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quarta-feira, 8 de abril de 2009

Coreanos querem ajudar a viabilizar Terminal Graneleiro Oceânico do RN

Seul, Coréia - O Secretário de Energia e Assuntos Internacionais, Jean-Paul Prates, obteve hoje a manifestação de interesse do grupo coreano P&P Korea, especializado em soluções portuárias e marítimas, e construtor da maior parte dos principais estaleiros daquele país, para estudar o caso do terminal graneleiro do RN quanto ao calado, ventos e correntes da costa potiguar, com vistas a contribuir com uma sugestão tecnica e ambientalmente correta para a construção e operação do porto.

O secretário reuniu-se com o Vice-Presidente do grupo, o PhD em engenharia e tecnologia portuária Ian Kim, em Seul, esta manhã (horário do Brasil) - noite de quarta já, na Coréia. O executivo tem experiência de mais de 40 anos na concepção de projetos para portos de difícil acesso e é considerado o maior especialista do país em soluções para calado raso. Segundo ele, não é incomum o caso do Rio Grande do Norte, e é perfeitamente possível conceber, construir e operar um Terminal Graneleiro Oceânico em área de calado raso, desde que se tenha um ponto da costa onde exista um canal natural de calado maior - como vem a ser o caso de Porto do Mangue-RN, onde este canal encontra-se 15km mar adentro.

A proposta conceitual do especialista é a construção de uma "ponte oceânica" pela qual caminhões ou vagões acessariam o atracadouro principal que estaria localizado sobre o talude onde o canal de calado profundo se encontra. O uso de ramal ferroviário ou mesmo rodoviário é apontado como a melhor forma de escoamento dos granéis, combinado com um sistema de dutos agregado à ponte, para escoamento dos produtos derivados de petróleo, por exemplo.

Com isso, Ian Kim descarta a alternativa de correia transportadora, afirmando que a experiência mostra que para distâncias longas (no caso do RN, seriam pelo menos 13-15km mar adentro), este tipo de equipamento mostra grande potencial de avarias, especialmente em ambiente de alta salinidade.

Da conversa com o Secretário, surgiram conceitos adicionais para o aproveitamento da ponte oceânica, como a instalação de aerogeradores offshore (de grande porte, 2-3MW cada), e a instalação de uma marina próximo à costa - que poderia se converter em mais um pólo turístico para o Estado e para a região litorânea norte.

Perguntado sobre os prováveis impactos ambientais de tal projeto, o especialista afirmou que as técnicas deste tipo de construção hoje em dia permitem manter o fluxo marinho de forma a preservar a fauna e a flora, e não afetando as áreas de mangue, praias ou dunas localizadas na vizinhança do porto. Ele informou também que, no seu conceito, toda a estocagem de produtos deve permanecer na área de terra firme, sendo despachada para o ancoradouro apenas nos momentos próximos a cada embarque, evitando a estocagem offshore.

O Secretário de Energia deixou em aberto os próximos passos quanto à questão, explicando que terá que se reunir com os novos secretários das áreas envolvidas (Infra-estrutura e Desenvolvimento Econômico) para definir sobre o interesse em receber a visita dos especialistas coreanos a fim de prepararem um projeto conceitual para o Terminal Graneleiro Oceânico do RN. Jean-Paul Prates reiterou o interesse em receber uma proposição conceitual do projeto, sem compromisso por parte do Governo do Estado, o que foi prontamente aceito e será enviado brevemente para iniciar possíveis conversas sobre parcerias com os coreanos na solução deste desafio técnico-tecnológico que a própria Coréia já enfrentou tantas vezes.

O especialista agregou ainda que é muito bom que o Estado tenha condições naturais tão favoráveis, especialmente porque o calado raso, as correntes contra-postas e os ventos constantes tornam a costa potiguar um local extremamente aproveitável do ponto de vista econômico - para o turismo, os esportes náuticos, mergulho, aquacultura e pesca, criação de fauna e flora marinha, geração de energia eólica, exploração do subsolo offshore com lâmina d'água rasa, transporte de cargas, manutenção de equipamentos marítimos, e muitas outras atividades passíveis de implantação em regiões de calado raso e regime de marés previsível, como é o caso do RN.

"É muito mais raro e melhor ter uma costa assim, do que o contrário: ou seja uma costa naturalmente favorável para um porto profundo, mas sem mais nada a agregar. O RN tem que dar graças a Deus por ter um litoral assim, pois existe tecnologia e engenharia civil marítima para resolver os problemas de acesso, mas ninguém pode criar praias, dunas, ventos e sol como os que o RN tem." - afirmou, sorridente, o especialista coreano.

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