constantemente, nos últimos 20 anos - incluindo os dois anos da gestão Micarla de Souza. Não creio que seja justo desancar a atual gestão em pleno meio-termo. Há muito o que fazer, e tenho certeza de que a priorização e visibilidade das questões emergenciais que afetam diretamente a população deverão se incrementar a partir do fim do processo eleitoral para o Governo do Estado. A Prefeita é uma mulher determinada e, como política e empresária de mídia, sabe ser sensível à avaliação da sua própria performance. Para completar, Natal tem pela frente uma oportunidade única de colocar um prazo fatal para as suas grandes transformações que lhe garantirão um futuro melhor que suas vizinhas capitais nordestinas. A Copa do Mundo de 2014 fará com que todos tenham que se mobilizar. Se tudo der certo, e todos contribuírem, teremos uma Natal adequada para crescer com qualidade de vida durante as próximas três décadas, pelo menos.

NHH -   Qual a sua opinião sobre a campanha eleitoral deste ano?

JPP - Foi uma campanha totalmente diferente de tudo o que já se assistiu. Em primeiro lugar por que a situação inédita de popularidade quase unânime do Presidente Lula fez com que se configurasse, nos estados, uma série de incongruências nas alianças, chegando a criar inusitadas "semi-alianças", que acabaram contaminando a todos. Em segundo lugar, positivamente, por que as campanhas tiveram que prescindir de pirotecnias (showmicios, camisetas etc) e ficaram mais baratas - ou menos financiáveis, diante de custos supostamente menores. Isso deveria fazer com que o discurso e os compromissos de campanha valessem mais. Mas acho que isso ainda está longe de acontecer.

NHH -   Como cidadão, como você vê a mistura de cores e partidos nos "palanques" ?

JPP - Pois é. Comentei acima. Aqui no Estado isso ainda foi mais estranho, pois além do fator Lula, desde o início tivemos uma candidatura disparada na frente e politicamente oposta ao Governo Federal. Isso resultou em várias posições confusas, dúbias mesmo. Algumas, como a do Senador Garibaldi, foram claramente explicitadas e explicadas desde o início - e o eleitorado entendeu. Outras foram sendo construídas ao sabor da campanha, e ficam difíceis de explicar sem parecer casuísmo. Mas, nada disso parece importar, pois o que interessa mesmo é atender aos pedidos diretos dos eleitores e lideranças (como comentei antes). Por isso, a campanha parece incongruente, e é. E segue assim. Acho que o cidadão acabou se acostumando com estas incongruências e resolveu entrar no jogo, pedindo a sua contra-partida a cada disputa eleitoral. É uma pena mas o processo eleitoral acabou virando um faz-de-conta, no discurso, e um toma-lá-dá-cá na prática. E os responsáveis por isso somos todos nós. E aí, é aquela coisa, não é? Responsabilidade difusa, punibilidade mínima. E vamos em frente assim.

NHH -   Qual o seu critério para escolha dos candidatos?

JPP - O meu é o mesmo sempre: currículo, realizações e compromissos de campanha. Penso no candidato como um representante real da minha pessoa, das minhas pretensões e das minhas insatisfações. Se eu não achar que ele(a) pode ser melhor do que eu mesmo representando estas coisas no Governo, no Parlamento ou no Estado, não voto nele(a).  A missão de encontrar tal candidato(a) não é fácil, mas é possível. Infelizmente, não sou maioria - creio.

NHH - O horário eleitoral lhe influencia na escolha dos candidatos?

JPP - Sim. Acho que é uma das poucas coisas que tem que continuar existindo, pelo menos enquanto o voto for obrigatório. É um tempo para que o cidadão ouça e veja o candidato performando, e assumindo compromissos. Pra mim, é o canal de divulgação dos principais fatores críticos que mencionei: curriculo, realizações e compromissos. Tem que existir e pesa sim.

NHH -  O que voce espera do seu candidato ou do eleito ?

JPP - Como eu disse, que me represente melhor do que se fosse eu mesmo lá.

NHH -   E "NA HORA H" ?

JPP - Sou energético... (risos).


JEAN-PAUL PRATES -  Advogado e economista, consultor e especialista em regulação. Mestre em Gestão Pública de Recursos Energéticos pela Universidade da Pensilvânia e Mestre em Economia e Regulação de Petróleo, Gás e Energia pelo Instituto Francês do Petróleo (Paris), Colunista do Jornal O GLOBO (blog Além do Petróleo), comentarista setorial dos canais GloboNews, Bloomberg e CNN, Diretor licenciado da consultoria Expetro e da revista especializada Oil & Gas Journal no Brasil.
Foi o Secretário de Energia do Governo do Estado do Rio Grande do Norte (2008-2010).

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Os números da balança comercial do RN

Muito cuidado ao concluir apressadamente sobre o déficit comercial do RN, corretamente reportado pelo @NovoJornalRN de hoje - a partir de fontes oficiais (MDIC e SEDEC-RN).

Ao olhar a balança comercial do Estado do primeiro semestre de 2010, tem-se que levar em conta que a importação de aerogeradores de Alegria I e II claramente é o único item que provoca o desequilíbrio.

A verdade, que devemos reconhecer, é que as exportações e importações do RN são normalmente irrisórias. E, agora, começaremos a brincar de comércio como adultos - se se considerar que estamos ampliando uma refinaria e construindo diversos parques eólicos.

Vamos ser realistas: como não temos grandes fluxos comerciais historicamente, teremos sim, balança comercial deficitária enquanto estivermos construindo parques eólicos (2010, 2011 e 2012).

