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Opinião e realizações

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Valor repercute o RN: "Pré-Sal do Nordeste está na força dos ventos"

Felipe Porciúncula,
para o Valor, de São Paulo
20/10/2009


Os ventos alísios, que trouxeram os portugueses com as caravelas, sopram, desde 2007, na direção da autossuficiência energética para alguns Estados brasileiros como Rio Grande do Norte e Ceará. É a força da energia eólica, que além de ser renovável, tem a vantagem de ser complementar à hidroelétrica. O pico de produção dessa fonte ocorre justamente no segundo semestre, quando as chuvas diminuem no país, o que significa menor capacidade das represas. "O nosso pré-sal está nos ventos", comemora Jean Paul Prates, secretário de energia e relações internacionais do Rio Grande do Norte.

Em 2001, o Atlas Eólico Nacional, produzido pelo Centro de Pesquisas de Energia (Cepel) da Eletrobrás, revelou que o potencial do país é imenso. São 143 GW, bem mais que a produção energética nacional, de 107 GW. Desse total, 75 GW estão concentrados no Nordeste. "Fina lmente os planejadores do sistema elétrico nacional começaram a perceber a energia eólica como parte da matriz energética brasileira. Esse é um potencial que precisa ser trabalhado agora e não no futuro", analisa Lauro Fiuza, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica(ABEEólica).

Uma segunda versão desse Atlas está sendo feita, com a diferença que as medições estão captando ventos de 100 metros, ao invés de 50 metros, O trabalho só deve ser concluído em 2011. Segundo projeções, o potencial pode subir para 300 GW, superando o que pode ser alcançado com as hidrelétricas. "É importante destacar que o fator de capacidade da energia eólica é de 30% (ou seja, durante um terço do ano há produção de energia, e no restante, a produção não é significativa) enquanto a da energia hidroelétrica é o dobro disso", explica Hamilton Moss, diretor do Departamento de Desenvolvimento Energético do Ministério das Minas e Energia.

Nesse mercado, destaca-se o Ceará, que já é o Estado que mais produz esse tipo de energia, com 237,23 MW. "No próximo ano já seremos autossuficientes em energia e até 2013 teremos um excedente de energia da ordem de 1,7 GW. Todos os investidores interessados em vir para cá sempre perguntam sobre a nossa segurança energética", explica Rodrigo Rolim, coordenador de energia e comunicações do Ceará.

Não é à toa que a SIIF do Brasil, a maior empresa de energia eólica no país está no Ceará. Até o próximo ano, a empresa terá em operação 207 MW, com quatro parques eólicos e investimento de R$ 1 bilhão, além do parque de Quintanilha Machado I, em Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro, no valor de R$ 700 milhões. "Esse parque tem um grande diferencial, pois poderá ser o fornecedor de energia limpa para a Olimpíada do Rio, em 2016. A sua construção só depende da liberação do Ministério da Aeronáutica, que por conta do Aeroporto Internacional de Cabo Frio, exigiu que fossem feitas adaptações nos aerogeradores do parque", explica Marcelo Picchi, diretor da SIIF Énergies.

Um primeiro impulso para a criação da indústria eólica no país foi dado pelo Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa), do Ministério das Minas e Energia, criado em 2004, mas que efetivou suas primeiras contratações de energia, em volume considerável, a partir de 2007. "Para se ter uma ideia da sua importância, antes desse programa, o país tinha 22 MW instalados, e hoje já são mais de 500 MW em seis Estados. É bom salientar que o Proinfa também contratou pequenas centrais hidroelétricas (PCHs) e usinas de biomassa, mas a grande vedete é mesmo os parques eólicos por terem se consolidado como componente importante da nossa matriz energética", afirma Hamilton Moss, do Ministério das Minas e Energia.

