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Opinião e realizações

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Campos terrestres têm que ter incentivos e continuidade.

O Secretário de Energia do Governo do Estado do RN foi o destaque da semana no informativo setorial NICOMEX NOTÍCIAS, lido diariamente por mais de 22.000 leitores e atingindo mais de 5.500 empresas do mercado petrolífero em todo o Brasil.


ENTREVISTA COM JEAN-PAUL PRATES -
05/11/09

O entrevistado da coluna 5X Petróleo desta semana é com o Especialista em Recursos Naturais e atual Secretário de Energia e Assuntos Internacionais do Governo do Estado do Rio Grande do Norte, Jean-Paul Prates.

Na entrevista, o secretário fala sobre a exploração de petróleo onshore e o impacto da descoberta do pré-sal para esses campos

1X A produção de petróleo no Estado do Rio Grande do Norte vem caindo significativamente. Nos últimos nove anos, o volume produzido caiu quase 10 milhões. O que representa para o setor petrolífero brasileiro o declínio na produção desses campos?


As bacias terrestres brasileiras, em sua maioria (ao menos as que possuem produção significativa, atualmente) têm pelo menos 20 ou 30 anos de histórico de operações. Tecnicamente, são o que se consideram bacias maduras – ou seja, foram descobertas há muitos anos e já se encontram numa fase bem avançada do seu perfil de produção.


Normalmente, bacias que se encontram neste estágio são objeto de três processos: re-exploração (ou seja, revisitação exploratória empregando métodos e tecnologias de visualização mais modernas combinadas com intensificação da perfuração exploratória), revitalização dos campos (ou seja, a aplicação de técnicas e tecnologia de aprimoramento da capacidade produtiva e aumento do fator de recuperação dos campos, especialmente aqueles que se situem no limite da sua viabilidade econômica – ditos "marginais") e sucessão de operadores/investidores (ou seja, a passagem de bastão para operadores locais menos onerados pelo custo administrativo das grandes corporações e mais dedicados a operações de menor porte).

Há dois enfoques a serem observados quanto a estes processos: um técnico e outro de ordem política/regulatória. Tecnicamente, há inúmeras maneiras de se prolongar e aprimorar o perfil produtivo de uma bacia madura, tanto com a descoberta de novas reservas quanto incrementando o fator de recuperação dos campos já em operação. Mas isso requer uma decisão de política setorial que entusiasme os investimentos nestes processos e incentivos de ordem fiscal, operacional e regulatória.

2X De que forma o senhor avalia a atuação do governo nas atividades petrolíferas em terra no país?


O Governo não tem como função principal investir em produção de petróleo. Ele tem é que propiciar um ambiente favorável ao investimento e garantir condições de viabilidade técnica e econômica para que a produção ocorra e gere receita, tanto para o investidor remunerar seu capital quanto para ele, governo, tributar e aplicar nas suas funções precípuas.

A Petrobras, na condição de principal operadora, investidora e detentora de direitos exploratórios de petróleo no País, tem cumprido o seu papel na Bacia Potiguar, mantendo (e até incrementando) o seu nível histórico de investimento e custeio nas operações, em terra e no mar. Mas isso não é o suficiente. Até porque a Petrobras poderá e deverá ter outros interesses e prioridades a perseguir, a partir do fortalecimento de que foi objeto nas últimas décadas e do sucesso exploratório em bacias mais complexas, caras e produtivas – como é o caso do offshore no Sudeste brasileiro e, mais recentemente, do Pré-Sal, também lá.


3X Como o senhor avalia a atuação de investidores e operadores ditos "independentes" (de menor porte, não vinculados às grandes corporações tradicionais da indústria do petróleo)?

O surgimento, e a sobrevivência desses investidores e operadores ditos "independentes", pode ser considerado “teimoso”. Eles nunca foram prestigiados ou incentivados pelo Governo Federal, nem antes nem depois de 2003 – essa é que é a verdade. Parece que o Brasil não acredita ser possível desenvolver as atividades terrestres como os EUA, Canadá, Austrália, Rússia, Ucrânia e outros países de dimensões, geologia e vitalidade econômica similar conseguiram fazer no seu "onshore", ou seja, através da sucessão natural de agentes e do foco/especialização dos mesmos nas atividades ditas "marginais" à grande indústria.

Outra coisa importante a se mencionar é a necessidade de investimento novo na busca de reservas de gás na Bacia Potiguar. A produção de gás, mais do que a de petróleo, vem declinando acentuadamente. Isso afeta muito a capacidade do Estado de manter a sua costumeira condição confortável de produtor que pode atrair investimentos industriais com base na oferta local abundante de gás. Precisamos reforçar políticas setoriais que incentivem a busca por novas res

ervas de gás no RN-CE, principalmente em terra.

4X Na sua opinião, a descoberta do pré-sal pode ter impedido o desenvolvimento da exploração de petróleo em terra no país?


Ainda não, pois o pré-sal ainda é muito recente, e seria muito cruel responsabilizar a sua descoberta por "impedir" o desenvolvimento do "onshore" brasileiro. A análise certa é o oposto: o pré-sal só foi descoberto (e, antes dele, as bacias marítimas de Campos, Santos e ES) porque a Petrobras foi procurar no "offshore" os volumes e a produtividade que nunca chegou a encontrar em terra. Foi um período de investimento estratégico, necessário, fundamental para tirar do País a condição de importador contumaz de petróleo.

A partir de agora, todos (Governo Federal, governos estaduais e agentes da indústria – inclusive a Petrobras) temos que repensar o que desejamos fazer com as bacias terrestres, pois obviamente teremos uma priorização das áreas comprovadamente prolíficas (especialmente mas não se limitando ao Pré-Sal), tanto em termos de recursos financeiros quanto humanos e técnicos. Por outro lado, a continuidade das atividades de petróleo em terra é desejável devido ao alto potencial de geração de emprego e renda no interior, e por tradicionalmente já fazerem parte do cotidiano do RN.



5X De que forma o governo do Rio Grande do Norte vem atuando nesses campos de petróleo?

Apesar de vivermos este declínio gradual da produção, em razão da própria exaustão natural dos campos produtores, temos apoiado o máximo possível a realização de investimentos re-exploratórios e de perfuração intensiva na Bacia Potiguar, em busca de reverter esta curva. Isso aquece o mercado local de fornecedores e prestadores de serviço bem como o mercado de trabalho. Os resultados começam a surgir devagar: temos observado que a Bacia Potiguar poderá voltar a incrementar a sua produção diária dos atuais 70,000 b/d para 80,000 b/d já em 2010, e quem sabe retornar aos 100,000 b/d em 2012.


De nossa parte, pelo Governo do Estado, estamos atuando intensa e efetivamente em três frentes. A primeira delas no apoio e a agilização dos processos referentes a todas as operações de perfuração, re-exploração ou revitalização da Bacia Potiguar, em especial na sua porção terrestre. A outra trata do incentivo (fiscal e institucional) e o apoio aos produtores (tanto Petrobras quanto os independentes) no Estado, além da busca de novos investidores nestas áreas. Por fim estamos fomentando iniciativas relacionadas com P&D e capacitação especificamente voltada para atividades terrestres, apoio financeiro a fornecedores e prestadores de serviços locais, e estabelecimento de diretrizes e estruturas industriais para o desenvolvimento da indústria local nesta área.

Por Bruno Hennington
bruno.h@nicomexnoticias.com.br

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