Mesmo que venhamos a ter uma ou duas fábricas de equipamentos eólicos instadadas aqui (esta é uma meta desafiadora, tendo em vista as condições portuárias e logísticas inferiores em relação a Pecém e Suape, embora superável com inteligência e criatividade), é certo que não atrairemos todas. Ou seja, dentre os mais de 15 empreendedores diferentes que construirão parques no RN, certamente teremos uma parte que, por questões mercadológicas ou de contratos universais, importará equipamentos. Idem quanto à refinaria e à revitalização da nossa produção de petróleo. Elas exigem equipamentos e componentes geralmente importados do exterior ou de outros estados.

Em compensação, em dois anos estaremos exportando energia para todo o Brasil, pois teremos mais de 1000MW de capacidade instalada de eólicas e, em 2014, mais de 2000MW além da Termoaçu (cf. posts anteriores a respeito). Isto certamente re-equilibrará a balança, pois é fluxo constante de riqueza, com valor agregado, exportada.

Outra coisa: por alguma razão não estão registradas no balanço da reportagem as exportações de produtos derivados da Refinaria Potiguar Clara Camarão, que exporta RAT para Salvador, diesel para estados vizinhos e querosene de aviação para os aeroportos de João Pessoa, Campina Grande, Fortaleza e até Belém (ocasionalmente).

Estas exportações de derivados também devem ser contabilizadas, pois representam substituições à antiga exportação sistemática de barris de petróleo cru por produtos com alto valor agregado e muito maior valor econômico. E estas exportações de derivados de alta qualidade, produzidos em Guamaré, serão expandidas ao longo deste ano e do próximo, a partir do início do funcionamento da planta de gasolina automotiva - no próximo dia 16 de setembro.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Eólicas ao Vento

Ao longo de 2009 e 2010, o Rio Grande do Norte ganhou destaque nacional e internacional ao conquistar o primeiro lugar nacional em novos projetos eólicos licitados nos três leilões federais envolvendo esta fonte renovável de energia. 

Este resultado foi fruto de um demorado trabalho específico que envolveu ações concretas de:
  • racionalização dos procedimentos de interação com o setor; 
  • organização da informação setorial; 
  • conquistas regulatórias; 
  • mobilização de agentes econômicos, e 
  • integração dos órgãos governamentais envolvidos com tais empreendimentos. 
O necessário planejamento específico, trânsito institucional e autoridade de coordenação destas ações somente foi possível graças à existência da Secretaria Extraordinária de Energia, criada em 2006 pela Governadora Wilma de Faria e que tive a honra de ocupar desde meados de 2008 até início deste ano.

O balanço geral da atuação proativa desta Secretaria, além da conquista da Refinaria Clara Camarão e da planta industrial de biodiesel de Guamaré, da finalização da Termoaçu, da implantação de termelétricas emergenciais em Macaíba e de uma usina pioneira a biomassa, em Baía Formosa, e da introdução da fonte solar nos projetos energéticos do Estado (Vale do Açu, Seridó e Apodi) envolve, no que concerne as eólicas:
  • o encaminhamento final das obras dos parques Alegria I e Alegria II (Guamaré), 
  • o primeiro lugar em projetos habilitados e em MW vencedores no leilão de 2009, 
  • o primeiro contrato de energia eólica no mercado livre da história do Brasil (entre Bioenergy/RN e CEMIG/MG), e
  • o primeiro lugar em projetos habilitados e vencedores nos dois leilões federais ("A-3" e Reserva) realizados em agosto de 2010.
Considerando um balanço geral dos leilões e contratos livres envolvendo projetos no RN, chegamos a mais de 2.000MW instalados ou a ser instalados até 2013:
  • Rio do Fogo/Iberdrola (49.3MW) 
  • + Macau/Petrobras (1,8MW) 
  • + Alegria 1 e Alegria 2 (151,8MW) 
  • + Leilão de 2009 (somatório: 657MW) 
  • + Contrato Mercado Livre 2009 (218MW) 
  • + Leilões de 2010 (somatório: 1.064MW) 
  • = 2.141,0MW.
Considerando um fator de carga médio aceitável, da ordem de 45% para os projetos eólicos e mais as capacidade de geração de energia aportadas pela Termoaçu e pelas térmicas emergenciais de Macaíba e ainda a UTE de biomassa de Baía Formosa, e adicionando alguns projetos que certamente serão gerados no mercado livre e nos leilões dos próximos dois anos, é possível estimar que, em 2014 (ano da Copa), o RN será capaz de gerar energia suficiente para abastecer uma cidade como o Rio de Janeiro, sendo mais de dois terços a partir de fontes renováveis.

No que diz respeito aos investimentos e seus efeitos na economia do Estado, é licito estimar uma média de 5 milhões de reais para cada MW instalado, ou seja, apenas em eólicas novas, o Estado deverá provocar investimentos da ordem de 9 bilhões de reais, sendo um terço disso apenas em obras civis e montagens (ou seja, forçosamente aplicados nas áreas de construção dos parques).

No quesito geração de emprego, a regra de estimativa indica cerca de 10 empregos diretos e 15 indiretos gerados para cada MW na fase de construção e 3 diretos e indiretos na fase de operação. Isso permite concluir que as obras de construção que se desenvolverão no Estado poderão vir a gerar até 30.000 empregos diretos e indiretos a depender de sabermos recrutar, capacitar e empregar o máximo de potiguares e utilizar o máximo de fornecedores locais possível. Igualmente, no estágio de consolidação desta indústria, a partir da entrada em operação dos parques, deveremos ter canais de aproveitamento e transferência não-traumática desta mão-de-obra qualificada para novos ciclos industriais ou produtivos.