Até o final de 2010, o Proinfa vai ser concluído com a oferta de 1,427 GW de energia eólica em todo o país, o que significa que entre os anos de 2009 e 2010, serão investidos R$ 4,6 bil hões. Um dos resultados concretos do Proinfa foi que vários grupos estrangeiros resolveram se instalar no Brasil para gerar energia eólica. Entre eles, o australiano Pacific Hydro que já opera dois parques na Paraíba e está disposto a investir cerca de R$ 1 bilhão em novos projetos.

A diversificação da matriz energética nacional é um dos aspectos mais valiosos desse processo, pois afasta cada vez mais o fantasma do "apagão" de 2001. Isso inclui também as termoelétricas, tão condenadas pelos ambientalistas. "É bom dizer que elas só funcionam em média 7% ao longo de sua vida útil, o que significa 10 dos 365 dias por ano, mas dão tranquilidade para que as hidroelétricas possam funcionar na sua capacidade máxima, sem receio de faltar energia", avalia José Marcos Treiger, diretor de RI da Multiner. A empresa investe no Brasil em projetos de eólica, PCHs e termoelétricas, abrangendo 1,5 GW, entre usinas em operação e outras no aguardo da compra efetiva, por parte do govern o. Recentemente, a empresa obteve financiamento de R$ 250 milhões do Banco do Nordeste para a construção do parque eólico Alegria I, em Guamaré (RN), que vai produzir 51 MW.

Essa nova compra de energia eólica vem sendo aguardada com grande expectativa pelo mercado. Num leilão da Aneel, que deve acontecer em dezembro, estão inscritos 441 projetos de 11 Estados, totalizando oferta de 13,341 GW. "Essa foi uma bela resposta do setor privado aos gestores públicos de energia, que só esperavam, no máximo, que seriam apresentados projetos na ordem de 6 GW. Os investidores do Brasil e de outros países já sinalizaram que têm grande interesse nessa nova indústria. E o Rio Grande do Norte foi o Estado que mais inscreveu propostas, com um total de 4,745 GW", afirma Jean Paul Prates, secretário de energia e relações internacional do Rio Grande do Norte.

Se todos os 13 GW fossem comprados, isso significaria um investimento de R$ 65 bilhões. Mas as projeções são que devem ser contratados empreendimentos de até 2 GW, o que representa R$ 10 bilhões em recursos. "Mais do que esse leilão, o que espero é que o governo mantenha o ritmo de leilões de eólica nos próximos dez anos. Isso poderia viabilizar a instalação de mais fábricas de equipamentos para a produção de energia eólica, o que reduziria seu custo", ressalta Marcelo Souza, diretor financeiro da Ersa, que concorre no leilão com projetos de 271 MW no Rio Grande do Norte, com um total de investimento de R$ 1,35 bilhão. Desse volume, 70% serão financiados pelo BNDES e BNB.

Segundo o Relatório 2008 da World Wind Energy, a energia eólica é a que mais cresce no mundo. O resultado é que o custo do MW/hora caiu pela metade nos últimos quatro anos. Os países líderes nesse tipo de energia são Alemanha, com 23,7% do mercado, Estados Unidos, com 18%, e Espanha, com 16%. O Brasil ainda ocupa a vigésima quarta posição, em que a energia eólica representa apenas 0,3% da sua matriz energética.

Hoje no país existem duas fábricas de equipamentos: a Wobben (subsidiária da alemã Enercon GmbH, líder mundial em tecnologia eólica de ponta e um dos líderes do mercado eólico mundial), em Sorocaba (SP) e a argentina Impsa, instalada no Porto de Suape, em Pernambuco, que já fornecem para vários parques em funcionamento. "É possível que empresas como GE, Vestas e Alstom comecem a produzir geradores no Brasil, quando os pedidos aumentarem", diz Fiúza, da ABEEólica.

domingo, 18 de outubro de 2009

Desatando o novelo de Alegria

Os projetos de parques eólicos Alegria I e II foram ganhadores no leilão do PROINFA (programa de incentivo às fontes renováveis datado do final do Governo FHC) e, de 2002 até hoje, enfrentaram várias intempéries. Primeiro houve troca de acionistas, depois dificuldades com o fechamento de acordos com os proprietários das terras com a consequente demora maior no processo de análise do financiamento e necessidade de redefinições de projeto e contratações da obra, além dos licenciamentos ambientais que tiveram que ser atualizados de acordo com as variações que os projetos tiveram que enfrentar.

