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quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Entrevista sobre OPEP do gás ao CBN Brasil (Heródoto Barbeiro) - 24/12


Estivemos participando do CBN Brasil, em entrevista em cadeia nacional ao jornalista e âncora Heródoto Barbeiro, nesta quarta 24/12:

A entrevista versou sobre a formação de um novo cartel de países, no formato da OPEP, só que relacionado ao gás natural. A chamada "OPEP do gás" foi oficializada esta semana em Moscou pelos ministros de 12 países exportadores de gás sob a denominação de Fórum de Países Exportadores de Gás (FPEG).

Perguntado a respeito das razões e consequências disso para o mercado mundial, afirmamos considerar difícil replicar o modelo da OPEP, baseado em cotas de produção e influência nos preços internacionais, no mercado de gás. Explicamos que, diferentemente do petróleo, o gás ainda não é uma commodity totalmente globalizada – a não ser quando se trata do GNL (gás natural liqufeito) que pode, no estado líquido, ser transportado a longas distâncias. Na maioria das vezes, o gás é precificado regionalmente, obedecendo a sistemas compostos de oferta (campos de gás), infra-estrutura (gasodutos e estações compressoras) e mercado (cidades ou indústrias).

Razões da preocupação dos países exportadores
Atribuí a iniciativa dos países exportadores, liderados pela Rússia, Irã e Qatar, ao receio de que o mercado do GNL e do gás russo levado à Europa por grandes gasodutos transnacionais sofra queda de preços – tanto em função da recessão mundial quanto principalmente devido ao novo contexto de reservas de gás dos Estados Unidos.

Expus que, nos últimos dois anos, foram amplamente desenvolvidas e viabilizadas grandes reservas de gás chamado "não convencional" no território estadunidense: gás de xisto (“shale”), metano contido em depósitos de carvão (“coalbed methane”) e formações arenosas de baixa permeabilidade (“tight low-permeability formations”, ou “tight sands”). As novas técnicas de mineração (como o caso da fratura das rochas das grandes jazidas de xisto de Haynesville, Louisiania) e processos de tratamento mais eficientes que reduzem progressivamente o custo do gás natural obtido, coincidiram favoravelmente com os preços mais elevados de venda dos últimos anos.

Com isso, o que foi adicionado às reservas provadas chegou a 46,4 tcf (1.305,5 bilhões de m³), número recorde para um ano de trabalho. O resultado é que as reservas provadas totais americanas atingiram 237,7 tcf (6,731 trilhões de m³) – uma situação sem dúvida confortável, modificando substancialmente o panorama futuro do gás na América e ameaçando os planos grandiosos dos exportadores como Nigéria, Argélia, Trinidad & Tobago e Venezuela que viam nos EUA um mercado cada vez mais dependente do GNL importado. A produção americana de gás natural no ano passado foi de 1,513 bilhões de m³/dia, cerca de 30 vezes a produção brasileira.

"Os países exportadores de gás estão preocupados, pois além dos EUA darem indícios de que precisarão importar menos gás no futuro, as indicações são de que os preços de GNL nos próximos 5 anos oscilem em torno de 5-6 dólares por milhão de Btu, enquanto antes se vaticinavam preços da ordem de 20 dólares."

Bolívia-Brasil
Comentamos também sobre o impacto destas movimentações para Brasil e Bolívia, sempre envolvidos com querelas gasíferas. "A Bolívia, com esta sua política de enrijecimento das negociações com o Brasil, coloca-se cada vez mais isolada do mercado internacional e regional. Ao longo de anos de discussão e crises, tenho sempre afirmado que a Bolívia depende mais do Brasil do que o Brasil depende da Bolívia. Agora, munido de seus terminais de GNL como backup para o gás boliviano e nacional, o Brasil vai encontrar um mercado de GNL com preços deprimidos e dependerá cada vez menos da Bolívia até conseguir pôr suas próprias novas reservas (Campos, Santos, Pré-Sal) em produção.

A Rede CBN de Rádio, que pertence ao Sistema Globo de Rádio, tem emissoras próprias em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte, e 24 afiliadas em todos os estados brasileiros. 

O link para a íntegra da entrevista pode ser encontrado em http://cbn.globoradio.globo.com/cbn/editorias/economia.asp

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