Este será portanto um dos grandes desafios da próxima Administração Estadual: propiciar integração, acompanhamento e apoio para otimizar os investimentos nos parques eólicos norte-riograndenses para benefício da economia e da sociedade local.

Isso requererá uma política de incentivo e apoio logístico para acolher fábricas de equipamentos, fornecedores de alto nível, desenvolvedores de tecnologia, prestadores de serviços especializados e tudo mais quando possa contribuir para a utilização máxima da mão-de-obra local e a geração máxima de renda para as regiões anfitriãs.

Além disso, outro desafio principal será o de enfrentar a fase crítica, e normalmente traumática, das obras - sujeitas a rusgas e até conflitos com comunidades, autoridades e empresários locais. Daí a necessidade premente da mediação e coordenação das ações por uma autoridade de consenso e conhecimento técnico.

A Secretaria de Energia também contribuiu para antecipar e planejar o enfrentamento destas questões futuras, plantando sementes valiosas a esse processo, tais como:
  • o aprimoramento e expansão do CTGás-ER para abranger as fontes renováveis em caráter de centro de excelência nacional para o setor, 
  • o projeto do Pólo Bilateral Industrial Eólico (PIBE) com o Ceará, 
  • as proposições pela luta pelo Terminal Oceânico de Granéis e Grandes Cargas no norte do Estado, os projetos de otimização e expansão da rede de transmissão elétrica permeando as áreas com potencial eólicos, 
  • a conexão destas indústrias com os projetos do Aeroporto de São Gonçalo, ZPEs de Assu e de Macaíba etc.
O aproveitamento do nosso potencial eólico é muito mais do que passar a viver de brisa. O RN precisa dar continuidade, séria e objetivamente, ao que semeou nos últimos dois anos. Sob pena de esta oportunidade perder-se ao vento.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Matéria da França-Brasil destaca o setor de petróleo do Brasil, e entrevista Jean-Paul Prates.

Matéria da revista França Brasil sobre o setor de petróleo no Brasil e sua interação com as empresas francesas traz depoimentos do diretor-geral do CERNE, Jean-Paul Prates.

A revista é produzida em português e francês e é distribuída para o mailing da Embaixada e consulados da França no Brasil, bem como para um "golden mailing" de executivos e autoridades dos dois países.

NEGÓCIOS
 
POTENCIAL NO HORIZONTE
Com planos de investir, até 2014, US$ 224 bilhões em novos projetos e em capacidade produtiva, a Petrobras impulsiona o setor de petróleo no Brasil e reforça a atuação de empresas francesas em áreas que vão desde a prestação de serviços até o desenvolvimento de novas tecnologias