O Governo do Estado considera estes projetos como sendo de importância estratégica e estruturante para o Rio Grande do Norte. Por isso, a partir de meados do ano passado, a Secretaria de Energia, cumprindo orientação específica da Governadora Wilma de Faria, entrou em campo para prestar todo o apoio e assistência ao grupo investidor nos seus esforços para viabilizar e consolidar os projetos.

A primeira vitória, em julho deste ano, foi conseguir a renovação do prazo final de execução - que agora encontra-se estabelecido pela ANEEL para o final de 2010 (outubro, para Alegria I e dezembro, para Alegria II).

A segunda vitória foi a aprovação e, esta semana, a assinatura do contrato de financiamento do BNB para Alegria I (o projeto que incorpora todos os itens mais pesados do custeio - as instalações de conexão e transmissão, por exemplo). O processo de análise e aprovação da segunda parte (Alegria II) deverá transcorrer menos demoradamente. Alegria I, neste sentido, serve de "quebra-gelo" para este e muitos outros projetos eólicos perante o BNB, cuja competente equipe técnica e gerencial tem se esforçado por atender de forma eficiente e responsável.

sábado, 3 de outubro de 2009

REVISTA EXAME destaca potencial eólico do Rio Grande do Norte

Estados que vivem de vento

Um leilão de energia eólica em novembro deve impulsionar o setor, ainda insignificante no país, mas que tem tudo para atrair bilhões de reais e ajudar a desenvolver a economia do Nordeste.

Fabiane Stefano – Revista Exame – 01/10/2009

Os 570 quilômetros de litoral do Ceará oferecem mais que belas paisagens e praias de areia branca. É na costa cearense que estão os melhores ventos do estado para a geração de energia, captada por pás e turbinas apoiadas em torres com até 100 metros de altura. A capacidade instalada dos nove parques eólicos cearenses é de 301 megawatts, o que representa 25% da energia elétrica consumida no estado. Até o fim do ano, outros cinco parques devem ligar as turbinas. Eles permitirão que 43% da energia consumida no Ceará passe a vir da força dos ventos -- e, com outros projetos de eólicas em andamento, dentro de dois anos o estado deverá
inverter a posição atual, de importador de energia para a de exportador.

No vizinho Rio Grande do Norte, a autossuficiência energética deve chegar já em 2010, com a entrada em operação de novos parques eólicos que garantirão 31% da eletricidade consumida no estado. Assim como os cearenses, os potiguares investem na energia dos ventos -- considerada a melhor em termos ambientais para a geração em larga escala.

Medições no Rio Grande do Norte apontam a existência de um potencial de 22 000 megawatts -- o que corresponde à capacidade de uma usina e meia de Itaipu. "O nosso pré-sal é a energia eólica", diz Jean Paul Prates, secretário de Energia do Rio Grande do Norte.

De fato, o Nordeste é a grande fronteira desse tipo de alternativa energética no Brasil. De acordo com o atual mapa eólico do país, realizado em 2001, a região concentra mais da metade do potencial nacional, estimado em 143 000 megawatts -- ou seja, dez Itaipu. O Ministério de Minas e Energia, no entanto, está fazendo um novo estudo e calcula que, com os equipamentos mais potentes e torres mais altas utilizados atualmente, o potencial brasileiro pode chegar a 300 000 megawatts, superando o que pode ser alcançado com hidrelétricas.