Melanie Torres
 
Os próximos quatro anos prometem ser promissores para o Brasil. Impulsionado pela Copa do Mundo de 2014, que será sediada em 12 estados, o país terá investimentos significativos em diversas áreas, com destaque especial para as relacionadas à infraestrutura. Isso sem esquecer do potencial do setor de exploração de petróleo, que obteve destaque internacional após a descoberta da camada pré-sal. Segundo José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras, assim como em infraestrutura, a empresa passará, até 2014, por uma grande reformulação, correspondente ao maior plano de expansão da indústria nacional.
A estratégia destinará US$ 224 bilhões ao setor, sendo 95% do valor aplicado no Brasil. Com isso, a produção deverá aumentar dos atuais
2,7 milhões de barris/dia para 3,9 milhões barris/dia em quatro anos. "Esperamos conquistar a liderança mundial em produção de petróleo", diz Gabrielli, ao anunciar o investimento em 686 projetos. A complexidade das operações na camada do pré-sal, por sua vez, gerará oportunidades em pesquisa e tecnologia e capacitação profissional, além de atrair investimentos estrangeiros, a exemplo das empresas francesas que atuam no setor.
Alberto Machado, diretor executivo de Óleo e Gás da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), lembra que esse cenário difere, e muito, do registrado na década de 1970. "A produção era modesta e os investimentos voltados basicamente para as atividades de downstream (refinarias, terminais e dutos)", cita. Depois das descobertas na Bacia de Campos (RJ), a partir de 1974, essa realidade tem mudado gradativamente. "A produção nacional apresenta valores crescentes, atingindo níveis próximos da auto-suficiência. Em paralelo, foi desenvolvido um parque fornecedor de bens e serviços de padrão internacional, que atendem a Petrobras", diz o diretor.
De acordo com ele, além das mais de 70 oil companies que hoje atuam no Brasil, a evolução do setor gerou demandas em serviços que antes eram desenvolvidos pela própria estatal. Essas atividades, a exemplo de logística, gestão de empreendimentos, entre outras, são terceirizadas, seguindo uma tendência mundial, o que amplia a possibilidade de novos negócios. "A abertura de mercado criou oportunidades nas demais empresas de petróleo que hoje operam no Brasil, movimentando ainda mais o setor", considera Machado, ao destacar que o pré-sal, no médio prazo, impulsionará o segmento de forma significativa.
Atuando com sua expertise em petróleo, empresas francesas, concentradas principalmente no estado do Rio de Janeiro, têm contribuído para o desenvolvimento do setor no país. Essa participação - também representada pelo Instituto Francês de Petróleo (IFP) - tem sido importante não somente no fornecimento de tecnologias relacionadas à exploração, produção, processamento de petróleo como também na indústria de bens e serviços. A instalação de uma fábrica de linhas flexíveis para produção submarina e de tecnologia de soldagem - a Flexbrás, hoje conhecida como Technip - é um dos resultados
da parceria entre a França e a Petrobras, no final da década de 1970.
Segundo a estatal, as empresas francesas atuam tanto na prestação de serviços quanto no fornecimento de materiais. Esses serviços são considerados de extrema importância pela companhia e estão associados às diferentes etapas de exploração, que vão desde treinamento, pesquisa e geologia à perfuração de poços e lançamento de linhas submarinas. No setor de materiais, são fornecidos produtos químicos, tubos especiais, equipamentos submarinos, elétricos e mecânicos.
"Essa parceria é realmente histórica, estratégica e relevante para os dois países. A relação da Petrobras com o IFP, que concentra patentes de importância mundial, deve ser aprimorada cada vez mais. O mais interessante é que hoje o Brasil também ensina e inova", garante Jean-Paul Prates, diretor executivo da Expetro, consultoria especializada em recursos naturais e energéticos, e diretor-geral do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), ao destacar que, devido ao elevado nível técnico de suas empresas, a França é um grande fornecedor de inovação tecnológica e eficiência na implantação de novas soluções em petróleo no Brasil. "A partir destas características, as companhias conquistaram espaço nos grandes mercados petrolíferos mundiais", avalia.
Prates destaca que, no início, as atividades das companhias francesas estavam atreladas às paraestatais Elf e Total. Com a evolução do mercado internacional, elas tornaram-se autônomas e também centros de novos negócios. "Ainda existem etapas a percorrer, mas a realidade das parapetroleiras francesas já se aprimorou bastante. Elas hoje são mais competitivas. Arrisco-me em considerar que o mercado para essas companhias no Brasil, no mínimo, quadruplicou nos últimos 10 anos", analisa Prates.
Olivier Trouvé, diretor de Novos Negócios da Technip do Brasil, cita os dados de uma pesquisa realizada, em 2009, pela Associação das Empresas Francesas de Óleo e Gás (Groupement Entreprises Parapetrolies et Paragazieres) para explicar a importância do mercado nacional de petróleo para a França. O estudo destaca que a indústria parapetroleira do país considera primeiramente o Brasil - seguido por
Argélia e Angola - prioritário para seus investimentos internacionais. "Creio que o segmento será muito promissor e desafiador nos próximos 10 anos. É uma área que, sobretudo, demanda alta tecnologia. E, juntas, as indústrias francesas e brasileiras podem perfeitamente desenvolver, adaptar, otimizar e criar novas soluções para atender a essa realidade, que é o pré-sal", explica o diretor.
A Technip é uma das maiores empresas brasileiras de capital francês, que atuam nas áreas de engenharia, tecnologia e serviços de construção para a indústria de óleo e gás. É líder mundial em projetos e instalações. Em offshore, desenvolve plataformas fixas e flutuantes com tecnologias próprias, enquanto que, em onshore, obtém posição de destaque no processamento e liquefação de gás natural.

Linhas flexíveis - De acordo com o executivo, a companhia apresenta um histórico mundial de inovação. "Desenvolvemos projetos que envolvem desde o poço até a produção do petróleo na plataforma", acrescenta. Presente no Brasil há mais de 30 anos, a Technip atua em 48 países, contando com aproximadamente 23 mil funcionários no mundo e mais de dois mil em território brasileiro. "Uma das maiores inovações da empresa foi a criação do piper flexível (linhas flexíveis), cuja primeira aplicação foi feita no Campo de Garoupa, na Bacia de Campos (RJ), em 1977", explica Trouvé. Atualmente a companhia conta com três fábricas, instaladas na França, no Brasil - na cidade de Vitória (ES) - e na Malásia.
Também investindo nesse mercado, a Vallourec & Mannesmann do Brasil (V&M) recentemente conquistou o Commercial Excellence Award - premiação concedida pelo grupo V&M para incentivar o desenvolvimento das melhores práticas comerciais entre todas as subsidiárias mundiais -, em reconhecimento a um projeto que analisa questões relevantes do pré-sal no Brasil, denominado Vallourec Pre-salt Project (VPP), coordenado pela Superintendência de Tubos Petrolíferos. O trabalho consiste na criação de uma solução técnica e comercial para atender às necessidades específicas da Petrobras. Como resultado, a empresa se tornou fornecedora preferencial dos tubos Super 13% Cr - produzido com aço proprietário de alta liga, resistente à corrosão -, que serão aplicados na extração do petróleo da estatal brasileira. "Esse é, sem dúvida, um marco importante para os nossos negócios no país. Hoje, a V&M também se encontra bem posicionada entre as especializadas em deep offshore", diz Alexandre Lyra, diretor-geral da V&M.
Fábio Yoshida Schneider da Silva, coordenador comercial do VPP, conta que a exploração da camada do pré-sal já exigiu a perfuração de mais de uma dezena de poços, sendo que em 100% dos casos foram utilizados os tubos da V&M Brasil, especialmente os de alta resistência, desenvolvidos para suportar pressões em locais de grande profundidade. "A Petrobras tem metas para aumentar sua capacidade. E sabemos que o pré-sal nos garantirá muito trabalho pela frente", analisa. Presente no país desde 1952, a V&M - fundada pela alemã Mannesmannröhren-Werke - se instalou no Brasil com o intuito de fornecer tubos de aço sem costura da Petrobras, até então uma emergente indústria petrolífera.
A fusão com o grupo francês Vallourec ocorreu em 2000, contando atualmente com capital aberto do país. Silva explica que hoje a empresa oferece produtos específicos para perfuração, manutenção do poço aberto e transporte de óleo e gás até a superfície. No Brasil, a V&M permanece como a única produtora no segmento de tubos de aço sem
costura. Outro diferencial são os produtos Premium, que atendem poços com até cinco quilômetros de perfuração.
Desde a divulgação das descobertas da camada pré-sal, as oportunidades no setor de petróleo têm obtido destaque, revelando outras áreas promissoras para os negócios, a exemplo das prestadoras de serviço. Um dos exemplos é a Jocatec, provedora de seguros de embarcações de apoio a plataformas, navios lançadores de linhas, ROVs (robôs submarinos operados remotamente) e operações de engenharia submersa. Luiz Felipe Cassinelli, diretor-presidente, revela que os principais clientes da companhia são as parceiras da Petrobras, que atuam nos segmentos de óleo e gás, além da indústria naval. "Nesta área, desenvolvemos contratos para área de gestão de benefícios customizados de acordo com o perfil exigido pela estatal", diz o executivo, ao mencionar que uma das conquistas mais recentes da companhia refere-se a um contrato de embarcações, cuja apólice é 100% nacional, não exigindo resseguro externo, um fato inédito no Brasil.
Autonomia de voo - "Normalmente, essas operações incluem agentes financeiros e seguradores que atuam no exterior, com taxas maiores. Nossa operação foi toda realizada no país. Isso aconteceu devido à estabilidade da economia, que nos permitiu oferecer taxas mais competitivas e redução do custo final do seguro para o nosso cliente", relata Cassinelli.
O aumento da produção de petróleo, por sua vez, exigirá uma conexão mais rápida e eficiente do litoral para as plataformas. Ciente das perspectivas no segmento de transportes, especificamente em helicópteros, a francesa Turbomeca prepara-se para ampliar o fornecimento de turbinas para essas aeronaves.
"As áreas de exploração do pré-sal são muito distantes da costa. Isso exige que os funcionários da Petrobras sejam transportados em helicópteros de grande porte e com maior autonomia de voo", justifica François Haas, diretor-geral da Turbomeca. O plano da empresa, segundo o executivo, é estabelecer parcerias e oferecer novas tecnologias, além da aplicação de 10 milhões de euros na instalação de um banco de provas de turbinas de última geração, que também atenderá ao mercado externo. "Nossa meta é registrar, até 2013, um faturamento de R$ 300 milhões", ressalta Haas.
Produzindo e comercializando soluções tecnológicas para a produção de gases, a Air Liquide também considera a descoberta da camada do pré-sal oportuna para seus negócios no país. Tanto que a estratégia é oferecer inovações desenvolvidas em sua unidade nos Estados Unidos, que poderão ser aplicadas na exploração de petróleo e gás em águas profundas. Tratam-se do processo de separação
e produção de gases do ar por meio de membranas e dos equipamentos para conversão de gás natural em forma líquida, o que facilitará o transporte do produto até o litoral.
Na opinião de Jean-Paul Prates, da Expetro, a atuação diversificada das empresas francesas no setor de petróleo, principalmente em áreas operacionais complexas como o offshore brasileiro, contribui para o aprimoramento de segmentos, como o de pesquisa e desenvolvimento (P&D), e a implantação de novas tecnologias. "O desafio agora é enfrentar a concorrência de outras empresas estrangeiras, a exemplo dos chineses. Mas isso vale para todos", aconselha o diretor, ao mencionar que outra estratégia, que deve ser considerada, é a nacionalização de componentes e equipamentos, capaz de reduzir custos e de gerar novos empregos no país.

domingo, 4 de julho de 2010

Saiba o que é e o que faz o CERNE | Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia

O Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia | CERNE é um “think tank” (núcleo de referência) voltado para a concepção, discussão e implementação de estratégias e projetos relativos ao aproveitamento sustentável dos recursos naturais e energéticos no Rio Grande do Norte e na região em que ele se insere (Nordeste Setentrional do Brasil).

A forte integração entre empreendedores, especialistas técnicos e setoriais, gestores públicos, academia e centros de pesquisa, dá ao CERNE a capacidade de desempenhar atividades de caráter técnico, econômico-financeiro, regulatório e institucional com base:

· na geração e gestão de informações setoriais,

· na antecipação de tendências e desafios;

· na mobilização de forças políticas, e

· na interação técnica, empresarial e governamental,

para apoiar e aprimorar todo tipo de exploração econômica sustentável dos recursos naturais, renováveis e não-renováveis, e também da geração de energia a partir destes recursos.


MISSÃO E OBJETIVO

A missão do CERNE é promover a articulação e a integração das diferentes instâncias institucionais, acadêmicas, científicas, empresariais e governamentais relacionadas com a exploração sócio-econômica, preservação, planejamento e desenvolvimento dos recursos naturais e fontes energéticas com vistas à otimização, eficientização e, sobretudo, sustentabilidade das atividades a elas pertinentes, de forma a assegurar sua boa utilização no presente e em benefício das gerações futuras.

Constitui objetivo geral do CERNE ser um parceiro dos setores privado e público na busca por soluções objetivas e pragmáticas sobre os diversos desafios dos atores econômicos relacionados com o aproveitamento sustentável dos recursos naturais e da energia, permitindo que os diferentes participantes possam melhor se posicionar dentro do contexto dinâmico destes setores.


FUNCIONAMENTO

Sem fins lucrativos, o CERNE possui uma estrutura de funcionamento ágil e eficiente – mantida pelos seus membros.