Em tempos de delírio com o petróleo do pré-sal, esse tipo de dado não tem merecido tanta atenção -- mas pode fazer a diferença para o país num cenário futuro de demanda por energia limpa. "Os ventos no Brasil estão entre os melhores do mundo, por ser mais constantes e pelo clima tropical. O país pode se tornar um dos líderes em geração eólica", diz Laura Porto, diretora de energias renováveis do grupo espanhol Iberdrola, dono de um parque no Rio Grande do Norte.

http://portalexame.abril.com.br/degustacao/secure/degustacao.do?COD_SITE=35&COD_RECURSO=211;831&URL_RETORNO=http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0953/economia/estados-vivem-vento-501898.html

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Mensagem do Secretário: Entrega das Licenças Ambientais da Refinaria Clara Camarão RPCC

Nesta sexta-feira, 02 de outubro, véspera do aniversário de 56 anos da Petrobrás, o Governo do Estado do Rio Grande do Norte tem a satisfação de entregar ao Gerente Geral da Refinaria Potiguar Clara Camarão, Ney Argolo, o conjunto de licenças ambientais necessários para a obra de integração das unidades industriais, ampliação da capacidade de refino, construção da planta de gasolina e aprimoramento da infra-estrutura logística de escoamento (quadro de bóias).









T
rata-se de mais um compromisso que o Estado cumpre, no âmbito da sua missão de BEM RECEPCIONAR este importante empreendimento da Petrobras no RN.

Nos últimos 10 meses, a Secretaria de Energia do Estado trabalhou diuturnamente com a equipe do REFINO da PETROBRAS no sentido de propiciar TODO O APOIO e a ASSISTÊNCIA necessários para o desenvolvimento do empreendimento, ultrapassando obstáculos e lutando contra o tempo – para cumprir o cronograma previsto.

A integração entre o ESTADO e a PETROBRAS nunca viveu momento tão intenso e eficaz. São conquistas e investimentos, tanto na área de Exploração & Produção quanto nas áreas do Gás, da Energia Renovável, dos Biocombustíveis e do REFINO, representado por esta importante obra que é a Refinaria Clara Camarão.

Gostariamos de parabenizar a Petrobras, a equipe da Secretaria de Energia, o IDEMA e seu excelente quadro técnico e gerencial, pela integração de esforços para atingir este objetivo em tempo e qualidade hábil, e dizer que vamos continuar trabalhando desta forma, integrada e eficaz, em prol dos bons projetos para o RN.

Por exemplo, vamos agora envolve o DNIT, o DER e a SIN para trabalhar no plano de logística da refinaria, nas estradas de acesso, no projeto do terminal oceânico, nas possíveis plantas industriais (de fertilizantes, unidades petroquímicas – onde forem viáveis – e outras formas de agregar valor à produção de petróleo do Estado).



Informação de contexto:

As refinarias brasileiras estão recebendo mais investimentos devido à previsão de que o Brasil passará a ser um grande exportador de petróleo em breve, em decorrência da produção dos reservatórios do pré-sal.

A Refinaria Potiguar Clara Camarão (RPCC) é uma das cinco unidades de refino projetadas pela Petrobras para elevar em 1,2 milhões de barris/dia até 2015, a capacidade de refino da Petrobras no Brasil que, atualmente, é de 1,9 milhões de barris/dia, volume que é superior à demanda nacional de derivados, atualmente em torno de 1,8 milhão de barris/dia. Com isso, o Brasil terá capacidade excedente de derivados, principalmente óleo diesel de alta qualidade, para exportação.

Com capacidade para processar inicialmente 30 mil barris de petróleo por dia e produzir derivados (diesel, glp e gasolina) para atender todo o mercado do Rio Grande do Norte e ainda o interior do Ceará e da Paraíba, a Refinaria Clara Camarão deverá entrar em plena operação em 2010. Como todas as refinarias da Petrobras, poderá refinar prioritariamente o petróleo produzido no Estado, mas também o petróleo pesado da Bacia de Campos e o petróleo leve do pré-sal.

A partir de estudos que serão desenvolvidos no âmbito do Termo de Compromisso que será firmado entre o Estado e a Petrobras no dia 19 de NOVEMBRO, na presença do Presidente Lula, a RPCC deverá ser ampliada em fases, buscando atingir a auto-suficiência do RN em refino até 2015.
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