Com sede em Natal (RN) e escritório de apoio no Rio de Janeiro (RJ), o CERNE tem duas categorias de membros efetivos e duas categorias de apoio institucional, a saber:

Membros Mantenedores: empresas com atuação direta ou indireta nos setores econômicos relacionados com a missão do CERNE, e interesse em integrar-se e reunir esforços e recursos em prol da consecução de objetivos comuns quanto às suas áreas de interesse. Contribuem financeiramente para o CERNE conforme classificação determinada pelo Conselho Gestor, e têm direito de votar (um voto por CNPJ) nas Assembléias Gerais do mesmo. No caso de CNPJs estabelecidos no Estado do Rio Grande do Norte, possuem também o direito de veto a deliberações e projetos propostos.

Membros Convidados: pessoas jurídicas ou individuais, locais ou regionais, usualmente de pequeno ou médio porte, que prestam serviços especializados de natureza técnica, jurídica, economico-financeira ou consultiva em geral, e que são convidados a participar do CERNE em função de sua especialização e potencial de agregar às discussões e trabalhos, mediante: (i) a apresentação de credenciais técnicas, societárias e contábeis; (ii) a aprovação pelo Conselho Executivo, e (iii) a assinatura de termo de compromisso respectivo.

Patronos Institucionais: instituições públicas ou privadas que desenvolvam atividades ou atuem em área de interesse do CERNE, cujas participações concorram para o apoio institucional e para a representatividade do mesmo.

Patronos Beneméritos: aqueles que receberem este título honorífico por ato do Conselho Gestor, dentre as personalidades de destaque nos campos de atuação do CERNE ou que, ao longo do desenvolvimento das suas atividades, venham a contribuir de forma significativa para a expansão e consolidação das finalidades da entidade.


ATIVIDADES DO CERNE

O CERNE trabalha com projetos sob medida, que visam ampliar a inserção econômica do Rio Grande do Norte no Brasil e no mundo, e promover o desenvolvimento sócio-econômico de suas regiões por meio de massa crítica e reflexão especial sobre os rumos do setor de recursos naturais e energia, nacional e internacional, bem como a implementação de estratégias efetivas.
Assim sendo, são atividades do CERNE, estatutariamente:

I. Constituir-se no principal pólo de integração entre as empresas, universidades e centros de pesquisa, visando ao fortalecimento e melhoria da atratividade e viabilidade dos projetos e investimentos relacionados com recursos naturais e energéticos assim como a competitividade da indústria de bens e serviços a eles relacionada, estabelecidos no Rio Grande do Norte e na Região Nordeste do Brasil;

II. Acompanhar a evolução tecnológica e regulatória bem como as tendências dos setores industriais, financeiros e operacionais relacionados com os recursos naturais e energéticos do Rio Grande do Norte e da Região Nordeste, em função da reorganização dos mesmos no Brasil e no mundo, e disponibilizar estas informações para todos os seus Membros;

III. Criar e manter atualizado um sistema de informação constituído de bases de dados sobre projetos e operações em curso nestas áreas, que atenda ao setor industrial, aos organismos governamentais, às agências de fomento e a centros tecnológicos e universitários;

IV. Apoiar as iniciativas de pesquisa e desenvolvimento de novas técnicas e/ou tecnologias de projeto, materiais, equipamentos e produtos, metodologias e métodos de análise, valoração e teste/ensaios para o aproveitamento sustentável de recursos naturais e energéticos, com a participação de empresas, instituições de pesquisa e universidades, visando a sua transferência e/ou utilização;

V. Desenvolver programas sociais, ambientais, educacionais, científicos, tecnológicos, culturais, esportivos, de lazer e saúde pública e de mobilização por investimentos públicos e privados que realizem a promoção do progresso e sustentabilidade em cada uma das respectivas áreas de atuação dos entes relacionados com recursos naturais e energia;

VI. Conceber, elaborar e executar projetos, bem como desenvolver estudos técnicos e pesquisas relacionadas à sua Missão e assessorar tecnicamente quem atua ou tem pesquisas nas suas áreas de competência tecnológica;

VII. Motivar e promover a criação de novos projetos e novas empresas com base tecnológica e gerencial voltada para o aproveitamento sustentável de recursos naturais e energéticos;

VIII. Promover cursos, palestras, simpósios, seminários, congressos, encontros, e outros eventos relacionados com a promoção e implementação da sua Missão;

IX. Promover a criação de cooperativas, associações e núcleos comunitários, e participar da instalação e funcionamento de campanhas, programas educacionais ou informativos, publicações e veículos de mídia ou outros canais que sirvam à conscientização, mobilização, informação ou capacitação, de forma a aprimorar e acelerar as ações relacionadas com a sua Missão, e

X. Desenvolver e participar de cursos profissionalizantes e técnicos buscando treinar, capacitar e certificar trabalhadores, usuários e empreendedores para sua consciente e correta inserção no mercado de trabalho e ambiente operacional dos setores relacionados aos recursos naturais e energia;

Ainda com vistas a efetivar os objetivos enumerados e, captar recursos para a consecução dos seus objetivos, pode o CERNE:

a) Celebrar contratos e convênios junto aos poderes públicos municipais, estaduais e da União Federal; Executivo (da administração publica direta e indireta, empresas públicas, sociedade de economia mista), Legislativo e Judiciário; bem como, junto aos poderes públicos na esfera internacional – ressalvados os seus objetivos;

b) Firmar parcerias junto a outras organizações não governamentais – ONG’s, nacionais e internacionais, relacionadas a suas áreas afins;

c) Receber doações de pessoas naturais ou jurídicas interessadas em investir em seus programas, projetos e pesquisas, e

d) Prestar serviços de natureza consultiva, remunerados ou não, a entidades relacionadas com os setores de recursos


ADMINISTRAÇÃO

O CERNE dispõe da seguinte estrutura organizacional:

I. Assembléia Geral;

II. Diretoria Executiva e Diretorias Setoriais;

III. Conselho Fiscal.


ASSEMBLÉIA GERAL

A Assembléia Geral é o órgão máximo do CERNE, formado por número ilimitado de membros, dentre os seus Membros Mantenedores e Convidados. Cada Membro Mantenedor têm direito a indicar até dois representantes e dois suplentes. Cada Membro Convidado tem um representante e um suplente indicado.

Para fins de deliberação e votação da Assembléia Geral, contam-se os votos dos representantes titulares ou de cada um de seu(s) respectivo(s) suplente(s) em caso de impedimento deste(s).

A Assembléia Geral se reúne em AGO no mínimo anualmente, e delibera e aprova por votação em maioria simples. A Assembléia Geral poderá reunir-se em caráter extraordinário a qualquer tempo.


DIRETORIA EXECUTIVA

A Diretoria Executiva é o órgão executivo do CERNE, formado por 03 (três) membros, sendo 01 (um) Diretor Presidente, 01 (um) Secretário Geral e 01 (um) Diretor Financeiro, os quais perceberão remuneração mensal a ser definida em Assembléia Geral do CERNE.

A Diretoria Executiva somente se instala com a presença de todos os seus membros, devendo as deliberações ser tomadas pelo voto afirmativo de todos eles.

O mandato da Diretoria Executiva possui duração de 03 (três) anos, facultada a reeleição de seus membros por somente uma vez e alternadamente.


DIRETORIAS SETORIAIS E COORDENADORIAS ESPECIAIS

As Diretorias Setoriais, possuidoras de caráter consultivo na coordenação das atividades do CERNE, dividir-se-ão, conforme os objetivos do CERNE, nas seguintes áreas de especialização setorial:

I. Diretoria de Recursos Hídricos (DRH);

II. Diretoria de Recursos Minerais (DRM);

III. Diretoria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (DMAS);

IV. Diretoria de Energia Eólica (DEE);

V. Diretoria de Petróleo (DPET);

VI. Diretoria de Energias Alternativas Emergentes (DEA);

VII. Diretoria de Agroenergia e Agricultura Sustentável (DAAS);

VIII. Diretoria de Salinicultura e Derivados (DSAL);

IX. Diretoria de Aqüicultura e Pesca Sustentável (DAPS);

X. Diretoria de Desenvolvimento Urbano Sustentável (DURB);

XI. Diretoria de Infraestrutura e Logística (DLOG);

XII. Diretoria de Aproveitamento e Processamento Químico (DPQ);

XIII. Diretoria de Energia Solar (DSOL);

XIV. Diretoria de Gás Natural (DGAS).


As Coordenações Especiais tratam das atividades-meio do CERNE nas seguintes áreas:

I. Coordenação Especial de Relações Institucionais (CRI);

II. Coordenação Especial de Capacitação e Eventos Técnicos (CET);

III. Coordenação Especial de Publicações e Mídia (CPM);

IV. Coordenação Especial de Integração Acadêmica e Científica (CIACC);

V. Coordenação Especial de Integração Empresarial (CIEMP);

VI. Coordenação Especial de Integração Governamental (CIGOV);

VII. Coordenação Especial de Integração Técnica (CITEC).


THINK-TANK

A definição clássica de “think tank” (expressão inglesa que significa "depósito de idéias") é uma instituição, organização ou grupo de investigação que produz conhecimento e oferece idéias sobre assuntos relacionados a política, comércio, indústria, estratégia, ciência, tecnologia ou mesmo assuntos militares.

A maior parte dos think tanks são organizações sem fins lucrativos, fundados por governos, grupos de interesse ou empresas. Alguns think tanks também exercem funções de pesquisa e consultoria, sendo essa uma de suas fontes de financiamento.

Os think tanks têm se tornado cada vez mais utilizados por grupos empresariais do mesmo setor ou de setores semelhantes (complementares ou regulados de forma assemelhada) para justamente constituir uma entidade que não apenas reúna seus membros associativamente em torno de objetivos de comum interesse mas, mais ainda, tenha autonomia, agilidade e eficiência para AGIR na implementação das estratégias elaboradas, discutidas e acordadas pelo grupo. Um think tank não é um Instituto ou Associação meramente propositiva. Trata-se também de uma entidade de AÇÃO.

O conjunto de documentos em anexo constitui a base para o início da remobilização dos empreendedores e empresas em torno desta nova entidade, que objetivará, inicialmente, efetivar a implementação e operação dos projetos relacionados com a nova era de aproveitamento dos recursos naturais do RN e do Nordeste.

Para maiores informações, entre em contato: contato@riograndedonorte.net

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Mesmo sem apoio, delegação da Redepetro-RN tem sucesso no Canadá

Digna de felicitações a iniciativa da REDEPETRO-RN em organizar a missão brasileira à feira Global Petroleum Show, em Calgary, no Canadá, encerrada na semana passada.

Dado o total não-envolvimento do Estado e da Petrobras, os números são impressionantes:

O RN participou da maior feira de petróleo voltada principalmente para atividades terrestres do mundo: 2.400 expositores (a maioria, estandes pequenos porém carregados
de tecnologias de ponta) e 63.000 visitantes.

Colocou seu estande institucional da RedePetro – Brasil. Foi a 1ª vez que o Brasil esteve representado com estande nesta feira); 32 brasileiros na delegação das RedesPetro (a maior delegação brasileira que já visitou o GPS), composta de representantes de 05 estados
(AM, BA, RN, RS, SP); 02 palestras sobre o mercado brasileiro onshore; 114 reuniões de negócios entre empresas canadenses e brasileiras realizadas no Encontro de Negócios; 135 empresas canadenses atendidas diretamente no estande da RedePetro – Brasil (a maioria delas interessadas em investir no Brasil através de parceiros brasileiros); 7.000 visitantes (aproximadamente) desfilaram na frente do estande da RedePetro – Brasil;

E a nota negativa, que a própria Redepetro-RN destacou em email a nós dirigido, sobre o balanço da participação: R$ 0,00 investidos pelo Governo Federal, Governos Estaduais ou
Governos Municipais brasileiros apoiando esta missão voltada para a captação
de investimentos; R$ 40.000,00 (aproximadamente) investidos pelo Governo do Canadá
e pelo Governo da Província de Alberta para viabilizar a missão brasileira (estande, encontro de negócios, palestras, etc.); 0 (nenhum) representante do Governo Federal, Governos Estaduais,
Governos Municipais, Bancos de Fomento ou Entidades de Classe brasileiras no evento; 08 funcionários do Governo do Canadá, Governo de Alberta e EDC (Export Development Canada) exclusivamente dedicados a dar suporte à missão brasileira; 0 (nenhum) representante do Governo do Estado ou da Petrobras no evento;

Nos próximos dias a Redepetro-RN disponibilizará o perfil das empresas canadenses interessadas em achar parceiros no Brasil. Segundo eles, a procura é grande!

Torcemos pelo sucesso dos negócios iniciados e por uma participação brasileira ainda maior na edição de 2012 do Global Petroleum Show.

terça-feira, 8 de junho de 2010

A CAPITAL DOS VENTOS, MAIS UMA VEZ.

Nos próximos dias 10 e 11 de junho acontece no Serhs Natal Grand Hotel no Rio Grande do Norte a segunda edição do Fórum Nacional Eólico / Carta dos Ventos. Em 2009, tivemos mais de 250 participantes neste evento que aconteceu em terras potiguares com caráter predominantemente político.


O Fórum Nacional Eólico reúne autoridades, investidores e decisores do setor de energias renováveis do Brasil e de outros países. O Fórum Nacional Eólico 2010 terá como tema principal o início do processo de implantação dos novos parques resultantes dos leilões federais e das contratações no mercado livre para eólicas. Para isso o evento terá uma estrutura dinâmica e objetiva que, ao final, proporcionará aos participantes a oportunidade de participar efetivamente do aprimoramento das condições regulatórias, operacionais, institucionais, ambientais, financeiras e econômicas para a continuidade dos investimentos comprometidos para os próximos anos.

Na grade programática, a implantação dos projetos, as condições de financiamento, o estado da arte em tecnologia, as novas fronteiras de fornecimento e operações, e os aspectos ambientais da geração de energia eólica serão os temas dos módulos que, este ano, contarão com a coordenação de entidades especializadas atuantes em cada segmento de interesse desta indústria.

Teremos também, novamente, a Reunião Privada, cujo formato e dinâmica agradaram imensamente aos patrocinadores e autoridades presentes. O tema deste ano será a infraestrutura de transmissão e logística para implantação física dos parques eólicos”, essencial para o atendimento ao cronograma e exigências gerais para implantação dos novos parques eólicos.

Outra importante atividade do II Fórum Nacional Eólico será a reunião de instalação da “Força-Tarefa de Atualização da Carta dos Ventos”. Esta reunião acontecerá no dia 10 pela manhã em uma reunião de trabalho privativo entre as autoridades signatárias: MME, MMA, Governos dos Estados, Congresso Nacional (Senado e Câmara), Assembléias Estaduais, ABEEÓLICA, Federações das Indústrias, Universidades e Centros de Pesquisa. No encontro, será realizada a atualização dos termos da Carta, e deliberado um cronograma de atividades para implementação das diretrizes estratégicas e operacionais previstas no documento.

Para a edição 2010 há confirmações importantes instituições como: Ministério de Minas e Energia, Ministério do Meio Ambiente, CCEE, ONS, Secretarias Estaduais para Assuntos de Energia, ABEEOLICA, APMPE, FIERN, Ministério Público Estadual, além de autoridades locais do Estado do Rio Grande do Norte.

O Fórum Nacional Eólico 2010 será uma oportunidade para estabelecer novos contatos e estabelecer metas sobreos rumos do setor eólico em 2010-2011, não só para o Estado do Rio Grande do Norte bem como para todo o país.

A edição 2010 conta com os patrocínios principais da Wobben, CPFL, Petrobras e Guodian China Corporation. Patrocinam também esta iniciativa em 2010 as empresas: Vestas, Iberdrola, Dois A Engenharia e Siqueira Castro Advogados. O Fórum Nacional Eólico 2010 é uma iniciativa do CERNE – Centro de Estratégias em Recursos Naturais & Energia, tem como Estado Anfitrião o Rio Grande do Norte e é organizado pela VIEX Americas.

AGENDA:
10 e 11 de junho de 2010
Serhs Natal Grand Hotel
Telefone para contato: (11) 5051-6535
Site: http://www.viex-americas.com.br/eventos/47-2o-forum-nacional-eolico-carta-dos-ventos/93-contexto-e-objetivos
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